Jaguari é um município do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil.
O nome Jaguari deriva de Jaguar-Y, Jaguar é a onça pintada, que vivia em grande número ali, e Y é a palavra correspondente em guarani a rio, logo, Jaguari significa Rio do Jaguar. Os espanhóis conheciam a região como "Monte Grande". "Monte" em espanhol equivale a "mato", então seria algo como "mato grande" ou "floresta expeça", já que até o início da colonização a região era coberta por densas florestas.
Por voltado século XVII a região do atual Jaguari integrava a região do Tape (que significa "povoação grande"), habitado principalmente por Índios Guaranis que viviam do cultivo de mandioca, milho, e outros grãos, que foram descritos pelo Capitão José de Saldanha assim: "Os Tapes tem as ventas dos narizes grandes e como inchadas, as faces altas e cheias, os cabelos somente no extremo da barba, e no beiço superior. Não são de estatura muito alta, e as mulheres quase do mesmo tamanho que eles, e maiores que os Minuanos."
O Tape não recebeu o trabalho dos jesuítas até pelo menos 1626. Em março do mesmo ano, o padre Roque González de Santa Cruz percorreu o Rio Ibicuí até chegar próximo à foz do Rio Jaguari. Naquele local ele encontrou a aldeia do poderoso Cacique Tabacã, onde foi bem recebido pelos locais. Ali ele ergueu uma alta cruz e uma capela de pau a pique, dedicada a Nossa Senhora da Candelária, mas que não durou muito, já que o padre foi nomeado superior das missões da bacia do Uruguai.
Nunca se esqueceu daqueles índios, e em maio daquele ano voltou para lá, mas tanto a cruz como a capela haviam sido destruídas e Roque fundou uma nova Candelária em Itaiacecó (a localização desta é incerta, mas seria aproximadamente onde atualmente se localiza a cidade de São Martinho da Serra). Não conseguiu sucesso ali também, e ficou sabendo que alguns índios tramavam assalta-lo, subiu até o Rio Piratinim, onde fundou a redução de São Nicolau, a primeira dos Sete Povos das Missões.
As ações no Tape só voltaram em 1632, ano da fundação de São Tomé. Comandados pelo Padre Pedro Romero, o superior das reduções do Uruguai, os padres Nöel Bertot e Luís Ernot se encontraram com Cristóvão de Mendoza e Paulo Benavidez, que vinham das Missões, das terras do cacique Guaimica, um povoado de 400 habitantes. Assim foi fundado a 13 de junho de 1632 a redução de São Tomé, a primeira a vingar na bacia do Rio Ibicuí e no Tapes.
São Tomé: No primeiro ano de existência da redução, havia aproximadamente 400 pessoas vivendo ali, a maioria indígenas, e conforme relata o Padre Bertot, cresceu para 1.400 pessoas, mais famílias iam chegando para ali, com 900 crianças já na escola. Os padres Bertot e Ernot seguiam como responsáveis da redução, já quase um povoado, tendo batizado mais de 3.000 pessoas ali.
Antes mesmo de completar 2 anos de existência, a redução já contava com 1.800 habitantes. 70 casamentos haviam sido realizados, e aos poucos os indígenas iam abandonando a poligamia para terem apenas uma esposa. É referido pelo padre Bertot também um índio, cacique, que desejava ser batizado com o nome de Roque, em homenagem a Roque González. Os padres também criaram uma orquestra para os indígenas, dentre os quais, um foi selecionado maestro por seu talento.
O padre também conta em seus relatos de uma "peste" que levou 770 crianças e 160 adultos à morte. Também houve duas invasões de jaguares, muito comuns no local, que atacavam e matavam dezenas de habitantes, fazendo com que muitos voltassem as práticas pagãs.
Haviam também outras três reduções nas bacia do Ibicuí, importantes para entender Jaguari:
São Miguel: São Miguel foi por muito tempo considerada fundada também nas margens do Rio Jaguari, mas sabe-se que se localizava a 13 léguas (aproximadamente 68 km) de São Tomé, longe do povoado, na localidade de Itaiacecó, perto da redução de Candelária (a segunda, citada acima) que antigamente se localizava em Jaguari, e talvez dai vem a confusão.
Alguns dias após a fundação de São Tomé, os padres Romero, Mendoza e Benavidez partiram dali para, segundo o pesquisador Aurélio Porto, a margem esquerda do Rio Ibicuí. O lugar era uma grande aldeia de umas 5.000 pessoas, "gente dócil e de boa condição, prontos para receber a semente do evangelho". Foi construída uma igreja de pau a pique. O cacique principal da redução era Guaimica. O padre Cristóvão de Mendonza foi designado para outros trabalhos no Tapes após um tempo e foi substituído pelo padre Paulo Benavidez e depois pelo padre Manuel Bertot.
São José: Fundada a aproximadamente sete léguas (34 km) de São Tomé, no caminho para São Miguel, entre o Rio Toropi e o Jaguari alguns meses depois de São Tomé. Como não haviam padres, os padres Luiz Ernot e Nöel Bertot se revezavam. Construíram uma igreja e casa, e iam alternativamente a cada mês batizar as crianças ou tratar os doentes.
Os índios já estavam cansados daquela situação, que durava um ano já. Decidiram então enviar seus caciques para falar com o superior, que estava viajando pela região, com o objetivo de exigir um padre responsável. Quando estavam na viagem, encontraram o padre José Cataldino, que já havia sido designado para a redução. Haviam 350 famílias vivendo na redução, havia uma igreja e também já estava sendo construída uma casa do Padre. Também havia um curral para vacas, que se esperava receber e algumas sementeiras.
O padre Bertot conta que os índios aceitavam bem o cristianismo contando que "tocando o sino, saiam logo de suas casas para entrar na igreja, e era tal a pressa a que alguns se davam que deixavam os seus companheiros e saiam correndo, e entres outros um menino quis correr com tal ímpeto que, tropeçando, na carreira, caiu e feriu-se gravemente, do que veio a morrer.". Após um ano de existência haviam 600 famílias onde as crianças começavam a ler, cantar e dançar.
São Cosme: Fundada à margem direita do Rio Ibicuí em 24 de janeiro de 1634, próximo de São Martinho. O responsável era o padre Adriano Formoso, conhecido como Crespo, que havia reunido 1.000 famílias no início, e em 1637 aumentava para 2.200. A redução sofreu com peste e fome, e os índios voltaram a acreditar nos "Aipicarés", feiticeiros locais, e fugiram dali. Abandonado, o padre Crespo continuou ali cuidando das lavouras, na esperança de que quando os índios voltassem, não sentissem fome.
Aproximadamente em 1638, 600 pessoas chegaram em São Tomé vindas de São José, buscando refúgio dos "mamelucos", como eram chamados os Bandeirantes. A partir daí se criou o boato de que os cristãos foram derrotados e os mamelucos estavam chegando para invadir São Tomé também. Criou-se um pânico geral. Começaram a carregar canoas com tudo o que conseguiam e fugiram dali sob o comando do cura da redução, padre Bertônio, queimando quase tudo ali para não deixar refúgio aos Bandeirantes. Os habitantes chegaram até o outro lado do Ibicuí e fundaram uma nova redução, também chamada São Tomé, que originou a cidade argentina de Santo Tomé.
Também em 1638 chegou a São Miguel o padre Orégio, vindo da redução de Santa Ana, perto de Cachoeira. Vinha fugindo dos mamelucos também e estava a caminho do Rio Uruguai, mas acabou se perdendo dos outros na floresta por alguns dias. Os habitantes de São Miguel migraram para o outro lado do Uruguai, em Conceição, na atual Argentina, voltando só em 1687, onde fundaram a nova São Miguel.