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Jöns Jacob Berzelius

Químico sueco (1779-1848)

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Jöns Jacob Berzelius, mais conhecido como Jacob Berzelius (Väfversunda, Östergötland, 20 de agosto de 1779 — Estocolmo, 7 de agosto de 1848), foi um químico e investigador científico sueco, com o epíteto de "O pai da química sueca".

Foi um dos fundadores da química moderna, formulando alguns dos seus conceitos fundamentais. Estudou medicina na Universidade de Uppsala e foi professor de medicina, farmácia e botânica no Instituto Karolinska de Estocolmo. Num período de dez anos estudou em torno de dois mil compostos químicos, descrevendo vários elementos químicos até então desconhecidos: o cério (1803), o selénio (1817) e o tório (1828). Entre muitos outros elementos, isolou pela primeira vez o silício (1823), o zircónio (1824) e o titânio (1825). Deve-se a Berzelius a estruturação da actual notação química e a introdução dos conceitos de isomeria, halogénios, ação catalítica e radical orgânico, o que faz dele, a par de John Dalton, Antoine Lavoisier e Robert Boyle, um dos fundadores da Química moderna.

Jöns Jacob Berzelius nasceu numa pequena aldeia sueca da região de Östergötland, filho de um pastor luterano que além das suas funções clericais era director da escola primária de Linköping, então a capital da província. O pai faleceu quando ele tinha apenas 4 anos de idade e pouco depois a sua mãe casou com um viúvo de nome Anders Ekmarck, alemão e também pastor luterano, o que trouxe alguma estabilidade à vida do jovem.

Essa estabilidade foi interrompida pela morte da mãe e pelo posterior terceiro casamento do padrasto, o que implicou a passagem da tutela de Jöns para um seu tio materno. A partir de então viveu com vários parentes, mas sendo a família de ascendência camponesa, a sua infância e adolescência foram marcados pela pobreza. Ainda assim, e apesar do infortúnio que o deixara órfão, em 1797 conseguiu completar com êxito os seus estudos preparatórios e passar no exame que lhe permitiu a admissão ao curso de Medicina da Universidade de Upsala.

As dificuldades financeiras fizeram-no interromper os estudos no ano imediato, retomando-os logo no ano seguinte, após ter conseguido uma modesta bolsa de estudo. Foi por esta época que teve o primeiro contacto com a química, através da leitura de uma obra de Christoph Girtanner (1760-1800), o tratado intitulado Anfangsgründe der antiphlogistischen Chemie (Fundamentos da Química Antiflogística), o primeiro livro em língua alemã a adoptar o sistema de Antoine Lavoisier. A partir da leitura daquela obra, Berzelius aceitou as ideias de Lavoisier, que postulavam que as espécies químicas não se constituem a partir dos quatro elementos primordiais (água, fogo, terra e ar) e ganhou um grande interesse pela química experimental, considerando a descoberta e o isolamento dos elementos constituintes da matéria, os simples, uma tarefa primordial.

Este interesse pela química experimental levou-o a procurar um dos seus ex-professores, Johan Afzelius, que mais tarde seria orientador de doutoramento, a quem solicitou acesso ao laboratório da Universidade para verificar experimentalmente a validade dos novos conceitos defendidos por Lavoisier. Pouco seguro dos conhecimentos químicos de Berzelius, o professor recusou-lhe o acesso. Não se deixando desencorajar, Berzelius alugou então um pequeno quarto em Uppsala, nas proximidades da Universidade, sem janelas mas com lareira, onde improvisou um laboratório.

Passou então a realizar as suas experiências químicas ao mesmo tempo que prosseguia os seus estudos, tendo-se formado em Medicina em 1799, apresentando uma tese de final de curso sobre a determinação do resíduo fixo em águas minerais. Prosseguiu os seus estudos de Medicina na Universidade de Uppsala, onde se doutorou em Medicina em 1802, apresentando uma dissertação sobe a aplicação de pilha desenvolvida por Alessandro Volta ao corpo humano.

Depois de um período de esgotamento nervoso que o levou a interromper os seus trabalhos, reiniciou as suas experiências, concentrando-se no estudo dos fenómenos electroquímicos e na área da química analítica, áreas que seriam o esteio da sua carreira científica. A sua entrada nos círculos científicos foi difícil, já que as suas ideias antiflogísticas não encontravam favor entre os químicos da época. A sua primeira tentativa de apresentar um trabalho na Academia Real das Ciências da Suécia (Kungliga Vetenskapsakademien) acabou na rejeição do manuscrito, onde descrevia as suas experiências com o óxido nitroso, alegadamente por seguir a nomenclatura antiflogística de Lavoisier.Fixou-se então em Estocolmo, onde dava lições privadas de Química, actividade que se revelou financeiramente inviável. Procurou então aplicar os seus conhecimentos de química na área industrial, fundando um Instituto de Águas Minerais Artificiais, em colaboração com um médico, e uma fábrica de ácido acético, em sociedade com um comerciante. Ambos os negócios falharam e Berzelius passou a década seguinte a saldar os empréstimos que contraíra.

Os seus problemas financeiros levaram-no a associar-se a Wilhelm Hisinger (1766-1852), um rico proprietário de minas e químico amador com um grande interesse no estudo da electricidade e da electroquímica. Com o suporte de Hisinger, Berzelius dedicou-se então ao estudo dos efeitos da corrente eléctrica sobre soluções salinas, investigando o comportamento dos sais de alguns ácidos e dos sais de amónia. Em conjunto com Hisinger, publicou em 1803 o resultado dos seus estudos pioneiros sobre a dissociação dos sais por electrólise, mas o assunto não despertou o interesse da comunidade científica. Este mau acolhimento, fruto do desconhecimento do trabalho de Berzelius e Hisinger, contrasta com a repercussão que em 1807 um artigo sobre a mesma temática, da autoria de Humphry Davy, conseguiria, granjeando para o seu autor fama e a consagração do meio científico. Os trabalhos sobre electrólise de Berzelius e Hisinger apenas a ganharam reconhecimento a partir de 1819, mas ainda assim a prioridade histórica foi dada a Humphry Davy.

Entretanto, em 1806 Berzelius foi contratado como expositor de química na Academia Real de Guerra (Kungliga Krigsacademien) de Karlberg, arredores de Estocolmo, cargo que acumulou a partir do ano seguinte com o de professor de medicina e farmácia na Escola de Cirurgia de Riddarholm, na Riddarholm, instituição que a partir de 1810 deu origem ao Karolinska Institutet, transferindo-se para Solna, nos arredores de Estocolmo.

Estas ocupações, em particular o cargo de professor no Karolinska Institutet, que manteria até 1832, quando, com apenas 53 anos de idade, se aposentou devido a problemas de saúde, trouxeram-lhe alguma estabilidade financeira e permitiram que se dedicasse exclusivamente à química pura. Iniciou então as suas pesquisas sobre as proporções gravimétricas, estudando a relação ponderal entre as substâncias simples (hoje os elementos químicos) na formação dos compostos, estabelecendo as bases da moderna estequiometria.

Reflectindo a crescente aceitação do seu trabalho e o prestígio que entretanto granjeou, em 1808 foi eleito membro efectivo da Academia Real das Ciências da Suécia, ocupando em 1810 a presidência daquela instituição.

Tendo conseguido ajuda governamental que lhe permitiu comprar equipamento e contratar como assistente Magnus Martin af Pontin (1781-1858), um químico que depois seria o seu biógrafo, Berzelius iniciou um trabalho gigantesco de análise química. Com o material e instrumentos que adquiriu, instalou, em duas salas no prédio em que morava, um modesto laboratório no qual ao longo da década seguinte analisou mais de 2 000 compostos químicos, originando uma enorme produção experimental e literária.

Desse trabalho resultou o isolamento e a determinação dos pesos atómicos de cerca de 43 elementos, entre os quais o cálcio, o bário, o estrôncio, o silício, o titânio e o zircónio. Também descobriu os elementos, até aí desconhecidos, selénio, tório e césio. Nesta fase o seu trabalho forneceu os fundamentos experimentais para a determinação das massas relativas dos átomos, fundamentando as leis ponderais da química.

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