Neste Dia

Isabel de Parma

Aristocrata espanhola

Anúncio

Isabel de Parma (em espanhol: Isabel María Luisa Antonieta Fernanda Josefa Javiera Doménica Juana de Borbón; Madrid, 31 de dezembro de 1741 – Viena, 27 de novembro de 1763) foi a primeira esposa do arquiduque José da Áustria, futuro Sacro Imperador Romano José II. Era filha de Filipe, Duque de Parma e Luísa Isabel da França. Ela ficou conhecida por seu relacionamento lésbico com a cunhada Maria Cristina, Duquesa de Teschen.

Nascida uma infanta da Espanha, tornou-se princesa de Parma quando da ascensão de seu pai como Duque de Parma, na sequência do Tratado de Aix-la-Chapelle de 1748. Era neta paterna do rei Filipe V da Espanha e materna do rei Luís XV da França, ambos da Casa de Bourbon. Seu pai foi o fundador da Casa de Bourbon-Parma, um ramo cadete dos Bourbons espanhóis. Na Espanha era conhecida como Isabel, na França como Isabelle e, depois, na Itália e Áustria, passou a ser conhecida como Isabella.

Uma pensadora do Iluminismo, ela foi uma escritora prolífica e dezenove obras escritas durante os três anos de seu casamento, algumas delas inacabadas, foram preservadas. Nelas, ela discutiu filosofia, religião, ética, política, diplomacia, teoria militar, comércio mundial, educação e criação de filhos, cultura e sociedades humanas e a posição das mulheres. Em seus escritos, mantidos em segredo, ela defendeu a igualdade intelectual das mulheres. Nenhum de seus escritos foi publicado em sua vida; suas Méditations chrétiennes (Meditações Cristãs) foram publicadas em 1764, um ano após sua morte. Algumas de suas correspondências pessoais e outras obras foram publicadas por biógrafos e historiadores.

Embora seu marido a amasse, ela não correspondia totalmente aos sentimentos dele e encontrou mais realização em seu relacionamento, possivelmente sexual, com sua cunhada, a arquiduquesa Maria Cristina. Apesar de sua popularidade na corte vienense, a vergonha e a culpa inspiradas por sua incapacidade de retribuir os sentimentos de seu marido, agravadas pela atração pelo mesmo sexo que ela considerava pecaminosa, a deixaram infeliz. Uma infância solitária com educadores exigentes e pouco afetuosos, a perda repentina de sua mãe, um parto difícil e dois abortos espontâneos no intervalo de dez meses e, mais tarde, uma quarta gravidez afetaram negativamente sua saúde física e mental. Ela foi descrita como melancólica e experimentou ideação suicida. Biógrafos sugeriram que ela sofria de depressão ou transtorno bipolar, aos quais ela provavelmente era geneticamente predisposta. Ela morreu aos vinte e um anos de varíola.

Nascida em 31 de dezembro de 1741, no Palácio do Bom Retiro, em Madrid, Isabel Maria Luísa Antonieta era a primeira filha do infante Filipe da Espanha e sua esposa Luísa Isabel da França, conhecida na corte espanhola como Madame Infante. Isabel era uma infanta da Espanha por nascimento e detinha o direito ao estilo de tratamento de "Sua Alteza Real".

Seus pais eram primos de primeiro grau, uma vez removidos, com uma diferença de idade de seis anos; sua mãe tinha doze e seu pai dezoito anos quando se casaram. Ao passo que Filipe era apenas o terceiro filho de Filipe V da Espanha, a orgulhosa Madame Infante, como primogênita de Luís XV da França, considerou inadequada a decisão do pai em casá-la com um alguém que não fosse um monarca reinante ou herdeiro de um trono. Madame Infante era ambiciosa e obstinada, ao contrário de seu marido, e logo assumiu um papel de liderança no casamento, trabalhando para garantir uma posição mais elevada para si e mais poder para a Casa de Bourbon. Ela mantinha um relacionamento tenso com sua sogra Isabel Farnésio, a governante de fato da Espanha, a quem ela ameaçava em influência sobre Filipe, ainda que ambas trabalhassem juntas para promover os interesses dele.

Madame Infante tinha apenas quatorze anos quando deu à luz Isabel após um parto difícil que durou dois dias. Dois meses depois, Filipe partiu para lutar na Guerra da Sucessão Austríaca e não viu sua família novamente até que sua filha tivesse oito anos. Sua mãe demonstrou pouca afeição por Isabel e supostamente achou o bebê um fardo.

Durante os primeiros sete anos de sua vida, Isabel foi criada na corte de seus avós paternos em Madrid. Sua avó, a rainha Isabel Farnésio, a amava, relatando regularmente sobre seu bem-estar, desenvolvimento e comportamento ao filho ausente. Em contraste, a mãe de Isabel nunca demonstrou demasiada afeição para com a filha e era impaciente com ela; quando a criança não comportava-se, ela a castigava tão severamente que sua avó chegou a intervir. Madame Infante supostamente achava Isabel teimosa e insuportável. Isabel foi confiada a uma governanta de origem francesa, a marquesa Marie-Catherine de Bassecourt-Grigny. A marquesa mantinha um forte senso de etiqueta e hierarquia desde sua posição anterior como dama de honra da rainha Maria Bárbara de Bragança, consorte de Fernando VI da Espanha. Isabela desenvolveu um estreito vínculo com sua governanta, o que inspirou o ciúme de sua mãe.

Na Espanha, Isabel recebeu uma educação típica para as princesas da época. O uso de castigos corporais foi ordenado por seu pai e endossado por sua mãe. De acordo com sua autobiografia, ela era uma criança enérgica e travessa, sempre barulhenta, pulando, escalando, caindo, quebrando móveis e enfeites. Seus passatempos favoritos eram perseguir borboletas, andar a cavalo e fazer acrobacias com uma corda, e ela gostava de escrever, cantar e desenhar. Tentando melhorar seu comportamento, sua governanta tirou cordas, cavalos e balanços dela. "O que fazer nesta situação triste? [...] Mas eu finalmente aprendi a ser razoável", comentou Isabela quando adulta. Ela começou a se entreter silenciosamente, mais tarde lembrando que sua cabeça "estava sempre nas nuvens, ocupando-se com cem mil ideias ao mesmo tempo". Em 1746, um embaixador francês elogiou sua 'dignidade', dizendo que, aos quatro anos, ela já sabia "quem ela é, a quem ela pertence e o que ela deve ser um dia". Ele também comentou sobre a frieza de sua mãe em relação a Isabel. Crescendo como filha única até os dez anos de idade, sem companheiros de brincadeira e sob controle estrito, sua infância foi caracterizada como solitária e austera.

Entre 6 de janeiro e 7 de outubro de 1749, Isabel viveu em Versalhes, visitando sua família materna a caminho de Parma. Como a única neta de Luís XV da França e Maria Leszczyńska, ela recebeu mais atenção e carinho do que nunca. O luxo e a alegria da corte francesa foram um choque para ela depois dos costumes cortesãos espanhóis mais rígidos. Aos oito anos, ela foi autorizada a participar de funções da corte e atender ao teatro, à ópera, aos bailes e aos concertos. Paul d'Albert de Luynes registrou que ela não parecia gostar dessas apresentações e era considerada tímida. Nessa época, Isabel sentia-se mais confortável falando espanhol, que aprendera com sua governanta, do que francês, usado com sua mãe e avó paterna.

Gradualmente, Isabel começou a gostar de sua estadia na França. Ela passou a acompanhar a avó materna em óperas, peças e concertos, e ficava encantada quando era tratada como uma "Filha da França": a guarda real a saudava como tal e ela detinha o direito de sentar-se na presença do rei, assim como a mãe e as tias. Ela chegou a apresentar-se no apartamento da Delfina com aclamação real. Após sua estadia em Versalhes, ela correspondia com sua família materna com frequência e sua língua principal tornou-se o francês.

Na sequência do Tratado de Aix-la-Chapelle de 1748, o pai de Isabel tornou-se o novo "Duque de Parma", um título que pertencia anteriormente à família de sua mãe. Isabel e sua mãe chegaram a Parma em 20 de novembro de 1749. O ducado estava empobrecido, seus palácios em ruínas. Enquanto Isabel tinha uma grande consideração pelos espanhóis e franceses, ela considerava os italianos "ignorantes da arte de pensar" e queria deixar o país imediatamente. Sua mãe, ressentida com seu baixo status e relativa pobreza, concentrou-se em arranjar casamentos vantajosos para seus filhos. Ela visitou Versalhes duas vezes mais para negociar um casamento para Isabel, entre agosto de 1752 e outubro de 1753 e, depois, no verão de 1757 até dezembro de 1759, quando ela morreu. Ambas as vezes, seu marido e filhos ficaram em Parma.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Isabel de Parma | World in Stories