Manuel Jesualdo Ferreira (Mirandela, 24 de maio de 1946) é um treinador e ex-futebolista português que atuava como médio. Atualmente está sem clube.
Na sua carreira com quase quarenta anos como treinador, esteve no comando de todos os três grandes do seu país e teve seus maiores sucessos no Porto, onde se tornou o primeiro técnico a vencer três títulos consecutivos na Primeira Liga, tendo vencido também a Taça de Portugal duas vezes. Mais tarde, levou o clube egípcio Zamalek e o Al-Sadd, do Catar, à conquista dos respectivos títulos nacionais.
Jesualdo ainda criança parte com seus pais para Angola, onde reside até ao início da adolescência e de onde regressa com seus tios para estudar. Começou a estudar em Chaves, passou por Aveiro, sem nunca esquecer a família nem os amigos que encontrava nos finais de semana. Tirava férias na aldeia de Carvalhais, freguesia do concelho de Mirandela.
Jogou como médio na Ovarense mas retira-se como jogador com 20 anos para tirar o curso de treinador. Formou-se em Desporto em Lisboa (onde viria mais tarde a dar aulas) e, com o diploma na mão, iniciou um percurso desportivo. De clubes de menor visibilidade a equipas mundialmente reconhecidas, Jesualdo Ferreira sempre respeitou as suas convicções nas decisões pessoais e profissionais, segundo o próprio "abdiquei da minha família, dos meus amigos mas nunca dos meus princípios". De entre muitas medalhas recebidas, Jesualdo elege a da sua cidade como a que mais o tocou. Mirandela homenageou com a medalha de ouro da Autarquia, no dia 23 de março de 2007, o "Homem que vingou a pulso na vida".
Após concluir o curso, integrou os quadros da Federação Portuguesa de Futebol em 1974, trabalhando com as camadas jovens da Seleção.
Em 1979, Jesualdo muda-se para o Benfica assumindo o cargo de coordenador para o futebol jovem. Iniciou a sua carreira como treinador principal em 1981, assumindo o comando do Rio Maior, da II Divisão, mudando-se mais tarde para o Torreense, também da II Divisão até em 1984 assumir pela primeira vez o comando de uma clube da I Divisão: a Académica de Coimbra, em 1984.
Jesualdo foi demitido da Académica apenas após sete jornadas (com o saldo de uma vitória e seis derrotas). De seguida orientou Atlético CP e Silves antes de retornar ao Torreense em 1986. No ano seguinte, voltou ao Benfica como adjunto do novo técnico Toni.
Em 1989, após um curto período no comando da Seleção Angolana, Jesualdo regressou ao Torreense para um terceiro período. Mais tarde, trabalhou no Estrela da Amadora, sendo também um dos assistentes de Artur Jorge na Seleção Portuguesa. O Estrela viria no entanto a ser despromovido para a Liga de Honra na temporada 1990–91. Em 1992, Jesualdo voltou a acompanhar Toni na comissão técnica do Benfica. Em 1994, Jesualdo seguiu com Toni para a França, onde este assumiu o comando do Bordeaux. Ambos se separaram em 1995, quando Jesualdo assumiu o comando do FAR Rabat, do Marrocos, e posteriormente trabalhou como técnico da Seleção Portuguesa Sub-21, onde ganhou notoriedade ao treinar jogadores da geração que terminou em segundo na Euro 2004.
Jesualdo chegou ao Alverca em 2000–01, onde levou a equipa ao 12º lugar na Primeira Liga. Com bons resultados, Ferreira partiu para o Benfica na temporada 2001-02, inicialmente como assistente de Toni, depois assumindo o cargo de treinador principal a 29 de dezembro de 2001, após a Toni ter sido demitido.
Em novembro de 2002, após uma série de resultados fracos, Ferreira foi demitido pelo presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, depois de ser eliminado da Taça de Portugal, em casa pelo Gondomar, da II Divisão B. Ele foi substituído pelo espanhol José Antonio Camacho.
A 19 de abril de 2003, o novo presidente do Braga, António Salvador contratou Jesualdo para comandar a equipa à manutenção quando se encontrava perto da zona de despromoção. Ele levou o Braga ao 14º lugar na Primeira Liga, apenas dois pontos acima da zona de despromoção. Finda a temporada, Jesualdo assume que o Braga irá passar a lutar pelos lugares europeus e nas temporadas 2003–04, 2004–05 e 2005–06, o Braga fez fantásticas campanhas na liga e, com jogadores como João Tomás e Wender, disputou o título em 2004–05. O Braga alcançou o quinto lugar (2003–04) e o quarto lugar por duas vezes (2004–05 e 2005–06). Depois das expectativas geradas na luta pelo título, Jesualdo acaba por sair no final do seu contrato.
Jesualdo assinou com o Boavista em 2006, mas ainda na pré-temporada 2006–07, Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do Porto, ofereceu-lhe o cargo de treinador que havia ficado vago com a rescisão de Co Adriaanse, acabando por assinar por duas épocas pelos Dragões a 18 de agosto de 2006, após a final da Supertaça Cândido de Oliveira, a uma semana de começar a Liga. Aí trabalhou com jogadores de grande calibre como Ricardo Quaresma, Anderson, Pepe, Lucho González, Raul Meireles, Paulo Assunção, José Bosingwa e Lisandro López, que viria a considerar o "treinador que mais o marcou".
Apesar de ter pouco tempo para se adaptar ao seu novo clube ou mudar a abordagem tática da equipa que, sob Adriaanse, jogava em um sistema muito ofensivo por 3–3–4, Jesualdo conseguiu conquistar o título da liga no seu primeiro ano no clube, terminando apenas um ponto à frente do Sporting e dois do Benfica. Na Liga dos Campeões, o Porto alcançou os oitavos de final, onde foi eliminado pelo Chelsea por 2–3 no total.
A temporada 2007–08, o Porto fez um excelente campeonato que venceu com uma margem de 20 pontos sobre o segundo classificado, o Sporting, apesar de depois terem sido deduzidos seis pontos devido ao Apito Dourado, relativo à temporada 2003–04. Na Europa, Jesualdo levou uma vez mais o Porto aos oitavos de final da Liga dos Campeões, depois de terminar em primeiro lugar num grupo que incluía o Liverpool, sendo eliminado pelo Schalke 04 nos penaltis após empate por 1 a 1.
A temporada 2008–09 foi mais um ano de sucesso para Jesualdo, com o Porto alcançando o quarto título consecutivo na liga, o terceiro de Jesualdo, tornando-o o primeiro técnico português a vencer três campeonatos consecutivos na liga portuguesa. Além disso, o Porto também conseguiu a dobradinha, derrotando Paços de Ferreira por 1 a 0 na final da Taça de Portugal, graças a um golo de Lisandro López. Na Liga dos Campeões, o Porto chegou aos quartos-de-final, liderando um grupo que incluía o Arsenal e derrotando o Atlético de Madrid no oitavos de final, antes de ser eliminado pelo então campeão em título, Manchester United por 2–3 no total. O desempenho daquela temporada recompensou Ferreira com uma renovação de contrato por dois anos.
Após os sucessos dos anos anteriores, a época 2009–10 foi uma época pouca conseguida, com os Dragões a perderem o título para o Benfica, cinco anos depois e ao terminarem em 3º, falharem o apuramento para a Liga dos Campeões, uma época marcada pela polémica dos casos no túnel de acesso aos balneários do Estádio da Luz (o outro caso envolveu jogadores do Braga, 2º classificado da época) que resultou nos castigos de seis meses para Cristian Săpunaru e de Hulk (principal jogador da equipa) em quatro meses. Mais tarde, em março, as penas seriam reduzidas; no entanto, os jogadores já tinham falhado 18 jogos da época e o título já estava decidido. O Porto foi também derrotado pelo Benfica na final da Taça da Liga, vindo a conquistar no entanto a Taça de Portugal. Na Liga dos Campeões, o Porto chegou mais uma vez aos oitavos de final, no entanto seria eliminado pelo Arsenal com uma pesada derrota por 5–0 na 2ª mão.
Foi substituído por André Villas-Boas em maio de 2010, tendo rejeitado passar para o cargo de director técnico do clube.
No total, comandou os Dragões em 192 jogos, com 82 vitórias, 47 empates, 63 derrotas, 259 golos marcados, 214 golos sofridos e 288 pontos somados.