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Jacques Cartier

Jacques Cartier (Saint-Malo, provavelmente 1491 – Saint-Malo, 1 de setembro de 1557) foi um navegador e explorador franc

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Jacques Cartier (Saint-Malo, provavelmente 1491 – Saint-Malo, 1 de setembro de 1557) foi um navegador e explorador francês natural da Bretanha. A serviço do rei Francisco I de França, comandou três expedições ao nordeste da América do Norte entre 1534 e 1542, cartografou partes do golfo de São Lourenço e se tornou o primeiro europeu de que há registro a explorar o rio São Lourenço. Suas viagens forneceram à Coroa francesa conhecimento geográfico e uma base para reivindicar terras que mais tarde fariam parte da Nova França.

Na primeira viagem, Cartier percorreu o golfo, encontrou comunidades mi'kmaq e iroquesas do São Lourenço e ergueu em Gaspé uma cruz com a qual reivindicou o território para o rei da França. Na segunda, subiu o São Lourenço até o local da atual Montreal e passou o inverno perto da atual cidade de Quebec. Os contatos incluíram trocas e auxílio durante uma doença que atingiu a tripulação, mas Cartier também capturou habitantes da região e os levou para a França.

A terceira expedição tentou estabelecer um povoado francês permanente perto da atual cidade de Quebec, mas o projeto enfrentou conflitos, doenças e um inverno rigoroso; Cartier retornou à França em 1542, e os últimos colonos deixaram o assentamento no ano seguinte. Embora não tenham encontrado uma passagem fluvial para a Ásia nem criado uma colônia duradoura, as três viagens abriram aos navegadores franceses uma rota documentada para o interior do continente.

O nome "Canadá", registrado nos relatos das viagens, provavelmente deriva da palavra iroquesa do São Lourenço kanata, "aldeia" ou "povoado", enquanto o nome dado por Cartier ao mont Royal originou o topônimo Montreal. Nenhum mapa ou retrato contemporâneo de Cartier chegou aos nossos dias, mas sua vida e suas expedições são lembradas em monumentos, obras de arte e nomes de lugares no Canadá e na França.

Cartier nasceu em Saint-Malo, provavelmente entre 7 de junho e 23 de dezembro de 1491. Nenhum registro de batismo foi encontrado, e a estimativa parte das idades que declarou em documentos posteriores. O Dictionary of Canadian Biography data seu casamento com Catherine Des Granches, filha do condestável da cidade, em 1519. A Parks Canada o situa em 1520. Não se conhecem filhos do casal. Seu nome aparece em mais de vinte registros de batismo de Saint-Malo como padrinho ou testemunha.

Em 1534, dois anos depois da união formal do Ducado da Bretanha à Coroa francesa pelo Édito de União, Jean Le Veneur, bispo de Saint-Malo e abade do Monte Saint-Michel, recomendou Cartier ao rei Francisco I de França. Uma tradição local situa a apresentação no Manoir de Brion, mas as fontes biográficas usadas aqui não documentam o lugar do encontro. O rei já havia convidado o florentino Giovanni da Verrazzano, embora sem lhe dar uma comissão formal, a explorar em nome da França a costa leste da América do Norte em 1524. Le Veneur citou viagens anteriores a Terra Nova e ao Brasil como prova da experiência náutica de Cartier.

Quando Cartier recebeu a comissão real, a colonização espanhola já havia começado no Caribe. Em 1521, forças espanholas e aliadas indígenas sob Hernán Cortés tomaram Tenochtitlán. Nos Andes, Francisco Pizarro capturou o governante inca Atahualpa em 1532 e ocupou Cuzco em 1533.

Cartier partiu em 20 de abril de 1534, sob uma comissão real para procurar uma passagem ocidental para os mercados das Índias Orientais e descobrir terras onde, segundo a comissão, se dizia haver ouro e outras riquezas. Os dois navios levavam 61 homens, e a travessia do oceano durou vinte dias.

A partir de 10 de maio de 1534, a expedição percorreu trechos de Terra Nova, o estreito de Belle Isle, a margem sul da Península do Labrador, as costas de Gaspé e do norte de Novo Brunswick no golfo de São Lourenço, além de partes das principais ilhas do golfo, entre elas a Ilha do Príncipe Eduardo, a Ilha Anticosti e as Ilhas da Madalena. Durante uma parada nas Îles aux Oiseaux, as atuais Rochers-aux-Oiseaux, santuário federal de aves a nordeste da ilha Brion, o relato afirma que a tripulação matou mais de mil aves marinhas. O texto distingue aves chamadas godez e apponatz, estas identificadas como alcas-gigantes, espécie extinta no século XIX. Os dois primeiros encontros de Cartier com povos indígenas no lado norte da baía de Chaleurs foram com grupos mi'kmaq, duraram pouco e incluíram trocas comerciais.

O terceiro encontro ocorreu na baía de Gaspé com um grupo de iroqueses do São Lourenço. Em 24 de julho de 1534, Cartier ergueu uma cruz de cerca de nove metros e reivindicou as terras para a França. A cruz trazia as armas francesas e as palavras "Viva o rei da França". O relato registra o protesto do líder do grupo, que apontou para as terras ao redor, mas não lhe dá um nome. Marcel Trudel identifica o homem como Donnacona. Cartier reteve Domagaya e Taignoagny a bordo e os levou para a França. A Parks Canada chama o episódio de captura, enquanto o Museu Canadense de História diz que Cartier os convenceu a acompanhá-lo. A narrativa da expedição afirma que os franceses atraíram os dois a bordo e os retiveram. Depois, diz que o líder aceitou a viagem após receber presentes e a promessa de que os jovens retornariam com mercadorias europeias. Trudel chama os dois homens de filhos de Donnacona. Eles disseram que a região de Gaspé se chamava Honguedo. Cartier retornou a Saint-Malo em 5 de setembro de 1534. Ainda tratava as entradas do golfo como possíveis caminhos para uma passagem à Ásia, questão que procuraria resolver na viagem seguinte.

Cartier iniciou a segunda viagem em 19 de maio de 1535, com três navios, 110 homens e os dois iroqueses levados a bordo no ano anterior. Ao alcançar o São Lourenço, subiu o rio pela primeira vez e chegou a Stadacona, governada por Donnacona. A reivindicação francesa de 1534 não levou a um povoado permanente. Depois do abandono de Charlesbourg-Royal e France-Roy em 1543, novas tentativas começaram no fim do século XVI. O marquês de La Roche deixou colonos na Ilha de Sable em 1598, e Pierre de Chauvin ergueu um posto de comércio em Tadoussac em 1600. Nenhum dos dois se manteve. Pierre Dugua de Mons e Samuel de Champlain passaram o inverno de 1604-1605 na Ilha Saint Croix e construíram Port-Royal em 1605. Sob o patrocínio de Dugua, Champlain fundou Quebec em 1608, que se tornou a base duradoura da presença francesa no São Lourenço.

Cartier deixou os navios maiores em um porto perto de Stadacona e seguiu no Émérillon até o Lago Saint-Pierre. Dali, avançou em embarcações menores até Hochelaga, onde chegou em 2 de outubro de 1535. No relato, Hochelaga é uma aldeia maior e mais bem cuidada que Stadacona, e mais de mil pessoas teriam ido à margem do rio receber os franceses. O Museu Canadense de História estima que quase 2 mil pessoas viviam no lugar, número aproximado e não resultado de uma contagem da população. As corredeiras impediram o avanço da expedição. Cartier deu à elevação próxima o nome de mont Royal, do qual deriva o topônimo Montreal.

Cartier investigava o rio como uma possível rota para a Ásia e planejava examinar de novo as corredeiras. O nome Lachine, da palavra francesa para China, La Chine, surgiu mais de um século depois. A explicação histórica adotada pela cidade de Montreal e pela Parks Canada atribui o topônimo à alcunha dada em tom de troça ao lugar de onde René-Robert Cavelier de La Salle partiu em 1669, também à procura de uma rota para a China. A denominação passou depois às corredeiras de Lachine. Depois de passar dois dias entre os habitantes de Hochelaga, voltou a Stadacona em 11 de outubro de 1535.

Cartier instalou os navios para o inverno na confluência dos rios Lairet e Saint-Charles, perto de Stadacona. O porto natural oferecia abrigo contra o vento e as marés, e os dois navios maiores ficaram ancorados ali. Quando Cartier voltou de Hochelaga, encontrou um fortim construído ao redor das embarcações. Durante o inverno, os navios serviram de abrigo, e a tripulação se alimentou sobretudo de carne seca e salgada, sem frutas nem verduras frescas.

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