Jane Addams, (Cedarville, 6 de setembro de 1860 — Chicago, 21 de maio de 1935) conhecida como 'a mãe do trabalho social', foi uma pioneira ativista, assistente social, socióloga, filósofa, feminista, pacifista e reformadora estadunidense, a segunda mulher a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Em 1889 co-fundou a Hull House junto de Ellen Gates Starr, que se tornaria uma das maiores instituições de abrigo a imigrantes e outras minorias do país. Em uma época em que os presidentes Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson se identificavam como reformistas e ativistas sociais, Jane Addams foi uma proeminente ativista e reformadora da chamada Era Progressista.
Ela ajudou os Estados Unidos a focar seus esforços em problemas ligados à maternidade (como as necessidades das crianças pequenas); questões de saúde pública e sua acessibilidade; e à paz mundial. Em seu ensaio “Utilization of Women in City Government”, Jane notou a conexão entre áreas do governo e a economia doméstica, declarando que muitos departamentos governamentais, tais como saneamento básico e educação infantil podiam ser claramente vinculados aos papéis tradicionais da mulher na esfera privada e no lar. Estes eram assuntos em que mulheres teriam mais conhecimento que os homens, portanto elas é quem deveriam opinar e ter suas ponderações levadas a sério.
Jane tornou-se um modelo para a mulher de classe média que se engajava por sua comunidade. Foi gradativamente reconhecida como membro da escola pragmática de filosofia, conhecida por muitos como a primeira mulher abertamente filósofa dos Estados Unidos. Em 1889 seria a co-fundadora da Hull House, e em 1920 co-fundadora da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). Em 1931, tornaria-se a primeira mulher dos Estados Unidos a receber um prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento ao seu trabalho social.
Em 1910 foi a primeira mulher a receber um doutorado honorário da Universidade Yale.
Nascida em Cedarville, em Illinois, em 1860, Jane era a mais nova de oito filhos, em uma próspera família de ancestralidade inglesa, que podia ser traçada até a era colonial da Nova Inglaterra. Três de seus irmãos morreram ainda na infância, outro morreu aos 16 anos, levando então quatro filhos à idade adulta. Sua mãe, Sarah Adams morreu quando Jane tinha apenas dois anos.
Jane passou a infância ao ar livre, lendo e indo à escola dominical. Aos quatro anos teve tuberculose vertebral, o chamado Mal de Pott, que causaria uma curvatura em sua coluna e uma vida de problemas de saúde. Isso a isolou de outras crianças, já que desenvolveu um desvio proeminente na parte superior da coluna que a impedia de correr. Jane achava-se feia quando criança e, para não envergonhar seu pai, vestia-se com suas melhores roupas no domingo para pode passear com ele.
O amor de Jane por seu pai, John Huy Addams, quando criança é conhecido e registrado em sua biografia Twenty Years at Hull House, publicada em 1910. John era um comerciante local de madeira, gado, bens agrícolas, farinha, tecidos de lã e moinhos. Foi presidente do Segundo Banco Nacional de Freeport e casou-se novamente em 1868, quando Jane tinha 8 anos de idade, com sua segunda esposa Anna Hostetter Haldeman, uma viúva de Freeport. Também foi fundador e membro do Partido Republicano de Illinois, tendo sido senador pelo estado de 1855 a 1870 e apoiado o amigo, Abraham Lincoln, em sua candidatura para senador, em 1854 e depois para a presidência, em 1860.
Aos dez anos, Jane tinha sonhos de fazer algo útil para o mundo. Interessada no bem-estar dos pobres, em especial por sua leitura de Charles Dickens e pela conhecida generosidade de sua mãe com os pobres em Cedarville, ela decidiu tornar-se médica, para poder viver entre a população carente. Era uma ideia vaga, ainda baseada na literatura de ficção, já que Jane era uma leitora voraz. Seu pai a encorajava a seguir para o ensino superior, desde que ficasse perto de casa. Jane estava ansiosa para ir para a faculdade para mulheres, Smith College, em Massachusetts, mas seu pai queria que ela estudasse no Rockford Female Seminary, hoje a Universidade Rockford, em Rockford, Illinois. Formando-se em 1881 em Rockford, em um curso de curta duração e membro da sororidade Phi Beta Kappa, ela esperava voltar para obter o bacharelado. No verão, porém, seu pai faleceu repentinamente de uma aguda apendicite e cada filho recebeu na época 50 mil dólares, hoje equivalente a 1,24 milhões de dólares.
No outono, a família Addams - sua irmã Alice e seu marido Harry, e sua madrasta, Anna Haldeman Addams, mudaram-se para a Filadélfia, onde os três irmãos pudessem cursar medicina. Harry já vinha praticando e estudando na Universidade da Pensilvânia. Jane e Alice fizeram seu primeiro ano no curso no Woman's Medical College of Philadelphia, mas os problemas de saúde de Jane, uma cirurgia na coluna e um colapso nervoso as impediram de colar grau. Sua madrasta também ficou doente e assim a família cancelou seus planos de ficar na Filadélfia por dois anos e todos retornaram para Cedarville.
No ano seguinte, seu cunhado Harry faria uma cirurgia em sua coluna, na esperança de tentar endireitá-la, aconselhando-a que não tentasse estudar, mas sim que viajasse. Em agosto de 1883, ela partiu por dois anos para Europa com sua madrasta, viajando por algum tempo com seus amigos e família, percebendo então que ela não precisava ser médica para poder ajudar a população carente. Jane retornou em junho de 1887, morando com sua madrasta em Cedarville e passando os invernos em Baltimore, e sentia grande insegurança com relação ao seu futuro e carreira, percebendo-se inútil perante o tradicional papel doméstico, normalmente atribuído às mulheres.
Jane se inspirava muito no que lia. Fascinada pelos antigos cristãos e pelo livro de Liev Tolstói, Minha Religião, ela se batizou na Igreja Presbiteriana de Cedarville, no verão de 1886. Ler Os Deveres do Homem, de Giuseppe Mazzini, a inspirou na ideia da democracia como um ideal social, mas ela ainda se sentia confusa em relação a seu papel como mulher. John Stuart Mill, em A Sujeição das Mulheres, a fez questionar a pressão social sobre a mulher para se casar e devotar-se exclusivamente à família.
No verão de 1887, Jane leu algo em uma revista que a fez a ter a ideia de criar uma casa de acolhida e quis visitar a primeira casa do tipo criada no mundo, a Toynbee Hall, em Londres. Junto de suas amigas, incluindo Ellen Gates Starr, elas viajaram para a Europa em dezembro de 1887 e ficaram até o verão de 1888. Depois de assistir à uma tourada em Madri, fascinada pelo que considerou uma tradição exótica, ela logo condenou sua fascinação e sua inabilidade de se sentir ultrajada pelo sofrimento de cavalos e touros. Jane não compartilhou com ninguém seu desejo de abrir uma casa de acolhimento, mas se sentiu culpada por não conseguir concretizar seu sonho. Acreditando que dividir um sonho era a melhor maneira de realizá-lo, ela contou para Ellen, que adorou a ideia e concordou em ajudar.
Visitando Toynbee Hall Jane ficou encantada. Ela descreveu:
Seu sonho era que as diferentes classes sociais poderiam atuar em benefício mútuo, assim como os antigos círculos cristãos, incorporados em um novo tipo de instituição. As casas eram espaços onde inesperadas conexões sociais poderiam ser feitas e onde divisões de classe, educação e cultura poderiam ser ultrapassadas, servindo como centros de arte comunitária e instalações de serviço social. Jane e suas amigas estabeleceram as fundações na sociedade civil norte-americana, criando um espaço neutro, onde diferentes comunidades e ideologias poderiam aprender umas com as outras e estabelecer um objetivo comum e uma ação coletiva. O papel dessa casa era acolher um esforço sem fim de fazer cultura e de fazer as coisas conjuntamente. Esforço sem fim já era a história de sua vida, um esforço para revigorar sua própria cultura ao se reconectar com a diversidade e os conflitos de outras comunidades imigrantes nas cidades dos Estados Unidos, e a necessidade de uma reforma social.