Jair Messias Bolsonaro GOMM (Glicério, 21 de março de 1955) é um militar reformado e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL). Foi o 38.º presidente do Brasil, de 1.º de janeiro de 2019 a 1.º de janeiro de 2023, tendo sido eleito pelo Partido Social Liberal (PSL) nas eleições de 2018. Anteriormente, foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 1991 e 2018, eleito por diversos partidos. Nasceu em Glicério, mas passou a adolescência em Eldorado, no interior de São Paulo. Começou sua carreira militar no município fluminense de Resende após formar-se na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1977. Serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo do Exército Brasileiro.
Tornou-se conhecido do público em 1986, quando escreveu um artigo para a revista Veja criticando os baixos salários dos militares, texto pelo qual foi preso. Em 1987, a mesma revista o acusou de planejar plantar bombas em unidades militares, crime militar pelo qual foi condenado em primeira instância, porém o Superior Tribunal Militar o absolveu no ano seguinte. Transferiu-se para a reserva em 1988 com o posto de capitão e concorreu à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo eleito vereador pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Em 1990, foi eleito deputado federal, cargo para o qual foi reeleito seis vezes. Durante 27 anos como congressista, ficou conhecido por seu conservadorismo social e por conflitos públicos, principalmente por ser um vocal opositor dos direitos LGBT e por declarações classificadas como discurso de ódio, que incluem a defesa das práticas de tortura e assassinatos cometidos pela ditadura militar brasileira, além de falas consideradas racistas. Tido como um político polarizador, seus pontos de vista e comentários, amplamente descritos como de extrema-direita e populistas, provocaram críticas e também atraíram apoiadores, gerando o movimento político conhecido como "bolsonarismo".
Sua campanha presidencial foi lançada pelo PSL em agosto de 2018, quando passou a se apresentar como um candidato antissistema, pró-mercado e defensor de valores familiares. Após disputar o segundo turno das eleições de 2018 com Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi eleito com 55,13% dos votos válidos. Seu governo se caracterizou por forte presença de ministros de formação militar, alinhamento internacional com a direita populista e por políticas antiambientais, anti-indigenistas e pró-armas. Em 2020, foi nomeado "pessoa do ano" pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project por se cercar de figuras corruptas, minar o sistema de justiça e enriquecer grandes proprietários de terras na região amazônica. Foi também responsável por um amplo desmonte das políticas e órgãos da cultura, da ciência e da educação, além de promover repetidos ataques às instituições democráticas e fazer maciça divulgação de notícias falsas. Apesar de a criminalidade e o desemprego terem seguido a tendência de queda vista desde o governo Michel Temer, a média de crescimento do PIB foi de cerca de 1,5% ao ano, a precarização do trabalho, a inflação e a fome aumentaram, enquanto a renda per capita, a desigualdade e a pobreza atingiram os piores níveis desde 2012.
Sua administração envolveu-se em uma série de controvérsias e vários dos ministros que haviam sido indicados originalmente deixaram seus cargos e criticaram o governo. A resposta de Bolsonaro à pandemia de COVID-19 no Brasil também foi reprovada em todo o espectro político e apontada como negacionista, depois que ele minimizou os efeitos da doença e defendeu tratamentos sem eficácia comprovada, além de ter desestimulado a vacinação, o uso de máscaras de proteção e as medidas de distanciamento social, posturas que contribuíram para até 400 mil mortes evitáveis e que foram consideradas um crime contra a humanidade pelo Tribunal Permanente dos Povos. Nas eleições de 2022, foi derrotado no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sendo o primeiro presidente do Brasil a não conseguir se reeleger desde a instituição da reeleição em 1997. Tornou-se inelegível após condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de crimes contra o patrimônio público e de esquemas de corrupção no Ministério de Educação. Em setembro de 2025, foi condenado a cerca de 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela tentativa de golpe de Estado que envolveu os atos golpistas após as eleições e culminou nos ataques de 8 de janeiro em Brasília. A pena começou a ser cumprida como prisão domiciliar em agosto de 2025, mas foi convertida em prisão preventiva em novembro do mesmo ano após Bolsonaro tentar violar a tornozeleira eletrônica. No mesmo mês, a pena definitiva começou a ser cumprida na sede da PF em Brasília. Em janeiro de 2026, foi transferido para a Papudinha, batalhão de tratamento especial do Complexo Penitenciário da Papuda.
Segundo relatos familiares, Jair Bolsonaro nasceu em Glicério, um pequeno município no noroeste do estado de São Paulo, e foi registrado dez meses depois, no dia 1.º de fevereiro de 1956, na cidade de Campinas, onde morava grande parte de sua família, composta por imigrantes italianos e alemães. Em seu registro de nascimento, todavia, a sua naturalidade consta como sendo Campinas.
O nome Jair foi escolhido após sugestão de um vizinho, em homenagem a Jair Rosa Pinto, meia-esquerda da Seleção Brasileira de Futebol que fazia aniversário naquele dia e jogava no Palmeiras, time pelo qual Percy Geraldo Bolsonaro, o pai, torcia. Inicialmente, chamar-se-ia apenas Messias Bolsonaro porque sua mãe, Olinda Bonturi (28 de março de 1927 – 21 de janeiro de 2022), após uma gravidez complicada, atribuía a Deus o milagre do nascimento do filho.
Em sua infância, morou em diversas cidades do estado de São Paulo. Nos primeiros anos de vida, sua família mudou-se para Ribeira. Após alguns anos, em 1964, a família mudou-se para Jundiaí nos bairros de Vianelo e Vila Progresso. Em 1965, mudaram-se para Sete Barras. Finalmente, em 1966, mudaram-se para Eldorado, no Vale do Ribeira, onde Jair cresceu com seus cinco irmãos. Completou o ensino médio no Científico Estadual de Eldorado Paulista.
É o terceiro entre os irmãos — três meninos e três meninas. Ele caçava passarinhos com espingarda de chumbinho e ganhava dinheiro com a pesca e a extração de palmito silvestre. Os amigos de Bolsonaro o apelidaram Palmito, mas com o tempo ele se tornou somente "Mito". Seu apelido não tem nada a ver com feitos heroicos do passado.
Bolsonaro diz que se interessou pelo Exército aos quinze anos, quando ele e amigos supostamente teriam fornecido dicas para os militares sobre possíveis esconderijos de Carlos Lamarca, que havia montado um campo em Vale do Ribeira para treinar guerrilheiros contra a ditadura militar.
Aos dezessete anos, Bolsonaro entrou para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Porém, após refletir, chegou à conclusão de que deveria ter prestado concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Então, no final de 1973, após alguns meses na EsPCEx, prestou o concurso e foi aprovado. Formou-se em 1977.
No final de seu último ano de academia, integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, onde se especializou em paraquedismo. Após concluir o curso, foi servir como Aspirante a Oficial no 21.º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro. Depois, serviu no 9.º GAC em Nioaque, Mato Grosso do Sul, de 1979 a 1981. Nesse último ano, nasce seu primeiro filho, Flávio. No ano seguinte, 1982, cursou a Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx) e nasce seu segundo filho, Carlos.
Após ter se formado na escola, foi servir no 8.º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista em Deodoro, bairro do Rio de Janeiro. Foi um dos tenentes responsáveis pela avaliação física dos soldados que concorriam para o curso de paraquedismo. Em 1987, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).
Documentos produzidos pelo Exército Brasileiro na década de 1980 mostram que os superiores de Bolsonaro o avaliaram como dono de uma "excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente". Segundo o superior de Bolsonaro na época, o coronel Carlos Alfredo Pellegrino, Bolsonaro "tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos".