Neste Dia

Jardim Gonçalves

Banqueiro português

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Jorge Manuel Jardim Gonçalves MTCG • GCIH • ComNSC (Funchal, Santa Maria Maior, 4 de Outubro de 1935) é um empresário português.

Filho de Agostinho Carlos Gonçalves (Santo António, Funchal, 28 de agosto de 1900 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 11 de agosto de 1990), comerciante e um dos sócios fundadores e jogador de polo aquático no Club Sport Marítimo, e de sua mulher Maria Bernardete Estêvão de Sousa Jardim (Santa Maria Maior, Funchal, 3 de agosto de 1899 – Santa Maria Maior, Funchal, 20 de março de 1989), professora e fundadora do Colégio Júlio Dinis (Funchal), Oficial da Ordem da Instrução Pública a 19 de Setembro de 1984, Jardim Gonçalves viveu na Madeira até se estabelecer no continente.

Na Universidade de Coimbra frequentou os estudos preparatórios de Engenharia Civil. Nesta estância ganhou especial afeição pela Académica, sem, no entanto, deixar de ser adepto do Marítimo. A seguir mudou-se para o Porto, onde completou a sua licenciatura em Engenharia Civil, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em 1961.

Voltou à Madeira para estagiar nas obras de ampliação do Aeroporto da Madeira, mas em 1962 é chamado a cumprir o serviço militar. Mobilizado para Angola, onde eclodira a Guerra do Ultramar. Cumpriu comissão como alferes do pelotão de engenharia da Companhia de Sapadores 123, do Batalhão 96, e distinguiu-se pela sua participação na Operação Viriato.

Ainda em 1962, durante a sua comissão em Angola, casou com Maria da Assunção Almeida Osório de Vasconcelos, com quem teria cinco filhos.

Em 1969 regressou à Universidade do Porto, que o contratou como assistente da disciplina de Hidráulica. Acumulou essa função com a de engenheiro civil na Administração dos Portos do Douro e Leixões. Mas logo no ano seguinte, em 1970, decide trocar de profissão e de cidade, encetando a sua carreira na banca. Ingressa no Banco da Agricultura, onde chegaria a administrador executivo, em 1974.

Com a Revolução dos Cravos, Jardim Gonçalves é forçado a abandonar o país. Fixa-se em Madrid, onde exerce funções directivas na Companhia de Gestão e Indústrias do Banco Popular Espanhol, de 1975 a 1976. É nessa altura que adere à Opus Dei, a instituição católica fundada por Josemaría Escrivá de Balaguer, à qual ainda hoje pertence, como membro supranumerário.

Regressou a Portugal em 1977, depois de ser nomeado para o Conselho de Gestão do Banco Português do Atlântico, a convite do então Ministro das Finanças, Henrique Medina Carreira, e na sequência também do apelo feito por Ramalho Eanes, então Presidente da República. Em 1979 é nomeado presidente do Conselho de Administração do Banco Português do Atlântico e do Banco Comercial de Macau.

Fundação do Banco Comercial Português

Na década de 1980, envolve-se no projecto da criação de uma nova instituição bancária. Inicialmente designado Banco Comercial do Norte, o projeto foi liderado pelos empresários Américo Amorim, António Gonçalves e Macedo Silva e seria o embrião do Banco Comercial Português, constituído em 1985. Jardim Gonçalves foi presidente desse banco desde o seu início, assumindo, posteriormente, o controlo do BPA, em 1995, e do Banco Mello, da Companhia de Seguros Império e do Banco Pinto & Sotto Mayor, em 2000. Em 2003, era já o maior banco privado português, o BCP adoptou a marca Millenniumbcp, ao mesmo tempo que promovia uma revolução ao nível do Sistema Bancário Nacional e posicionando-o no top-level do que de melhor se fazia na atividade bancária, a nível mundial.

Jardim Gonçalves cessou funções no BCP em março de 2005, tendo-se mantido nas funções de presidente do Conselho Geral e de Supervisão e de presidente do Conselho Superior, até 2008. O cargo de presidente do Conselho de Administração foi assumido pelo seu antigo delfim na instituição, o jurista Paulo Teixeira Pinto. Em 2008 Jardim Gonçalves deixou de exercer qualquer cargo no BCP na sequência de um polémico conflito entre dois grupos de acionistas no seio do Conselho de Administração, que também levou à saída de Teixeira Pinto.

Em 2010 foi-lhe aplicada uma multa de um milhão de euros, pelo Banco de Portugal, devido a nove infracções com dolo e fica nove anos inibido do exercício de cargos em instituições de crédito.

As infracções pelas quais Jardim Gonçalves foi condenado foram contestadas pelo mesmo e pelo próprio Conselho de administração Executivo do Banco Comercial Português, que alegam que existiu na decisão tomada, precipitação e dolo ao mais alto nível por parte dos reguladores do sistema financeiro Português, o Banco de Portugal e a Comissão de Valores Monetários nas pessoas dos seus responsáveis, os senhores Vítor Constâncio e Carlos Tavares , uma vez que segundo o mesmo banco privado, não terá existido sequer por parte dos mencionados reguladores a realização de uma fase formal de investigação em conformidade com a Lei.

Facto este que está também em linha com o que Filipe Pinhal (antigo presidente do Banco Comercial Português) afirma no sentido de que as infracções referidas mais não fazem do que parte do esquema montado para a governamentalização do Banco Comercial Português por parte dos seus principais concorrentes CGD e BES, nas pessoas dos senhores Ricardo Salgado, Carlos Santos Ferreira, José Socrates, Joe Berardo, e através da consultora Heidrick & Struggles Nuno Vasconcellos, Ramon Bartolomé e Rafael Mora, da EDP António Mexia.

10 de Julho de 2010, Jardim Gonçalves escreve uma carta ao novo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, onde diz que a condenação de que foi alvo não foi devidamente apreciada. Jardim Gonçalves afirma que foi condenado sem que tivessem sido lidas as conclusões do processo.

17 de Julho de 2010, na sequência de pedido feito por Jardim Gonçalves junto da CMVM e do tribunal no sentido de afastar Carlos Tavares Presidente da CMVM do processo BCP, este decide retirar-se e não participar mais na decisão do processo de contraordenação BCP.

22 de Julho de 2010, Jardim Gonçalves, lamentou que o então presidente do banco, Santos Ferreira, não tenha conduzido uma defesa adequada da instituição, levando a que o tribunal de 1ª Instancia se tenha limitado a "carimbar" a decisão da CMVM.

27 de Julho de 2010, Miguel Ferreira professor na Universidade Nova e perito em mercado de capitais, fez análise que integrou a documentação do processo entregue à juíza de instrução do processo, segundo o qual o relatório usado pela CMVM, para acusar os ex-administradores do BCP de manipulação de mercado, "contém uma série de erros que influenciaram as suas conclusões". A correcção destes erros no documento elaborado pela instituição de Carlos Tavares e que sustenta as acusações contra Jardim Gonçalves e outros quatro ex-administradores do BCP permitiria entender que as transacções das off-shores não tiveram um efeito significativo na liquidez nem no preço das acções do banco e que face a estes dados, se pode concluir que não houve manipulação de mercados, Miguel Ferreira,aponta ainda que no período em estudo, "o valor das acções do BCP caiu cerca de 60%, um valor superior ao registado nas outras instituições do sector e que é mais um sinal de que as operações com recurso a off-shore, a existirem, não influenciaram o mercado".

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