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Jean-Luc Mélenchon

Político francês

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Jean-Luc Mélenchon (Tânger, Marrocos, 19 de agosto de 1951) é um político francês, fundador do movimento França Insubmissa (La France insoumise), lançado em 10 de fevereiro de 2016. Foi candidato deste movimento nas eleições presidenciais de 2017 e nas eleições de 2022, e é o seu candidato designado à eleição presidencial de 2027, anunciada oficialmente em 3 de maio de 2026.

Foi ainda senador por Essonne entre 1986 e 2010, ministro delegado do Ensino Profissional no governo de Lionel Jospin entre 2000 e 2002, deputado ao Parlamento Europeu entre 2009 e 2017 e deputado à Assembleia Nacional Francesa pelo departamento das Bocas do Ródano entre 2017 e 2022.

Nascido em Tânger, no Marrocos, filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma professora primária, ambos de família com ascendência maioritariamente espanhola e também siciliana, Jean-Luc Mélenchon viveu na cidade os primeiros onze anos da sua vida, antes de se mudar com a família para a França em 1962. Estudou filosofia na Universidade de Franche-Comté, em Besançon, tendo posteriormente exercido como professor e jornalista.

Participou nas manifestações estudantis de maio de 1968 em Lons-le-Saunier e tornou-se depois responsável regional, em Besançon, da Organização Comunista Internacionalista (OCI), uma organização trotskista a que tinha aderido em 1972. Em setembro de 1976, abandonou o ativismo trotskista para se filiar no Partido Socialista francês.

Carreira no Partido Socialista (1977–2008)

No Partido Socialista, Mélenchon foi diretor de gabinete do presidente da câmara de Massy a partir de 1978 e conselheiro-geral (deputado departamental) por Essonne a partir de 1983, tendo também dirigido a federação departamental do partido. Foi eleito senador por Essonne em 1986, mandato que exerceu, com reconduções sucessivas, até 2010. Em 1988, cofundou, com Julien Dray, a corrente interna «Gauche socialiste».

Entre março de 2000 e maio de 2002, foi ministro delegado do Ensino Profissional no governo de Lionel Jospin, sob a tutela do ministro da Educação Jack Lang. Opôs-se ao Tratado de Maastricht e ao Tratado de Amesterdão e, em 2005, defendeu o «não» no referendo francês sobre a Constituição Europeia.

Em novembro de 2008, na sequência do congresso de Reims, que consagrou um reposicionamento do Partido Socialista para o centro, Mélenchon anunciou a sua saída do partido. Fundou então o Partido de Esquerda, constituído formalmente no início de 2009.

Parlamento Europeu e Frente de Esquerda (2009–2016)

Em 2009, Mélenchon liderou a lista da Frente de Esquerda — aliança entre o Partido de Esquerda e o Partido Comunista Francês — às eleições europeias, sendo eleito deputado ao Parlamento Europeu pela circunscrição Sudoeste, mandato que exerceu entre 2009 e 2017 e ao qual foi reconduzido em 2014.

Como candidato da Frente de Esquerda à eleição presidencial de 2012, obteve 11,10% dos votos no primeiro turno, realizado a 22 de abril, terminando em quarto lugar, atrás de François Hollande, Nicolas Sarkozy e Marine Le Pen (17,90%). Segundo a agência Al Jazeera, foi o melhor resultado de um candidato de esquerda situado à esquerda do Partido Socialista em três décadas.

Fundação da França Insubmissa e eleição presidencial de 2017

Em 10 de fevereiro de 2016, numa entrevista à TF1, Mélenchon anunciou o lançamento de um novo movimento político, a França Insubmissa, concebido como uma plataforma mais ampla do que os partidos que até então integravam a Frente de Esquerda.

Como candidato da França Insubmissa à eleição presidencial de 2017, obteve 19,58% dos votos no primeiro turno, o que lhe valeu o quarto lugar, muito perto do segundo, não se qualificando para a segunda volta. Recusou-se a pedir o voto em Emmanuel Macron na segunda volta, submetendo a decisão a uma consulta interna aos militantes do movimento, da qual resultou 36,12% de votos em branco, 34,83% a favor de Macron e 29,05% de abstenção.

Nas eleições legislativas de junho de 2017, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Francesa pela quarta circunscrição das Bocas do Ródano, em Marselha, tendo liderado nos anos seguintes o grupo parlamentar da França Insubmissa na Assembleia Nacional.

Em 16 de outubro de 2018, a residência de Mélenchon e a sede nacional da França Insubmissa foram alvo de buscas policiais, no âmbito de duas investigações por alegado desvio de fundos — uma relativa ao financiamento da sua campanha presidencial de 2012 e outra ao pagamento de colaboradores parlamentares europeus. Mélenchon reagiu com veemência à ação, confrontando agentes da polícia e um procurador junto à entrada da sede do movimento e classificando a operação como um «ato de agressão política». Em 10 de dezembro de 2019, o tribunal correcional de Bobigny condenou-o, por rebelião e provocação, a uma pena de três meses de prisão, suspensa, e a uma multa de 8 000 euros.

Em 24 de setembro de 2021, foi ainda condenado por difamação contra o antigo jornalista do Le Monde Paulo Paranagua, a quem tinha chamado, num artigo de blogue, «assassino arrependido», numa alusão ao seu passado de ativista trotskista; o tribunal aplicou-lhe uma multa suspensa de 500 euros e o pagamento de 1 000 euros de indemnização ao jornalista.

Eleição presidencial de 2022 e coligação NUPES

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