Jânio da Silva Quadros GCC • GOIH (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917 – São Paulo, 16 de fevereiro de 1992), foi um advogado, professor, escritor e político brasileiro. Foi prefeito e governador do estado de São Paulo nos anos 1950. Em seguida, foi o 22.º presidente do Brasil, entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961, data em que renunciou ao seu mandato. Em 1985, elegeu-se novamente prefeito de São Paulo dessa vez pelo PTB, tomando posse em 1 de janeiro de 1986, tendo sido este o seu último cargo eletivo.
Jânio utilizou-se da imagem de combate à corrupção durante toda a sua carreira política, tendo a vassoura como principal símbolo. Porém, chegou a receber diversas acusações de corrupção.
Filho do médico e engenheiro agrônomo Gabriel Quadros, nasceu no estado de Mato Grosso (na porção que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul), mas foi criado em Curitiba, tendo estudado no Colégio Marista Santa Maria, feito os dois primeiros anos do ensino fundamental no Grupo Escolar Conselheiro Ezequiel da Silva Romero Bastos (hoje Colégio Estadual Conselheiro Zacarias), e três anos, de 1927 a 1930, no Colégio Estadual do Paraná. Na capital paranaense foi colega de escola do futuro governador e ministro Ney Braga, tanto quanto do treinador da Seleção Brasileira, João Saldanha. Mudou-se para São Paulo, morando em bairros da Zona Norte, como Santana e, depois, Vila Maria, que se converteria em seu mais fiel e cativo reduto eleitoral. Estudou no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo para, depois, formar-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, abrindo banca na capital paulista em 1943, logo após a sua graduação. Foi professor de Geografia no tradicional Colégio Dante Alighieri e no Colégio Vera Cruz, tendo sido considerado um excelente docente em ambas as instituições. Tempos depois, lecionou Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Em 1947, foi eleito vereador com 1 707 votos na cidade de São Paulo pelo Partido Democrata Cristão (o mesmo partido do jovem André Franco Montoro, a quem enfrentaria em uma eleição estadual 35 anos depois). Por ocasião da cassação (por determinação geral do então presidente Eurico Gaspar Dutra) dos mandatos dos vereadores ex-membros do Partido Comunista Brasileiro (o qual havia tido, em 7 de maio de 1947, seu registro cassado), então integrantes do (e eleitos pelo) Partido Social Trabalhista e chamados "Candidatos de Prestes", alguns suplentes de vereadores foram elevados ao cargo de vereador. É altamente difundida a versão de que Jânio teria recebido assim a posição de vereador. No entanto, constata-se que ele havia sido um dos três vereadores já originalmente eleitos pelo PDC, sendo que um quarto (Yukishigue Tamura) elegera-se suplente e tornou-se vereador por conta das cassações do PST. Na ocasião ficou conhecido como o maior autor de proposições, projetos de lei e discursos de todas as casas legislativas do país no período, assinando ainda a maior parte das propostas e projetos considerados favoráveis à classe trabalhadora. Na sequência foi consagrado como o deputado estadual mais votado do Estado de São Paulo, com mandato entre 1951 e 1953.
A 27 de janeiro de 1952 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo de Portugal.
A seguir elegeu-se prefeito do município de São Paulo, o que caracterizou uma grande façanha, pois enfrentou um enorme arco de partidos políticos, assim composto: PSP-PSD-UDN-PTB-PRP-PR-PL. Essa coligação registrou a candidatura do professor Francisco Antonio Cardoso, que tinha uma campanha milionária, com uma enxurrada de material de propaganda e com apoio ostensivo das máquinas municipal e estadual. De outro lado, o PDC e o PSB lançam Jânio Quadros, com poucos recursos financeiros — sua campanha foi chamada de o tostão contra o milhão. Exerceu a função de 1953 a 1955, licenciando-se do cargo em 1954, durante a sua campanha para governador. Seu vice, que exerceu interinamente o cargo, foi José Porfírio da Paz, que também foi autor do hino do São Paulo Futebol Clube. Ainda no futebol, foi homenageado em 1953 pelo Torneio Jânio Quadros, disputado pelos times paulistas Juventus (campeão), Ypiranga e Portuguesa Santista e pelo carioca Bonsucesso.
Após deixar o PDC e filiar-se ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), foi candidato da aliança PTN-PSB a Governador de São Paulo, tendo ganhado o pleito sobre o favorito Ademar de Barros (um de seus maiores rivais políticos) por uma pequena margem de votos, de cerca de 1%. Sua gestão foi entre 1955 e 1959. Durante o mandato, procurou executar ações que passassem uma imagem de moralização da administração pública e de combate à corrupção (uma prática comum era a das visitas surpresa às repartições públicas, a fim de verificar a qualidade do serviço oferecido à população) aliadas a um empreendedorismo que buscava destaque e projeção, seja na criação de novos serviços e órgãos ou na construção de grandes obras, como pode se verificar, por exemplo, na criação do Complexo Penitenciário do Carandiru. Assim, angariou grande popularidade e se consagrou como um líder entre os paulistas.
Elegeu-se deputado federal pelo estado do Paraná em 1958, mas viajou para o exterior e não participou de nenhuma das sessões do Congresso. Ao retornar, preparou sua candidatura à presidência, com apoio da União Democrática Nacional (UDN). Utilizou como mote da campanha o "varre, varre vassourinha, varre a corrupção", cujo jingle tinha como versos iniciais:
varre, varre, varre, varre vassourinha / varre, varre a bandalheira / que o povo já tá cansado / de sofrer dessa maneira / Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!
A 17 de maio de 1958 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.
Jânio chegou à presidência da República de forma muito veloz. Em São Paulo, exerceu sucessivamente os cargos de vereador, deputado, prefeito da capital e governador do estado. Tinha um estilo político exibicionista, dramático e demagógico. Conquistou grande parte do eleitorado prometendo combater a corrupção e usando uma expressão por ele criada: varrer toda a sujeira da administração pública. Por isso o seu símbolo de campanha era uma vassoura.
Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960, pela coligação PTN-PDC-UDN-PR-PL, para o mandato de 1961 a 1965, com 5,6 milhões de votos — a maior votação até então obtida no Brasil — vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora, por mais de dois milhões de votos. Porém não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa, Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). Quem se elegeu para vice-presidente foi João Goulart, do PTB. Os eleitos formaram a chapa conhecida como chapa Jan-Jan.
Assumiu a presidência (pela primeira vez a posse presidencial fora realizada em Brasília) em 31 de janeiro de 1961.
Embora seu governo tivesse durado por apenas sete meses, pôde, nesse período, traçar novos rumos na política externa e orientar, singularmente, os negócios internos. A posição de Cuba nas Américas após a vitória de Fidel Castro, por exemplo, mereceu sua atenção. Comenta Hélio Silva em A Renúncia:
Foi em seu Governo, breve mas meteórico, que se firmaram diretrizes tão avançadas que, muitos anos passados, voltamos a elas, sem possibilidade real de desconhecer as motivações que as inspiraram.
Para combater a burocracia, tomou emprestado a Winston Churchill — que usara o método durante a Guerra — o hábito de comunicar-se com ministros e assessores diretamente por meio de memorandos — apelidados pela imprensa oposicionista de "os bilhetinhos de Jânio" — os quais funcionário ou ministro algum ousava ignorar. Adquirira esse hábito, que causou estranheza a alguns conservadores — e era até objeto de chacotas da oposição — no governo de São Paulo.
Um mestre da comunicação, Jânio, no intuito de se manter diariamente na "ribalta", utilizava factoides como a proibição do maiô e biquíni nos concursos de miss, a proibição das rinhas de galo, a proibição de lança-perfume em bailes de carnaval e a tentativa de regulamentar o carteado, todas estas em vigor até hoje.