Itaiópolis é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Localiza-se a uma latitude 26º20'11" sul e a uma longitude 49º54'23" oeste, estando a uma altitude de 925 metros. Sua população estimada em 2022 era de 22.051 habitantes.
Possui uma área de 1.295,3 km².
O nome Itaiópolis é um hibrismo tupi-grego, formado por "ita" (pedra) + "i-ó" (molhada) + "pólis" (cidade). O significado "cidade da pedra (ou laje) molhada" pode ser por causa dos rios bem característicos da região, que apresentam em seus leitos extensos trechos de lajes (pedra com a superfície plana) sobre os quais escorre uma lâmina d'água (que mantém as lajes sempre molhadas).
Itaiópolis teve início nas terras que se estendiam sobre uma antiga rota de tropeiros. Em lombo de mulas, os tropeiros eram responsáveis pelo elo comercial entre sudeste e sul do Brasil. Há mais de uma versão sobre a criação da Colônia Lucena, que daria origem a Itaiópolis.
Oswaldo Cabral defende a fundação da Colônia Lucena tendo início com a fundação da cidade paranaense de Rio Negro, com os primeiros habitantes, as famílias de João Reichardt, José Wiergenawski e João Becker, que chegaram à região em 1889, emarca-se, portanto, como data inicial do povoamento o ano de 1890. Em 1890 eles teriam fundado, com mais três famílias do lugar, a Colônia Federal Lucena, iniciando o desenvolvimento da região. Ainda segundo Cabral, os primeiros colonos chegaram em 1891, e seriam eles alguns ingleses ex-trabalhadores de Londres, poloneses e russos. Não se saberia precisar a data exata da criação da Colônia Lucena, considerada o marco inicial da cidade de Itaiópolis. Acredita-se que o nome possa ter sido dado pelo Engenheiro Carlos Leopoldo Ferreira, Chefe da Comissão de Terras de Rio Negro, em homenagem ao Barão Henrique Pereira de Lucena, na ocasião Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Em 1891 chegaram outros colonos, sendo eles ucranianos, poloneses e alemães de São Bento do Sul, formando, a partir de 1903, com os tropeiros da região, o povoado que daria origem à atual cidade.
Já Walter Piazza apresenta outra versão, e defende que a Colônia Lucena teria sido fundada em 1891, pelo governo federal, logo passando a sua administração ao governo paranaense enquanto Oswaldo Cabral defende a data do início da Colônia em 1890, com a chegada de imigrantes ingleses e russos, e defende que as terras foram entregues ao governo do Paraná em 1895.
Rodycz questiona a versão de Cabral, mediante a dificuldade em localizar os primeiros colonizadores mencionados por Cabral (João Reichardt, José Wiergenawski e João Becker), assim como pelo fato de não haver qualquer sinal ou menção em documentos de colonos ingleses, pois não há qualquer sinal de colonização inglesa na região na prática, não sendo conhecida qualquer família com essa origem. Aliado a tais fatos, o questionamento de Rodycz se faz também pelo fato de o Paraná já estar na administração desde o início da Colônia, e não desde 1895, como defende Cabral. A data que mais seria adequada à criação da Colônia Lucena seria, também, a data de 1891, defendida por Piazza Num ofício de 19 de maio de 1891, o Chefe da Comissão de Terras de Rio Negro, Eng. Carlos Leopoldo Ferreira, informou que dera o nome de “Lucena” ao primeiro núcleo que havia estabelecido, pedindo aprovação. Fez o mesmo em relação a outros núcleos.
Em 1901, Pawel T. Wielewski escreveu um pequeno relato sobre Lucena intitulado “Sul do Paraná”, em que descreve a Colônia como tendo 6000 habitantes. Segundo Wielewski, havia então na colônia 32 casas comerciais, 2 igrejas católicas romanas e uma capela dos unitas ucranianos, 3 escolas, uma sociedade, 3 serrarias, alguns moinhos, 2 fábricas de cerveja, farmácia, alguns profissionais liberais e técnicos, como sapateiros, seleiros, carpinteiros, feireiros, etc.
Em 1901 criou-se a Paróquia de Santo Estanislau, em Paraguaçu, e o Distrito em 1903, na época ainda fazendo parte do município de Rio Negro, com a municipalização em 18 de março de 1909, ficando a sede na Colônia Lucena, sendo instalado em 1° de julho de de 1909. A 1ª câmara municipal foi constituída por: Henrique Köenig, José Wiergenovski, João Reichardt, Mathias Pieczarka, Leonardo Becker, José Pscheidt e Estanislau Procopiak, que foi o primeiro prefeito.
Itaiópolis estava entre as terras que foram palco da Guerra do Contestado. A questão dos limites entre Santa Catarina e Paraná iniciara em 1853, quando os paranaenses, após serem desmembrados da Província de São Paulo, tentaram a posse das terras do oeste catarinense. Após a Constituição de 1891, que assegurava aos estados o direito de decretar impostos sobre exportações de mercadorias de sua própria propriedade e sobre indústrias e profissões, as rixas foram se alastrando.
No relatório do ano de 1910, apresentado por Claudino R. Ferreira dos Santos,Secretário de Obras Públicas e Colonização, ao Presidente do Estado do Paraná, Francisco Xavier da Silva, consta que Lucena possuía 6.320 almas, distribuídas em 1.361 lotes rurais, 45 casas comerciais, várias oficinas e 470 carroças (página 26).
Em 20 de outubro de 1916, os governadores do Paraná, Afonso Camargo, e de Santa Catarina, Felipe Schmidt, mediados pelo Presidente da República Venceslau Brás, assinaram um acordo, estabelecendo os limites entre os dois estados. Em 26 de maio de 1917, mediante o acordo de limites assinado no ano anterior, o município foi suprimido.
Quando, em 7 de setembro de 1917, Santa Catarina tomou posse das terras que lhe couberam, o município extinto ficou fazendo parte de Mafra, criado à época, e em 1917, pela lei n° 3, de dois de outubro, era criado outra vez o distrito de Itaiópolis, cuja instalação ocorreu em novembro do mesmo ano. Um ano depois, Itaiópolis se emancipou, e o município foi novamente criado, pela lei estadual n° 1120 de 28 de outubro de 1918 e instalado a 1 de janeiro de 1919.
Em 27 de novembro de 1953, houve a criação da paróquia de Nossa Senhora Imaculada da Medalha Milagrosa, por desmembramento da paróquia de Santo Estanislau, no Alto Paraguaçu, que já existia desde 1901.
Vários distritos foram compondo o município, tais como Moema, Iraputã, Itaió. Pelo decreto municipal n° 717, de 14 de janeiro de 1935, foram criados os distritos de ltaió e Iraputã, sendo Prefeito Municipal o Sr. Germano Wünsche. A Comarca de Itaiópolis foi criada em 1954 e instalada a 14 de maio de 1956, abrangendo os municípios de Itaiópolis, Papanduva e Monte Castelo e, em 1982, foi criado o distrito de Santa Terezinha. Pela Lei Municipal n° 29/78, de 28 de junho de 1978, sendo Prefeito o Sr. Francisco Linzmeyer, modificada pela lei municipal n° 003/82, de 11 de março de 1982, Prefeito o Sr. Damião Panchniak, homologada pela lei estadual n° 6.062, de 13 de maio de 1982, foi criado o Distrito de Santa Terezinha, instalado em 14 de setembro de 1984, através do Decreto n° 071/084, pelo então Prefeito Municipal Sr. Alceu Gaio. Pela Lei Estadual n° 8.349, de 26 de setembro de 1991, foi criado o Município de Santa Terezinha, desmembrado do território de Itaiópolis.
Desde o início da colonização da região, houve dificuldades com o enfrentamento dos índios, com freqüentes lutas entre eles e os colonizadores europeus que chegaram para ocupar as terras. Em 1850, dezessete imigrantes alemães fundaram a cidade de Blumenau, no vale do Itajaí, marcando o início de uma história de contatos e conflitos entre os europeus e os índios Xokleng ao longo do estado de Santa Catarina.
A Terra Indígena era localizada nos municípios de Itaiópolis, Doutor Pedrinho, José Boiteux e Victor Meirelles, e foi identificada pela Constituição Federal como tradicionalmente ocupada pelos índios Xokleng, Kaingang e Guarani, perfazendo a Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ. Em 1926, o chefe do governo catarinense, Adolfo Konder, doou à comunidade indígena o território que ocupa atualmente, cerca de 141.565.866,02m2. Foram agrupados na Reserva José Boiteux, Reserva Ibirama ou Reserva Duque de Caxias, que ocupava as cidades de: José Boiteux, Victor Meirelles, Doutor Pedrinho e Itaiópolis. Inicialmente denominada Posto Indígena Duque de Caxias, foi criada pelo chefe do governo catarinense, Adolfo Konder, em 1926. Em 1965 foi oficialmente demarcada e em 1975 recebeu o nome de Ibirama. A reserva, porém, não teve a prosperidade esperada, apresentando constantemente desavenças, especialmente nas tentativas de introduzir a agricultura, contrária a sua cultura, baseada na coleta, e também devido à introdução de estranhos na reserva. Em 13 de agosto de 2003, pela portaria nº 1.128 do Ministério da Justiça, foi declarada de posse permanente dos grupos indígenas Xokleng, Kaingang e Guarani a Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, ali localizada.