Cândida Ivete Vargas Martins GOIH (São Borja, 17 de julho de 1927 — São Paulo, 3 de janeiro de 1984) foi uma jornalista e política brasileira filiada ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Família, primeiros anos e carreira jornalística
Nascida Cândida Ivete Vargas Tatsch, filha do médico Newton Barbosa Tatsch e de Cândida Vargas. Seu avô materno, Viriato Dornelles Vargas, irmão de Getúlio Vargas, foi ministro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul e fundador do Partido Republicano em São Borja.
Aos três anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, iniciando seus estudos primários no Colégio Anglo-Latino e transferindo-se posteriormente para o Colégio Notre Dame de Sion, onde conluiu o curso ginasial. Iniciou-se na imprensa com apenas quinze anos, como colaboradora do jornal Brasil-Portugal — rebatizado em 1947 como Diário do Povo —, de propriedade de seu avô. Trabalhou ainda nos jornais cariocas Diretrizes e Radical e no matutino paulista Folha da Manhã, atual Folha de S.Paulo.
Ivete Vargas graduou-se em Geografia, História e Letras neolatinas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Sua atividade jornalística lhe rendeu nesse período uma bolsa de estudos — concedida pela Federação das Associações Portuguesas do Brasil — com uma estadia de três meses em Portugal, onde a jovem teve oportunidade de entrevistar o cardeal-patriarca de Lisboa, dom Manuel Gonçalves Cerejeira, e o presidente Oscar Fragoso Carmona.
Morreu no dia 3 de janeiro de 1984, aos 56 anos, no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, vítima de câncer. Seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado no Cemitério de São João Batista.
Embora pouco conhecida no estado de São Paulo, em 1950, foi eleita deputada federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ajudada pelos votos de legenda e de seu parentesco com Getúlio Vargas. Em 1953, foi nomeada embaixadora do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).
Foi reeleita sucessivamente nos pleitos de 1954, 1958, 1962 e 1966, sendo uma das primeiras mulheres parlamentares brasileiras. Em 1956, durante o governo de Juscelino Kubitschek, comandou a delegação de parlamentares brasileiros em visita aos países socialistas.
Presidiu a seção paulista do PTB, e à frente desta, organizou o Movimento Jan-Jan (Jânio-Jango) em 1960. Não apoiou o Golpe de 1964, todavia não teve seu mandato cassado neste primeiro momento. Presidiu o PTB paulista até a extinção da legenda em 1965, pelo AI-2. Após isso, aderiu ao MDB, tendo sido cassada em 16 de janeiro de 1969, pelo AI-5, desligou-se momentaneamente da vida política.[carece de fontes?]
Em 1978, após a eleição do general João Figueiredo para a presidência, que acenava com o fim do bipartidarismo no Brasil, diversos nomes do antigo PTB se articulavam para a recriação do partido. Nesse contexto, havia disputas entre o grupo de São Paulo, liderado por Ivete, e o do Rio de Janeiro, que via com maus olhos sua amizade com o general Golbery do Couto e Silva, ministro-chefe da Casa Civil. Com o antigo líder trabalhista Leonel Brizola ainda encontrando-se no exílio, Ivete buscava seu apoio para a organização da sigla, o visitando em Nova Iorque e no Uruguai, contudo sem conseguir chegar a um consenso.
Enquanto isso, Brizola articulava no exterior uma proposta mais à esquerda para o PTB, promovendo uma reunião dos trabalhistas em Lisboa que contou com a presença de Mário Soares, do Partido Socialista português. A aproximação de Brizola com o socialismo democrático não foi bem aceita pela ala de Ivete, aprofundando suas divergências.
Em 1979, com reformas políticas destinadas a promover a redemocratização do país, Brizola retornou do exílio. As tentativas de conciliação dos dois grupos trabalhistas falharam, com Brizola passando a disputar a recriação do PTB na justiça contra o grupo presidido por Ivete. Finalmente, em 1980, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ivete Vargas ganhou a disputa, e se tornou a Presidente Nacional do novo PTB. O grupo de Brizola passou então a organizar o Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Em 1980, lançou o livro "Por que fui cassada - Testemunho à nação", coletânea de seus discursos parlamentares. Atraiu poucas estrelas do velho PTB, além do ex-presidente Jânio Quadros (que chegou a ser eleito deputado federal pelo PTB paranaense), que disputou o governo de São Paulo, e alguns trabalhistas do estado do Rio de Janeiro.[carece de fontes?]
Em 1981, se reconciliou das brigas pessoais com Brizola, após descobrir um câncer.
Nas eleições de 1982, o PTB de Ivete elegeu treze deputados federais, somente em São Paulo (8) e no Rio de Janeiro (5); o PDT brizolista venceu as eleições para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, mas somente elegeu 24 deputados: no Rio Grande do Sul (8) e no Rio de Janeiro (16).
Mesmo passando grande parte da campanha no hospital, Ivete Vargas foi uma das deputadas federais mais votadas de São Paulo com mais de 266 mil votos, e assumiu a Liderança da Bancada em Brasília, até seu falecimento. Apesar de atuante dos bastidores, subiu à tribuna somente uma vez, na ocasião do centenário do nascimento de Getúlio Vargas. Como deputada, defendeu a reeleição de João Figueiredo, a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a realização de eleições diretas para presidente da República no final do próximo mandato.
Humanismo e renascimento. 1945.
Por que fui cassada; testemunho à nação. 1980.