Santa Élisabeth (no Brasil: Elisabete ou Isabel) da Trindade, OCD (Farges-en-Septaine, 18 de julho de 1880 – Dijon, 9 de novembro de 1906) foi uma monja carmelita descalça francesa.
Na manhã de domingo, 18 de julho de 1880, Élisabeth Cates nasce no acampamento militar de Avor, onde seu pai, o Capitão José Catez, do oitavo esquadrão do trem das equipagens, está em guarnição. O seu nascimento não esteve isento de dificuldades. Os dois médicos presentes já haviam advertido o capitão de que seria necessário fazer o sacrifício desta primeira criança. A mãe sofreu muito durante trinta e seis horas. Mas, no final da missa que o capelão Chaboisseau celebrava nas suas intenções, a pequena Élisabeth vem ao mundo. A criança tem boa saúde, “era muito bonita e muito esperta”, se recordará a senhora Catez. A 22 de julho, festa de Santa Maria Madalena, ela é batizada.
A 24 de janeiro de 1887, morre Raymond Rolland, tão hábil, segundo se diz, “na arte de ser avô”. Oito meses mais tarde, novo luto, bem mais doloroso: na manhã de domingo, 2 de outubro, o senhor Catez, que já sofrera várias crises cardíacas, morre de modo brusco.
Sem ser rica, a senhora Catez goza de uma comodidade suficiente para assegurar a formação de suas filhas. Por volta dos sete anos, Elisabeth recebe as primeiras aulas particulares de francês da senhorita Gemaux, sem dúvida para prepará-la para um ofício de professora de piano. Sua mãe a inscreve no Conservatório de Dijon aos oito anos de idade.
No dia 19 de abril de 1891, realiza sua primeira comunhão. Ao sair da Igreja de São Miguel, ela diz a Maria Luísa: “Eu não tenho fome, Jesus me alimentou.” Pode-se supor a intensidade deste primeiro encontro com o Corpo de Cristo por meio de uma de suas poesias da juventude, escrita para o sétimo aniversário desta comunhão – uma das únicas poesias redigidas unicamente para ela mesma em face de Jesus, e que formam seu diário íntimo. À tarde, com a sua bela veste branca, ela vai visitar a Madre Priora do Carmelo. Maria de Jesus explica-lhe o significado de seu nome hebreu: “Elisabeth é a casa de Deus”. A menina permanecerá profundamente impressionada.
A partir desse dia, ela começa a entender a grandeza da própria vocação. Sente-se chamada a ser “Casa de Deus”. Entende que era casa de Deus e procurou cultivar esse templo de uma maneira simples, sendo ela mesma, porque se deixou trabalhar por Deus, esse Deus que para ela era “Só Amor”.
Em 26 de março de 1899, durante a grande Missão pregada em Dijon, a Senhora Catez finalmente consente na entrada de sua filha no Carmelo, mas somente aos vinte e um anos.
O dia 2 de agosto de 1901 traz também para Elisabeth a paz profunda de poder, enfim, dizer sim a Jesus que a quer no Carmelo. Nesta manhã, ela escreve ao Cônego Angles: “Nós comungaremos na Missa das oito horas e, depois disto, quando Ele estiver no meu coração, mamãe me conduzirá à porta da clausura!” Quando Ele estiver no meu coração…Ela termina: “Eu sinto que sou toda sua, que não reservo nada, lanço-me nos seus braços como uma criancinha”.
A 2 de agosto de 1901, data de sua entrada, vinte e quatro irmãs vivem no interior, e duas irmãs veleiras na habitação exterior. Elisabeth é a sétima jovem do “noviciado”, no qual se permanece ainda três anos após a profissão.
A 11 de janeiro de 1903, na festa da Epifania, após treze meses de noviciado, Irmã Elisabeth da Trindade, aceita por unanimidade por sua Comunidade, consagra-se a Deus pela Profissão.
Antes do final de março de 1906, Elisabeth entra na enfermaria do Carmelo. O enfraquecimento progressivo dos últimos meses a confina num esgotamento total. Alimenta-se sempre com maior dificuldade. É assim que Madre Germana classifica os oito meses e meio da terrível enfermidade de Elisabete.
Provavelmente após uma tuberculose, Elisabeth foi atingida pela doença de Addison, então incurável, afecção crônica das glândulas suprarrenais que não produziram mais as substâncias necessárias para o metabolismo. Donde resulta a astenia característica, perturbação gastrointestinal, náuseas, hipotensão arterial, uma quase impossibilidade de se alimentar, emagrecimento, tudo isto conduzindo a um esgotamento físico total e à morte. Sobre este estado geral se inserem, com Elisabeth, outras complicações, como ulcerações interiores, fortes dores de cabeça e insônias. À medida que ela se aproxima da morte, todos estes sintomas se manifestam mais violentamente.
“Madre Germana fala de seu corpo ‘comparável a um esqueleto’, literalmente calcinado’. Francisco de Sourdon, recordando-se do corpo de sua amiga exposto depois de sua morte, afirma: “Ela estava assustadora. Sentia-se uma criatura destruída, consumida”.
No dia de Todos os Santos, comunga pela última vez. Embora sua morte tenha sido dolorosa, Elizabeth aceitou com gratidão seu sofrimento como uma dádiva de Deus. Suas últimas palavras foram: "Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida!"
Elisabeth da Trindade foi beatificada em 25 de novembro de 1984, na Basílica de São Pedro no Vaticano pelo Papa João Paulo II. Ele a apresentou como modelo à juventude e a todos os contemplativos.
Em junho de 2016, o Vaticano anunciou a canonização de Elisabeth. No dia 16 de outubro de 2016, a então Beata Elisabeth foi canonizada pelo Papa Francisco, juntamente com outros 6 beatos, em cerimônia presidida na Praça de São Pedro, no Vaticano.