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Jean Gerson

Jean Charlier de Gerson (Johannes Gerson; 13 de dezembro de 1363 — Rethel, perto de Ardennes, 12 de julho de 1429), cham

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Jean Charlier de Gerson (Johannes Gerson; 13 de dezembro de 1363 — Rethel, perto de Ardennes, 12 de julho de 1429), chamado de Doctor christianissimus, foi teólogo, erudito, educador, filósofo, pregador, reformador e poeta francês, além de chanceler da Universidade de Paris. Exerceu papel relevante no processo que culminou com a condenação à morte de Jan Hus (1371-1415) e de Jerônimo de Praga (1365-1416). Escreveu o tratado "Sobre o poder eclesiástico" (1417), defendendo a tese de que o concílio incontestavelmente detém o poder supremo na Igreja.

Estudou no Colégio de Navarra, em Paris, e se doutorou em teologia em 1393. Em 1395, sucedeu a Pierre d'Ailly (1351-1420) no cargo de chanceler da Universidade de Paris, sendo nomeado posteriormente Bispo de Puy, arcebispo de Cambrai e cardeal. Após o assassinato do Duque de Orléans, em 1408, acusou o Duque de Borgonha, como autor do assassinato e condenou Jean Petit (1360-1411), que o defendia.

Sua firmeza também se evidenciou em relação à Igreja: quando foi intransigente contra as doutrinas consideradas heréticas, tal qual no Concílio de Pisa e no Concílio de Constança, no qual contribuiu com a morte de Jan Hus e de Jerônimo de Praga, sustentando com força os direitos à autonomia da igreja galicana, e combatendo todo relaxamento dos costumes eclesiásticos, reivindicando a superioridade do poder do concílio dos bispos em relação ao do papa e se empenhou em por um fim ao Cisma do Ocidente.

Após o Concílio de Constança não conseguiu voltar à França devido às desordens que se produziram, e se retirou para a Baviera. Durante este exílio, compôs as Consolações da Teologia, sua obra em quatro volumes. Dois anos depois, voltou à França, porém, não tomou parte em nenhum assunto político e se retirou para o convento lionês dos Celestinos, escrevendo e ensinando.

Como teólogo, tentou elaborar uma teologia mística que se opunha à teologia escolástica. Personagem de transição entre a Idade Média e o Renascimento, buscou um acordo entre formalista e deterministas, condenou Duns Scot e a Juan de Ripa, os quais multiplicaram as essências e introduziram nos conceitos de Deus, formas metafísicas e razões ideais, de tal maneira que o Deus resultante se tornou uma construção intelectual arbitrária. Condenou também a identificação platônica de Deus com o Bem ou com uma natureza neoplatonicamente necessária, reivindicando a primazia da vontade e da liberdade divina, essencial, em seus conceitos, ao cristianismo, já que a primazia da vontade divina anula qualquer certeza demonstrativa no relacionamento com Ele.

Cinquante-Cinq Sermons et Discours (1389 - 1413)

Consolatio theologiae (1414-1419)

Contra vanam curiositatem in negotio fidei (1402)

De auferibilitate papae ab ecclesia (1409, 1417)

De consolatione theologiae (1418)

De distinctione verarum visionum a falsis (1401-2)

De duplici logica (Les deux logiques, 1401) ;

De examinatione doctrinarum (1423).

De modo pacificandi, reformandi ac uniendi Ecclesiam

De modo se habendi tempore schismatis (ca. 1401)

De mystica theologia tractatus primus speculativus. Sur la théologie mystique (rédigé en 1408 à partir de cours datant 1402-1403, publié en 1422/23) ; trad. Marc Vial, Vrin, 2005, 235 p.

De probatione spirituum (1415)

De restitutione obedientiae (1400)

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