Jean-Marie Guyau (Laval, 28 de Outubro de 1854 — Menton, 31 de Março de 1888) foi um filósofo e poeta francês, por vezes considerado como o Nietzsche francês.
Jean-Marie Guyau foi filho de Augustine Tuillerie, autor da obra Tour de la France par deux enfants, publicada em 1877 sob o pseudónimo G. Bruno, uma referência a Giordano Bruno, casada em segundas núpcias com o filósofo Alfred Fouillée.
Apaixonado pela poesia e pela filosofia, Guyau estudou os grandes clássicos, com uma preferência marcada pela obra de Victor Hugo, Pierre Corneille, Alfred de Musset, Epicteto, Platão e Emmanuel Kant. Licenciado em letras aos 17 anos de idade, traduziu o Manual de Epicteto.
Rendeu-se ao estoicismo, que inspiraria a sua resistência sorridente à tísica (tuberculose) doença que lhe seria fatal aos 32 anos de idade. Também se deixou seduzir pelos escritos de Herbert Spencer, em especial pela obra Data of Ethics (1879), cujas linhas de força retomaria na sua obra La Morale anglaise contemporaine. Professor no Lycée Condorcet, publicou obras pedagógicas. Quando a doença que o vitimaria se declarou, instalou-se no Midi francês procurando que a ajuda da amenidade do clima, redigindo então numerosas obras de filosofia e de poesia.
A sua principal obra, Esquisse d'une morale sans obligation ni sanction, profundamente inovadora, aparenta ter impressionado, e sem dúvida influenciado, Friedrich Nietzsche, que cobriria o seu exemplar da obra de Guyau com abundantes notas marginais durante a sua estadia em Nice. Nietzsche comentou e citou abundantemente aquela obra, bem como L'Irréligion de l'avenir, outra importante obra de Guyau, no seu Ecce homo. Da mesma maneira, Henri Bergson, ao ler Vladimir Jankélévitch, retomou em parte as intuições de Guyau no que respeita à ideia de vida. Piotr Kropotkin refere igualmente Guyau na sua obra A Moral Anarquista, indo ao ponto de se referir a Guyau como o jovem fundador da ética anarquista, ética que define como a ciência da moral das sociedades.
A sua esposa publicou, sob o pseudónimo de Pierre Ulric, curtos romances destinado ao público infanto-juvenil. Jean-Marie Guyau foi o pai do filósofo Augustin Guyau.
La Littérature chrétienne du IIe au IVe siècle, extraits des Pères de l'Église latine, suivis d'extraits des poëtes chrétiens, Paris : C. Delagrave, 1876, in-16, 294 p.
La Morale d'Épicure et ses rapports avec les doctrines contemporaines, Paris : G. Baillière, 1878, in-8°, 291 p. Lire en ligne.
réédité par Encre Marine, 392 p., ISBN 978-2909422664
La Morale anglaise contemporaine, morale de l'utilité et de l'évolution, Paris : G. Baillière, 1879, in-8, XII-420 p. Lire en ligne.
réédité par Adamant Media Corporation, 2002, 448 p., ISBN 978-0543702050
Vers d'un philosophe, Paris : G. Baillière, 1881, in-16, VII-208 p. Lire en ligne.
Les problèmes de l'esthétique contemporaine, Paris : F. Alcan, 1884, in-8°, VIII-260 p. Lire en ligne.
réédité par BiblioBazaar, 2008, 270 p., ISBN 978-0559757686 ; BiblioBazaar, 2009, 270 p., ISBN 978-1110971480
Esquisse d'une morale sans obligation ni sanction, Paris : F. Alcan, 1885, in-8 ̊, 254 p. Lire en ligne.
L'Irréligion de l'avenir, étude sociologique, Paris : F. Alcan, 1886, in-8° Lire en ligne.
L'Art au point de vue sociologique, Paris : F. Alcan, 1889, in-8°, XLVII-387 p. Lire en ligne.
réédité par Fayard, coll. « Corpus des œuvres de philosophie en langue française », 2001, 508 p., ISBN 978-2213609140