James Madison (Port Conway, 16 de março de 1751– Montpelier, 28 de junho de 1836) foi um estadista, diplomata e pai fundador dos Estados Unidos. Ele ocupou o cargo de presidente dos EUA de 1809 a 1817. Madison é aclamado como o “Pai da Constituição” pelo seu papel fundamental na elaboração e promoção da Constituição dos Estados Unidos e da Declaração de Direitos dos EUA.
Madison nasceu em uma proeminente família de proprietários de escravizados na Virgínia. Ele foi membro da Câmara dos Delegados da Virgínia e do Congresso Continental, durante e após a Guerra de Independência Americana. Insatisfeito com o frágil governo nacional estabelecido pelos Artigos da Confederação, ajudou a organizar a Convenção Constitucional, que elaborou uma nova constituição destinada a fortalecer o governo republicano contra assembleias populares. O Plano da Virgínia, elaborado por Madison, foi a base para as deliberações da convenção, na qual Madison era uma voz influente. Ele tornou-se um dos líderes do movimento para ratificar a Constituição e juntou-se a Alexander Hamilton e John Jay na escrita de The Federalist Papers, uma série de ensaios pró-ratificação que se destaca até os dias de hoje entre os trabalhos de ciência política da história americana. Madison emergiu como um importante líder na Câmara dos Representantes e foi um conselheiro próximo do presidente George Washington.
Durante o início da década de 1790, Madison se opôs ao programa econômico e à centralização de poder que o acompanhava, promovidos pelo secretário do Tesouro, Hamilton. Ao lado de Thomas Jefferson, ele organizou o Partido Democrata-Republicano em oposição ao Partido Federalista de Hamilton. Depois que Jefferson foi eleito presidente em 1800, Madison ocupou o cargo Secretário de Estado de 1801 a 1809 e apoiou o presidente no caso Marbury v. Madison. Enquanto era Secretário, Jefferson realizou a Compra da Louisiana; e, mais tarde, como presidente, Madison supervisionou disputas relacionadas aos territórios do Noroeste.
Madison foi eleito presidente em 1808. Motivado pelo desejo de adquirir terras pertencentes à Grã-Bretanha, à Espanha e aos nativos americanos, e depois que protestos diplomáticos acompanhados de um embargo comercial não conseguiram acabar com as apreensões britânicas de mercadorias americanas comercializadas, ele liderou os Estados Unidos na Guerra de 1812. Embora tenha terminado de forma inconclusiva, muitos americanos a consideraram como uma bem-sucedida "segunda guerra de independência" contra a Grã-Bretanha. Madison foi reeleito em 1812, embora por margem menor. A guerra o convenceu da necessidade de um governo federal mais forte. Presidiu à criação do Segundo Banco dos Estados Unidos e à promulgação da Tarifa Dallas em 1816. Por tratado ou por meio de guerra, as tribos nativas americanas cederam 26 milhões de acres (11 milhões de hectares) de terras para os Estados Unidos durante a presidência de Madison.
Aposentando-se de cargos públicos ao final de sua presidência em 1817, Madison retornou para seu latifúndio, Montpelier, e morreu lá em 1836. Durante sua vida, foi proprietário de escravizados e libertou um deles em 1783, para evitar uma rebelião em sua propriedade. Ele não libertou nenhum escravizado em seu testamento. Entre os historiadores, Madison é considerado um dos mais importantes fundadores dos Estados Unidos. Os principais historiadores geralmente o classificam como um presidente acima da média, embora critiquem seu endosso à escravidão e sua liderança durante a Guerra de 1812. O nome de Madison é celebrado em muitos monumentos em todo o país, tanto públicos quanto privados, com exemplos de destaque incluindo o Madison Square Garden, a Universidade James Madison, o James Madison Memorial Building e o USS James Madison.
James Madison Jr. nasceu em 16 de março de 1751 (5 de março de 1750, estilo antigo), na propriedade Belle Grove, perto de Port Conway, na Colônia da Virgínia, filho de James Madison Sr. Sua família morava na Virgínia desde meados do século XVII. Seu avô materno, Francis Conway, era um importante agricultor e comerciante de tabaco. Seu pai, também um agricultor de tabaco, cresceu em uma plantação, então chamada de Mount Pleasant, que herdou ao atingir a idade adulta. Com cerca de 100 escravos e 5 000 acres (2 000 ha) de plantação, o pai de Madison estava entre os maiores proprietários de terras na região do Piemonte, na Virgínia.
No início da década de 1760, a família Madison mudou-se para uma casa recém-construída, que chamaram de Montpelier. James Madison era o mais velho de doze filhos, com sete irmãos e quatro irmãs, embora apenas seis tenham vivido até a idade adulta. Dos sobreviventes, três irmãos (Francis, Ambrose e William) e três irmãs (Nelly, Sarah e Frances), foi Ambrose que eventualmente ajudaria seu pai e seu irmão mais velho a administrar Montpelier, até sua morte em 1793. Primo de segundo grau de Madison, o presidente Zachary Taylor era descendente de William Brewster, um líder peregrino da Colônia de Plymouth, imigrante do Mayflower e signatário do Pacto do Mayflower; e de Isaac Allerton Jr., um comerciante colonial, coronel e filho de Isaac Allerton e Fear Brewster, peregrinos do Mayflower.
Dos 11 aos 16 anos, Madison estudou com Donald Robertson, um instrutor escocês que fora tutor para várias famílias de fazendeiros proeminentes no Sul. Ele estudou matemática, geografia e línguas modernas e clássicas, tornando-se excepcionalmente proficiente em latim. Aos 16 anos, voltou para Montpelier, onde estudou com o reverendo Thomas Martin com o intuito de preparar-se para a faculdade. Ao contrário da maioria dos virginianos que iam à universidade na sua época, Madison não frequentou o College of William and Mary, onde o clima das terras baixas de Williamsburg – considerado mais propenso a abrigar doenças infecciosas – pode tê-lo preocupado em relação à sua saúde. Em vez disso, em 1769, ele matriculou-se no College of New Jersey (mais tarde renomeado como Universidade de Princeton).
Seus estudos universitários incluíram latim, grego, teologia e obras do Iluminismo. Enfatizava-se tanto o discurso quanto o debate; Madison era um membro importante da American Whig-Cliosophic Society, que competia no campus com sua contraparte política, a Cliosophic Society. Durante seu tempo em Princeton, seu amigo mais próximo foi o futuro procurador-geral William Bradford. Junto com seu colega de classe Aaron Burr, Madison empreendeu um intenso programa de estudos e completou em dois anos o bacharelado que normalmente duraria três, graduando-se em 1771. Ele considerou entrar no clero ou exercer a advocacia, mas, em vez disso, decidiu permanecer em Princeton para estudar hebraico e filosofia política com o presidente da faculdade, John Witherspoon. Voltou para casa em Montpelier no início de 1772.
As ideias de Madison sobre filosofia e moralidade foram fortemente moldadas por Witherspoon, que o converteu à filosofia, aos valores e aos modos de pensar do iluminismo. O biógrafo Terence Ball escreveu que, em Princeton, Madison "estava imerso no liberalismo do iluminismo e convertido ao radicalismo político do século XVIII. A partir de então, as teorias de James Madison defenderiam os direitos à felicidade do homem, e seus esforços mais ativos serviriam devotadamente à causa da liberdade civil e política."
Depois de retornar a Montpelier, sem carreira escolhida, Madison foi tutor de seus irmãos mais novos. Madison começou a estudar direito, por meio de livros, em 1773, pedindo a seu amigo Bradford, um aprendiz de direito, que lhe enviasse um plano de estudos por escrito. Ele adquiriu um entendimento das publicações jurídicas em 1783. Madison se via como estudante de direito, mas não como advogado; ele não se tornou aprendiz e nunca adquiriu licença para advogar. Após a Guerra Revolucionária, ele passou um tempo em Montpelier, na Virgínia, estudando as antigas democracias do mundo em preparação para a Convenção Constitucional. Madison sofria de episódios de exaustão mental e de doenças associadas ao nervosismo, que muitas vezes causavam incapacidade temporária de curto prazo após períodos de estresse. No entanto, ele gozou de boa saúde física até seus últimos anos.