Jean Baptista van Helmont (Bruxelas, 12 de janeiro de 1580 — Vilvoorde, Flandres, 30 de dezembro de 1644) foi um médico, alquimista, e fisiologista belga.
Van Helmont era o mais novo de cinco filhos de Maria e Christiaen Helmont van Stassaert, um promotor público e membro do Conselho de Bruxelas, que havia se casado na igreja de Sint-Goedele em 1567. Foi educado na Universidade de Leuven, onde estudou Artes até 1594, mas não chegou a se graduar oficialmente nesta área. Após estudar e ler os trabalhos de Hipócrates, Galen e Avicenna, Helmont expressou grande desapontamento pela falta de informação útil que estes continham. Depois, variando inquieto de uma ciência para outra e sem encontrar satisfação em nenhuma, virou-se para a medicina. Interrompeu os seus estudos, e durante alguns anos ele viajou pela Suíça, Itália, França e Inglaterra.
Retornando ao seu próprio país, van Helmont obteve um diploma em medicina em 1599. Praticou em Antuérpia, no momento da grande peste em 1605. Em 1609 ele finalmente obteve seu doutorado. No mesmo ano ele se casou com Margaret van Ranst, que era de uma rica família nobre. Van Helmont e Margaret viveram em Vilvoorde, perto de Bruxelas, e tiveram seis ou sete filhos. A herança de sua esposa lhe permitiu aposentar mais cedo a partir de sua prática médica e ocupar-se com experimentos químicos, até à sua morte em 30 de dezembro de 1644.
Grande defensor da abiogênese (geração espontânea) e da hipótese de Aristóteles, que afirmava a existência de um "princípio ativo" (capacidade de originar seres vivos), Van Helmont acreditava que conseguiria formar um ser vivo por meio da matéria bruta.
Químico cético, se converteu a Alquimia após a visita insuspeita de um Adepto Hermético à sua residência, donde este último, cedeu a Helmont, um pequeno cisco da Pedra Filosofal, ensinando-lhe como transmutar grande quantidade de chumbo ou azougue em ouro puro. Posteriormente estudou Magia, e em um dos seus feitos compôs um amuleto contra a praga utilizando-se de sapos verminosos.
1621 - De magnetica vulnerum curatione. Disputatio, contra opinionem d. Ioan. Roberti (...) in brevi sua anatome sub censurae specie exaratam, Paris
1642 - Febrium doctrina inaudita, Antuérpia
1644 - Opuscula medica inaudit
1648 - Ortus medicinae, id est Initia physicae inaudita
van Helmont (1579–1644) foi um dos primeiros cientistas a estudar os gases de forma sistemática. Ele foi pioneiro ao reconhecer o gás como um terceiro estado de agregação da matéria, além dos já conhecidos sólido e líquido. Até então, os gases eram pouco compreendidos e muitas vezes confundidos com "vapores" ou "exalações". Helmont realizou experimentos para identificar e classificar diferentes tipos de gases, observando sua produção em processos como a combustão do carvão, fermentações, erupções vulcânicas e emanando de minas e fontes termais. Um de seus maiores legados foi o termo "gás", derivado da palavra grega "caos", usado por ele pela primeira vez para descrever essas substâncias invisíveis.
Seus estudos extensivos lhe renderam o título de “pai da química pneumática”, sendo um precursor direto de cientistas como Joseph Priestley e Antoine Lavoisier. Inclusive, aos 60 anos, Helmont descreveu uma experiência de quase-morte: ao estudar os gases gerados pela queima de carvão, ele acidentalmente se intoxicou, deixando registrado um relato sobre os efeitos nocivos da inalação desses gases.
Em seus estudos a respeito da matéria, Van Helmont já descrevia o que poderia acontecer na Natureza após a queima de carvão: ou seja, o gás proveniente da queima se elevaria pela atmosfera, até que encontrasse regiões muito frias; então, os "fermentos" que fazem parte do gás do carvão seriam destruídos e posteriormente retornariam o gás a sua condição de água. Dessa forma, nas regiões mais altas, não haveriam tantos "fermentos" em corrupção no ar.
Graças ao seu trabalho, a ciência começou a compreender melhor os fenômenos químicos envolvendo gases, abrindo caminho para o desenvolvimento da química moderna e da fisiologia respiratória.
Van Helmont apesar de ter contribuído muito a Química, o médico também fez aparições pela física na área do magnetismo, em que defendeu o Magnetismo animal como a dominação do fluido vital presente nos seres humanos.
Helmont foi seguidor de Paracelso (1493-1541) que defendia a ligação entre biologia e magnetismo, a harmonia entre o microcosmo individual e celestial para haver uma boa saúde e o poder que esse fluido poderia exercer sobre outros.
Seguindo as ideias de seu inspirador, Jan Baptista Van Helmont usou imãs para curar seus pacientes e afirmou ter conseguido êxito em seus tratamentos. Mesmo sendo católico, ele redigiu um tratado, De magnética vulnerum curatione (1621), em que defendia suas ideias sobre o magnetismo animal e fazia algumas explicações cientificas sobre passagens da bíblia.
Como alquimista, tomou o magnetismo animal como o que o levaria a dominar a Magia.
l Modernism, Physis: Rivista Internazionale di Storia della Scienza, vol.43, 2005, pp. 305–332.