João Alberto Barone Reis e Silva (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1962) é um baterista brasileiro. É membro da banda Os Paralamas do Sucesso.
Reconhecido como um dos mais influentes bateristas do Brasil, construiu sua reputação ao longo da trajetória de mais de quatro décadas d'Os Paralamas do Sucesso, com uma ampla discografia de álbuns de estúdio e ao vivo. Por conta de seu trabalho na banda, foi convidado para gravar com vários artistas e grupos como Ultraje a Rigor, Titãs, Sepultura, Marina Lima, Lenine, Rita Lee, Zizi Possi, Zé Ramalho, dentre outros.
Barone teve alguns trabalhos como produtor nos álbuns do cantor/tecladista Fábio Fonseca (1987), da banda Conexão Japeri (1988), onde Fábio Fonseca e Ed Motta integraram, do cantor Supla (1991) e da banda Los Djangos (1998).
João Barone nasceu no Rio de Janeiro. Seus pais viviam numa casa na Universidade Rural, na zona oeste da capital da antiga Guanabara, onde cresceu num ambiente familiar permeado por música de todos os gêneros. Seu pai, funcionário público, apreciava jazz e MPB. Os irmãos mais velhos eram fãs de rock em suas mais variadas vertentes, de Beatles até o rock progressivo, passando pelos grandes nomes da música negra americana e pelos ícones do rock nacional e da Tropicália.
Barone desenvolveu um interesse infantil pela bateria desde então, sendo Ringo Starr o seu primeiro ídolo no instrumento. Mesmo sem ter uma bateria, tocava em travesseiros usando baquetas feitas de bambu. Quando alguns amigos de rua pensaram em montar uma banda, Barone foi chamado para ser o baterista. Uma escola local doou-lhe uma sucata de bateria, que restaurou como pôde. Foi a sua primeira bateria. O músico teve aulas com um baterista de baile e, depois de algum tempo, deu canjas em bailes no clube da comunidade local com seus amigos. Entretanto, o sonho de ser baterista ainda era algo distante de sua realidade. No início da década de 1980, Barone foi aprovado no vestibular para a Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), onde começou a estudar em 1982.
Seu encontro com Os Paralamas do Sucesso aconteceu um pouco antes, em setembro de 1981, quando um amigo em comum do baixista Bi Ribeiro o convidou, em cima da hora, para tocar em um show. Os Paralamas haviam sido convidados para uma apresentação como banda hors-concours no festival de música estudantil da Universidade Rural, onde Bi estudava Zootecnia. O então baterista do grupo, Vital Dias, não compareceu para a apresentação, e Barone foi chamado no mesmo dia.
João Barone não estudou formalmente o instrumento, e tornou-se efetivamente um baterista ao ingressar n'Os Paralamas. Nesse processo, foi atrás da experiência de bateristas que admirava, como Lobão e Serginho Herval, do Roupa Nova, além dos que volta e meia encontrava nos estúdios da gravadora Odeon, como Paulo Braga, Juba, da Blitz, e Teo Lima. Barone também chegou a ter alguns encontros com o Robertinho Silva, que fez parte do conjunto Som Imaginário. Apreciava todos os estilos musicais, como a bossa nova de Milton Banana e de Rubinho, do Zimbo Trio, e o jazz de Tony Williams, Art Blakey, Billy Cobham, Steve Gadd, dentre outros bateristas, como Jorginho Gomes, dos Novos Baianos. Entretanto, sua maior influência vinha do rock internacional, de grandes ícones da bateria como Ginger Baker, Mitch Mitchell, Keith Moon, Bill Bruford e John Bonham.
O seu grande referencial nesse início de jornada foi Stewart Copeland, a quem passou a admirar desde que o viu pela primeira vez num vídeo da banda The Police, tocando "Roxanne", em 1978. Desde as primeiras gravações e entrevistas, em 1983, Barone nunca escondeu sua idolatria por Copeland. Não à toa, no início da carreira, Os Paralamas eram muito comparados ao Police, pois além de serem trios, o estilo de tocar era semelhante, culminando com o grande sucesso do segundo álbum da banda, O Passo do Lui (1984). No álbum, Barone apresentava exemplos do “copelandismo“ (do inglês copelandism, estilo de tocar reconhecido nos muitos bateristas influenciado por Stewart Copeland), tanto nas batidas como na sonoridade de sua bateria. Este álbum virou um referencial na gravação de bateria no rock nacional, provando que era possível “tirar um som de batera igual ao dos gringos”, elevando assim os padrões de exigência de como gravar bateria dali em diante para um outro patamar na produção musical brasileira.
Pós-punk, reggae, ska e ritmos latinos
A antológica participação d'Os Paralamas no primeiro Rock in Rio em janeiro de 1985 projetou a banda por todo o Brasil e América do Sul, com uma intensa agenda de shows, onde muitas vezes a banda fazia duas apresentações por noite em ginásios lotados. Barone começou a amadurecer seu próprio estilo e personalidade musical já no terceiro e consagrado álbum d'Os Paralamas, Selvagem?, com o emprego de batidas de reggae e dub, aliados à uma pegada roqueira, o que deixou claro naquele momento que a banda Os Paralamas do Sucesso não só veio para ficar, como já era tida como uma das mais originais da geração 80 do rock brasileiro.
A extensa discografia d'Os Paralamas demonstra a diversidade de estilos e climas exigidos, através da habilidade de Barone no instrumento, resultado do grande entrosamento dos integrantes da banda e da maestria de Herbert Vianna em suas composições. Barone tem grande estima por Bi Ribeiro, (baixista e fundador d'Os Paralamas), pois acredita que ambos possuem um approach intuitivo em seus instrumentos, o que resultou numa grande sintonia entre os dois com o tempo de estrada.
Os Paralamas do Sucesso ganharam inúmeras premiações ao longo de décadas de atividade, com destaque para quatro Grammys Latinos. Barone também foi premiado inúmeras vezes como melhor instrumentista em votações de público e crítica, em revistas, jornais e canais de televisão.
Em 2017, João Barone se juntou ao ex-baixista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos, e ao ex-guitarrista do The Police, Andy Summers, no projeto Call the Police. O trio se apresenta em turnês esporádicas pelo Brasil e em outros países da América Latina, executando os maiores sucessos do The Police, a maior influência do baterista. A turnê de 2024 foi a quinta desde 2017, e passou por várias cidades da América Latina.
Gravou com muitos outros artistas, como:
Eduardo Dussek: juntamente com os outros integrantes dos Paralamas do Sucesso, nas faixas "Maldito dinheiro", "O lixeiro e a empregada", "Recebi seu bilhetinho", "O crápula", "Oh! My darling bezerrão" e "Qual?" do álbum Brega Chique - Chique Brega (1984);
Rita Lee: faixas "Não titia", "Molambo souvenir" e "Vítima" do álbum Rita e Roberto (1985). No período em que Herbert Vianna se recuperava de um acidente, em 2001, gravou e tocou em diversas faixas do álbum Aqui, Ali, em qualquer lugar. Participou também da turnê Yê yê yê de Bamba;
Leo Jaime: "Solange", versão de "So Lonely" do The Police, do álbum Sessão da Tarde (1985), "Briga" e "Prisioneiro do Futuro" do álbum Vida Difícil (1986);
Ultraje a Rigor: faixa "Maximilian Sheldon" do álbum Sexo!! (1987);