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Itapecerica (Minas Gerais)

Município brasileiro do estado de Minas Gerais

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Itapecerica é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Localiza-se na Região Geográfica Imediata de Divinópolis, no centro-oeste do estado. Possuía uma população de 21 046 habitantes em 2022, segundo o censo daquele ano.

Além da sede, o município tem três distritos urbanos, Lamounier, Marilândia e Neolândia, e uma extensa zona rural com cerca de setenta povoados, tais como: Afonsos, Barreiro, Bom Sucesso, Bocaina, Cafofo, Casa Queimada, Capivara, Chaves, Córrego Fundo, Gama, Gonçalves Ferreira, Inácio Caetano, Lameus, Serra dos Gomes, Santo Antônio, Serra dos Lopes, Taquara, Palmeiras, Partidário, Pedra Preta, Vendinha entre outros.[carece de fontes?]

A história de Itapecerica remonta à exploração aurífera no século XVII, período em que muitos garimpeiros se aventuravam no sertão brasileiro em busca de metais preciosos, tendo como destino final a Capitania de Goiás. A região do município, situada entre São João del-Rei e esta capitania, era ponto de descanso dos aventureiros e possuía várias picadas (caminhos abertos pela mata pelos aventureiros), por isso ficou conhecida no período como Conquista do Campo Grande da Picada de Goiás. O bandeirante fundador foi Lourenço Castanho de Taques, que chegou à região do Vale do Itapecerica em 1696.

No século XVIII, com a chegada do bandeirante Feliciano Cardoso de Camargo, com a pretensão de exploração mineral na região, a localidade deixou de ser apenas ponto de passagem e começou a atrair exploradores que acabaram formando um arraial. A região havia se mostrado rica em ouro, atraindo o interesse da Vila de São José del-Rei, que em 1744 tomou posse do arraial, que recebeu o nome de São Bento. As primeiras autoridades reconhecidas foram: Capitão Vicente Ferreira da Costa, Tabelião Miguel da Costa, Juiz Vintenário Joaquim Pereira e o Escrivão Manoel da Silva Gral. Com a primeira paróquia sendo criada em 1757, sob o comando do Vigário Gaspar Alves Gondim, que por sua popularidade, foi responsável pela atração de muitos fieis para a região e pelo início da tradição religiosa da cidade.

O arraial foi elevado a vila em 20 de novembro de 1789, por determinação do Visconde de Barbacena, então governador de Minas Gerais. Esta passou a ser a data de fundação e de aniversário do município. Em 1790, ergueu-se o pelourinho e foi eleita a primeira Câmara da Vila, com os seguintes componentes: Domingos Rodrigues Gondim, Bel. João Pinto Caldeira, Antônio Garcia de Melo, José Joaquim Carneiro, José Ferreira Gomes e Antônio Joaquim de Ávila.

Saint-Hilaire, em 1819, descreve, no livro "Viagem às nascentes do Rio São Francisco, a "Fazenda Cachoeirinha", do Capitão-Mor de Itapecerica (na época chamada Vila de Tamanduá) João Quintino de Oliveira. "A propriedade de CACHOEIRINHA, situada um pouco antes de TAMANDUÁ, tem três léguas de comprimento por duas de largura. Vi aí uma quantidade considerável de gado vacum, de porcos e carneiros. Seu proprietário, o Capitão-Mór JOÃO QUINTINO DE OLIVEIRA, vendera nesse ano, no Rio de Janeiro, porcos no valor de dois contos de réis. Era um homem educado e cuja mesa atestava de sobra a sua riqueza. Não obstante a casa que ocupava era quase tão mal cuidada e modesta quanto as que eu vira em todas as outras fazendas. Ficava situada, como as senzalas, ao fundo de um vasto terreiro e rodeada por mourões que tinham a grossura de uma coxa e a altura de um homem, tipo de cercado muito em uso na região. Da varanda, bastante ampla, em cuja extremidade fora erguido um pequeno oratório passava-se para uma grande peça coberta de telhas-vã e de paredes sem caiação, cuja mobília constituía-se em alguns bancos de madeira, tamboretes forrados de couro e uma enorme talha com um caneco de ferro esmaltado para retirar a água. Os poucos quartos que davam para esta sala eram pequenos e não apresentavam mobiliário mais variado."Em 4 de outubro de 1862, a vila foi elevada à condição de cidade, passando a ser denominada São Bento do Tamanduá. Este nome permaneceu até 1882, quando em 19 de outubro, passou a ser Itapecerica, que em Tupi-Guarani significa “Pedra lisa e Escorregadia”.

É distante de Belo Horizonte 180 km, fazendo parte da microrregião geopolítica de Formiga. As principais vias de acesso são as rodovias pavimentadas: MG-164 e MG-260. O acesso ferroviário se dá pela Linha da Barra do Paraopeba, da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas. O trecho, que liga o municipio ao distrito de Aureliano Mourão, na cidade de Bom Sucesso e originalmente de bitola de 0,76 cm foi convertido para bitola métrica nos anos 1960, sob o comando da antiga Viação Férrea Centro-Oeste. Atualmente, a ferrovia se encontra concedida à Ferrovia Centro Atlântica para o transporte de cargas.

É um município extenso, com superfície total de 1.040,419 km², segundo dados do IBGE de 2016, da qual em 75% do território predomina o relevo montanhoso, com a cidade situando-se a 853 m de altitude. O ponto mais alto é o Morro do Calado, situado na Serra do Barreiro, com altitude de 1.187 m. A vegetação é composta pelos biomas de Mata Atlântica e de Cerrado, fazendo parte da bacia hidrográfica do Rio Pará.

O clima da região é o tropical de altitude, com verões amenos e úmidos, e invernos frios e secos. Os recordes de temperatura mais baixa e mais alta já registrados foram, respectivamente, 7,2 °C e 37 °C. Novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e março são os meses mais quentes, com temperaturas mínimas e máximas de 17 °C e 28 °C, e os meses mais frios são abril, maio, junho, julho, agosto e setembro, com temperaturas mínimas e máximas entre 5 °C e 21 °C.

Possui uma população, segundo Censo de 2010, de 21.377 habitantes, com estimativa de 22.158 para 2017. Dessa, 50,5% mulheres, 77,2% moradores da zona urbana, 82,1% eleitores e 84,6% alfabetizados. Apresenta ainda densidade demográfica de 20,54 hab/km² e 6.939 domicílios, com faixa etária majoritária entre 15 e 59 anos.

Segundo a atualização do censo de 2022 realizado pelo IBGE, Itapecerica conta com uma população de 21.046 habitantes com uma estimativa de 21.462 pessoas em 2024. Sua densidade demográfica é de 20,23 habitante por quilômetro quadrado. Ainda segundo o censo, o salário médio mensal dos trabalhadores formais é de 2 salários mínimos com cerca de 4.479 pessoas com ocupação correspondendo a 21, 28 % da população.

As principais atividades econômicas da região são a extração mineral (empresa Nacional Grafite), agropecuária, indústria de calçados (empresa Calçados Addan) e turismo (Hotel Fazenda Palestina e Capetinga). A cidade possui IDH de 0,713, abaixo da média do estado de Minas Gerais, com rendimento médio nominal de R$340, 00 na zona rural e de R$510, 00 na urbana. Em 2021, o PIB per capita era de R$ 28.915,19, segundo o IBGE.

Os principais monumentos histórico-culturais do município são de origem colonial, com arquitetura barroca, destacando-se: Igreja de Santo Antônio da Ordem Terceira do Cordão de São Francisco (mais popularmente conhecida como igreja de São Francisco) (1801), Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1819), Igreja de Nossa Senhora das Mercês (1862 ? ), Casarão da Cooperativa (1905), Igreja Matriz de São Bento (1912, ano em que se deu o término de sua construção), Casarão do Elpídio Couto, mais conhecido como casarão da Mita (1910-1915), Praça Melo Vianna (1936), atualmente praça Dom José Medeiros Leite.

A cidade apresenta ainda importantes manifestações culturais, como o Festival de Inverno, na sua XXIIIª edição em 2017, e o Festival Gastronômico Rural, na sua XIª edição. O primeiro ocorre no final de julho, tendo como palco a Igreja da Matriz, reunindo apresentações de dança, teatro, arte e música de artistas locais e renomados, mobilizando a cidade e atraindo turistas da região. Já o segundo acontece em junho, reunindo o melhor do cardápio local, destacando a simplicidade da comida mineira do interior. Itapecerica atrai também muitos turistas todos os anos para seu magnifico Carnaval, onde até os dias atuais encontra-se os famosos blocos carnavalescos que desfilam pelas ruas da cidade, são eles: Bloco dos Mal Dormidos, Bloco Suvaco de Cobra e Bloco Balaco Baku, que a alguns anos promove no domingo de carnaval o tradicional concurso de marchinhas carnavalescas, resgatando a história do município.

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Itapecerica (Minas Gerais) | World in Stories