Jaguariaíva é um município brasileiro localizado na região dos Campos Gerais do estado do Paraná, Brasil. Segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o município possui 35 141 habitantes.
De origem Tupi-Guarani "Tyaguariahibá": Rio da onça brava. Esta denominação é referência ao Rio Jaguariaíva, que corta o município e que consta em antigos mapas cartográficos. Jaguar = onça, tigre, felinos; I = rio, água; ahiva = bravo, brava, ruim, arisca. São várias interpretações das palavras Tupi-Guarani quando é traduzida para a língua portuguesa, mas a pronúncia clássica que mais se encaixa na realidade de nosso léxico é jaguariahiva = rio da onça brava. O Rio que banha seu território foi batizado pelos povos da floresta que ali viviam e quando os bandeirantes paulistas (vicentinos) adentraram essas plagas remotas e estabeleceram contatos com os primitivos habitantes tiveram conhecimento do nome deste Rio e, tão logo, passou constar dos mapas da capitania de São Vicente. Mais tarde com com o surgimento de um povoado situado a margem esquerda, no lugar conhecido como Porto Velho, o Rio veio emprestar seu nome para o novo povoado.
Em sentido diverso, existe outras interpretação etimológica possível para o nome da cidade, também a partir da língua tupi: "rio ruim das onças", a partir da junção dos termos îagûara (onça), 'y (rio, água) e aíba (ruim).
A história de Jaguariaíva tem seus primórdios calcados a partir do início do século XVII. Nesta época bandeirantes preavam índios e posteriormente tropeiros cruzaram o território pelo histórico Caminho de Sorocaba.
A extensa região dos Campos Gerais era largamente habitada por povos indígenas da nação Caingangue, chamados Coroados pelos paulistas. Segundo Saint-Hilaire "...os paulistas dão aos bugres vizinhos de Jaguariaíva o nome de Coroados porque, dizem eles, esses selvagens têm o hábito de fazer no meio da cabeça uma tonsura a que, em português se chama coroa e que, além dos Coroados havia outras tribos na vizinhança de Jaguariaíva".
O histórico Caminho de Sorocaba gerou inúmeras cidades, das quais muitas conservam a denominação dada pelos antigos vaqueiros e tropeiros. O surgimento dessas povoações decorria da necessidade de pousos para abrigo das tropas. No ponto em que atravessava o Rio Tyaguariahiba, nos Campos Gerais, estabeleceu-se uma estação de pouso, dando origem ao atual município.
Jaguariaíva foi povoada por famílias vindas dos Campos de Curitiba e por paulistas. A partir do século XVIII, a história registra o requerimento de inúmeras sesmarias à Capitania de São Paulo, tais como a de João Leite Penteado, sargento-mor, em 19 de junho de 1726, de Manoel Gonçalves de Águia, sargento-mor, 4 de julho de 1726, de Antonio Pereira Barbalho, em 6 de julho de 1728, de Matheus Correa Leme, em 16 de junho de 1728, de Francisco Xavier de Salles, em 4 de novembro de 1738 e o caso do capitão Bartolomeu Paes de Abreu, que em 1726 requereu o registro de uma Carta de Data na qual havia solicitado extensa área de terras no 1704, entre os rios Tyaguaricatu e Jaguariahiba, nos campos chamados Boa Vista e da qual em 1719 tomara possa oficial.
Um dos nomes mais importantes para a história regional foi o do coronel Luciano Carneiro Lobo, filho do português Francisco Carneiro Lobo e de dona Quitéria Maria da Rocha. Em 1778 casou-se com dona Francisca de Sá, com quem teve oito filhos. O coronel Carneiro Lobo adquiriu em 1795 a fazenda Jaguariaíva do tenente Manoel Pacheco Catto, sua esposa Maria Custódia R. Leite e do alferes Francisco de Salles Britto.
Em 10 de abril de 1806, o coronel Carneiro Lobo ficou viúvo e fixou residência na fazenda Jaguariaíva. No ano de 1810, o coronel se casa em segundas núpcias com Izabel Branco e Silva, filha de um grande amigo, o ex-Ouvidor e Corregedor de Paranaguá, dr. Manoel Lopes Branco e Silva. O coronel Carneiro Lobo conheceu a glória política, chegando a ocupar lugar de honra na Corte, recebendo convites para festas e sendo condecorado com a patente de Coronel de Milícias, um alto posto.
Investido de notável prestígio, o casal tinha o pensamento voltado para o fortalecimento político, econômico e social de Jaguariaíva. Neste contexto, foi construída uma ponte sobre o Rio Itararé, obra autorizada por Lucas de Andrade Monteiro Barros, presidente da Província de São Paulo. Em 15 de setembro de 1823 um Alvará Imperial eleva a fazenda Jaguariaíva à categoria de Freguesia e, no ano de 1828, liderados por dona Izabel e o coronel Lobo, a comunidade solicitou licença para a construção de uma capela, sob a invocação do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, prontamente concedida por dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, Bispo de São Paulo. Em 12 de maio de 1842, morre o coronel Luciano Carneiro Lobo, sem ver a capela construída. dona Izabel, mulher desprendida de vaidades e muito religiosa, dedicou-se à sua cidade, e construiu a capela no ano de 1863. Em 1866, doou por esmola ao Senhor Bom Jesus da Pedra Fria uma grande área de terras da hoje cidade de Jaguariaíva. Por ocasião da Guerra do Paraguai forneceu gado para o abastecimento das forças regionais e até da Guarda Nacional, tudo de forma gratuita. Dona Izabel, figura notável, morreu em 17 de agosto de 1870 e foi sepultada no subsolo do santuário.
Francisco Xavier da Silva, português de nascimento, é outro grande nome da historiografia regional, foi proprietário da fazenda Caxambu e grande povoador da região. Faleceu em 1829 deixando considerável fortuna para seus descendentes ilustres como seu neto, o advogado Francisco Xavier da Silva, que governou o Paraná de 1892 a 1896. De 1900 a 1904 e de 1908 a 1912. Famílias ilustres deram continuidade ao progresso e contribuíram para a história do lugar, dentre as quais destacam-se as de Ferreira de Almeida, Mello, Fonseca, Ribas, Cunha, Sampaio, Pessa, Biscaia e Marques.
A Lei Provincial 423, de 24 de abril de 1875, eleva Jaguariaíva à categoria de vila, desmembrada de Castro, e a nível de cidade em 5 de maio de 1908, através da Lei 811.
O município localizado na região dos Campos Gerais, no segundo planalto paranaense, ocupa uma área 1 453 km², representando 0,7645% da área do estado, 0,2704% da região Sul e 0,0179% de todo o território brasileiro.
Em 2010, a população de Jaguariaíva foi contada no censo demográfico do IBGE em 32 606 habitantes, sendo 28 041 habitantes na área urbana e 4 565 habitantes na área rural. Segundo o censo daquele ano, 16 092 habitantes eram homens e 16 514 mulheres. Apresentou 86% de taxa de urbanização e a densidade demográfica municipal, em 2010, atingiu um valor médio de 24,08 habitantes por quilômetro quadrado. Sua população, conforme estimativas do IBGE, em 2019, era de 34 857 habitantes, estando entre os 50 municípios mais populosos do Paraná, dos 399.
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população residente no município era composta por 22 683 brancos (69,57%); 8 682 pardos (26,63%); 1 000 pretos (3,07%); 203 amarelos (0,62%); 37 indígenas (0,11%) declarados. Ainda em 2010, 32 529 habitantes eram brasileiros natos (99,76%) e 54 naturalizados brasileiros (0,17%), e 23 eram estrangeiros (0,07%).
De acordo com o Censo 2010 do IBGE existe diversas comunidades religiosas no município, predominantemente cristãs. Entre a população residente em 2010 o censo mostrou 18 162 pessoas que declararam-se católicas apostólica romana, 11 pessoas que declararam-se católicas ortodoxa, 11 862 pessoas que declararam-se evangélicas e 93 pessoas que declararam-se espíritas., Ainda mostrou 167 Testemunhas de Jeová, 169 pessoas com religião não determinada e múltiplo pertencimento, 46 pessoas que declararam ter religião oriental e 94 de outras religiosidades. Além de 1 981 pessoas que declararam não ter religião, 23 que não sabiam e nenhuma pessoa declarou ter religião de tradições indígenas. Dentre as instituições religiosas destacam-se a Igreja Católica Apostólica Romana, Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo, Igreja Presbiteriana do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Igreja Pentecostal Deus é Amor, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Batista, Igreja Luterana, entre outras instituições menores. Em relação a Igreja Católica Apostólica Romana no município de Jaguariaíva, ela está organizada em três paróquias: Paróquia Santuário Diocesano Senhor Bom Jesus da Pedra Fria; Paróquia São Francisco de Assis e Sta.Terezinha; e Paróquia Nossa Senhora das Graças.