Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange (Rio de Janeiro, 8 de maio de 1916 – Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), conhecido como João Havelange, foi um advogado, empresário, atleta olímpico e dirigente esportivo brasileiro.
Como atleta, participou das Olimpíadas de 1936, nas provas de natação dos 400 m e 1500 m livre. Também esteve na edição de 1952, com o time de polo aquático.
Foi presidente da Federação Internacional de Futebol de 1974 até 1998, tendo organizado seis Copas do Mundo nesse período. Foi o segundo presidente com maior tempo no cargo, depois de Jules Rimet, que presidiu a entidade durante 33 anos. Em 2012 foi condenado por suborno na Suíça.
Filho do belga Faustin Havelange, um comerciante de armas radicado no Rio de Janeiro, onde possuía uma grande propriedade que se estendia pelos atuais bairros de Laranjeiras, Cosme Velho e Santa Teresa, desde a infância se dedicou aos esportes.
No Fluminense, foi escoteiro e atleta, infantil, juvenil e adulto, destacando-se em vários esportes, inclusive no futebol, tendo sido em 1931 campeão carioca juvenil. Ainda nesta década graduou-se em direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense e competiu como nadador nas Olimpíadas de Berlim, em 1936 e como atleta do polo aquático nas Olimpíadas de Helsinque, em 1952. Em 1935 e 1936, Havelange venceria a Travessia de São Paulo a Nado.
Na década de 1940, se casou com Anna-Maria, com quem teve a filha Lucia.
Posteriormente foi dirigente esportivo, inicialmente na Federação Paulista de Natação, já que residia em São Paulo na época, em 1948. Quando retornou ao Rio de Janeiro em 1952, tornou-se presidente da Federação Metropolitana de Natação e vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A essa época já havia se formado em direito e atuava como advogado e acionista, além de ocupar o cargo de diretor executivo da Viação Cometa, tradicional empresa de transporte rodoviário de passageiros que opera nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Em 1956, comandou a delegação brasileira nas Olimpíadas de Melbourne. Concorreu a deputado em 1960 pelo Partido Social Democrático (1945), mas com 6 mil votos, não foi eleito.
João Havelange, filho de um belga comerciante de armas, afirmou em entrevista no programa Histórias com Galvão Bueno, do canal SporTV, que após a morte de seu pai, recebeu convite de uma empresa belga para dar continuidade aos negócios do comércio de armas, mas não aceitou tal convite por ter verdadeira aversão a armas, por se tratar de instrumento de morte e violência. João Havelange declarou que nunca possuiu uma arma em sua vida.
De 11 de janeiro de 1958 a 10 de janeiro de 1975, presidiu a Confederação Brasileira de Desportos — que congregava, à época, 24 esportes e não somente o futebol — como sucessor de Sylvio Correa Pacheco. Venceu Carlito Rocha com 185 votos contra 19.
Durante este período, o futebol brasileiro conheceu o ápice de sua história: consagrou-se tricampeão mundial de futebol com a conquista das Copas do Mundo na Suécia (1958), no Chile (1962), e no México (1970).
Nomeou o empresário paulista Paulo Machado de Carvalho como chefe da delegação nas Copas do Mundo de 1958 e 1962. O objetivo era pacificar o futebol brasileiro, uma vez que Havelange era carioca e Paulo paulista.
Ainda como presidente da Confederação Brasileira de Desportos, em 1965 aceitou a recomendação do Conselho Nacional de Desportos para proibir a prática para mulheres de "futebol, futebol de salão, futebol de praia" e outras modalidades.
Como presidente da Confederação Brasileira de Desportos, o período em que o jornalista esportivo João Saldanha foi treinador esteve envolto em polêmica.
Segundo Havelange: "Eu e João fomos moleques juntos, jogamos futebol juntos. Não faço política. Se ele era isso ou aquilo, não me interessa. Não fui eu que o convidei. Quem o convidou foi o Antônio do Passo (dirigente da CBD responsável pela Seleção), a quem eu disse: 'Gosto muito do João, mas ele vai te dar dor de cabeça'".
Saldanha foi à concentração do Flamengo, armado, prometendo matar o seu desafeto, o técnico Yustrich. Após um jogo-treino contra o Bangu, Havelange e Antônio do Passo decidiram dissolver a comissão técnica. O técnico foi comunicado em reunião alguns dias depois. Havelange: "Quando terminou [a reunião], ouvi o João aos berros, no corredor. Eu abri a porta e disse: 'Você ainda está sob contrato da CBD. Se o senhor quiser gritar, o senhor desça, faça na rua e diga o que o senhor quiser'".
Havelange queria Dino Sani, que era seu amigo pessoal, mas Dino recusou. Antônio do Passo indicou Zagallo.
Após o ocorrido, Saldanha divulgou a versão que se perpetuaria como o motivo da sua demissão: o presidente Emílio Garrastazu Médici (1969–74) pedira a convocação do atacante Dadá Maravilha, e Saldanha teria respondido: "O senhor escala o seu ministério, e eu escalo o meu time".
Após demitir Saldanha, Havelange foi à Brasília no dia 19 de março de 1970, convocado pelo Ministro da Educação, coronel Jarbas Passarinho, numa reunião de 2 horas e 13 minutos. Em seguida à reunião com o ministro, Havelange foi à sede do SNI, sem esclarecer o objetivo da visita.