Isabel, Elizaveta, ou ainda, Elizabeth (Moscou, 29 de dezembro de 1709 – São Petersburgo, 5 de janeiro de 1762) foi a Imperatriz da Rússia de 1741 até sua morte. Era filha do imperador Pedro I da Rússia com sua segunda esposa a imperatriz Catarina I da Rússia, tendo ascendido ao trono em um golpe de Estado contra seu primo distante Ivã VI da Rússia.
Realizou numerosas reformas: abolição da pena de morte, estabelecimento do senado em 1743, criação de um conselho político supremo no mesmo ano, supressão das aduanas interiores em 1754, fundação da Universidade de Moscou no ano seguinte 1755 e da Academia de Artes da Rússia em 1757 e reorganização do comércio interno. Isabel também ampliou os poderes da nobreza — restringidos por Pedro I —, o que piorou a situação do campesinato.
Na política externa, apoiou militarmente Maria Teresa da Áustria durante a Guerra de Sucessão Austríaca. Durante a Guerra dos Sete Anos, integrou a coalizão entre Áustria, França, Saxônia, Suécia e Espanha contra o rei Frederico II da Prússia e seus aliados (Grã-Bretanha, Portugal e Hanôver). Sua aliança com Maria Teresa favoreceu a Áustria em sua disputa com a Prússia pela supremacia sobre os Estados Alemães e pela posse da Silésia. Sob seu comando, o poderio russo infligiu pesadas perdas ao exército prussiano. Entretanto, sua morte, em 1762, mudaria completamente os rumos do conflito, levando ao chamado Milagre da Casa de Brandemburgo.
Isabel era a segunda filha do Imperador Pedro, o Grande e de Catarina I da Rússia. Seus pais casaram-se secretamente na Catedral da Divina Trindade, em São Petesburgo, em novembro de 1707. A cerimônia pública aconteceu em Fevereiro de 1712. Como o casamento de seus pais não havia sido reconhecido publicamente à época de seu nascimento, Isabel poderia ser considerada ilegítima por seus adversários políticos para contestar seu direito ao trono. Foi proclamada princesa em 6 de março de 1711 e Csesarevna em 23 de dezembro de 1721.Dos doze filhos de Pedro e Catarina, cinco meninos e sete meninas, apenas duas, Ana e Isabel, sobreviveram à infância. Sua irmã Ana Petrovna foi prometida a Carlos Frederico, Duque de Holsácia-Gottorp, sobrinho do rei Carlos XII da Suécia, antigo adversário de seu pai. Pedro também tentou encontrar um bom pretendente para Isabel na corte real francesa, quando visitou o país. Sua intenção era casar sua segunda filha com o jovem Luís XV de França, mas os Bourbon recusaram a oferta. Isabel foi então prometida ao príncipe Carlos Augusto de Holsácia-Gottorp. Politicamente era uma aliança útil e respeitável. Porém, poucos dias antes do noivado, Carlos Augusto morreu e, até a morte de Pedro, nenhum plano de casamento para Isabel havia se concretizado.
Isabel foi uma criança inteligente e só não tornou-se brilhante intelectualmente porque sua educação formal foi imperfeita e inconstante. Ela era adorada por seu pai, que a via como uma espécie de "réplica feminina" de si próprio, tantas eram as semelhanças físicas e de temperamento entre eles. Entretanto, Pedro não tinha tempo disponível para dedicar à sua formação e sua mãe era demasiado simples e iletrada para supervisionar seus estudos. Isabel teve uma preceptora francesa e era fluente em italiano, alemão e francês, além de excelente dançarina e amazona. Desde a infância, ela encantava a todos com sua extraordinária beleza e vivacidade, sendo popularmente conhecida como a maior beleza do Império Russo.
Enquanto Alexandre Danilovitch Menchikov esteve no poder, Isabel foi tratada com generosidade e distinção por parte do governo de seu "meio-sobrinho", o adolescente Pedro II da Rússia. Porém, os Dolgoroukov, uma antiga família boiarda, tinham um profundo ressentimento de Menchikov. Pedro II aliou-se ao príncipe Ivã Dolgorukov que, contando com dois outros membro de sua família no Supremo Conselho de Estado, criou o ambiente ideal para um golpe bem sucedido. Menchikov foi preso, despojado de todas as suas honras e propriedades e exilado na Sibéria, onde morreu em novembro de 1729. Os Dolgoroukov odiavam a memória de Pedro I e praticamente baniram sua filha da corte.
Com a morte de seu pai e a ascensão de sua prima a czarina Ana da Rússia, que era sua adversária política, nenhuma corte real ou casa nobre da Europa poderia permitir que um filho cortejasse Isabel, pois poderia ser interpretado como um ato hostil à soberana Ana Ioannovna. Casar-se com um plebeu não seria possível, pois custaria à Isabel não apenas seu título, mas seus direitos às propriedades e ao trono. A princesa, então, tornou-se amante de Alexis Shubin, um belo sargento do Regimento Semenovsky. Shubin teve sua língua arrancada e foi banido para a Sibéria por ordem da czarina Ana da Rússia, fazendo com que Isabel, em represália, se envolvesse com um cocheiro e até mesmo com um garçom. Finalmente, ela encontrou consolo em um jovem cossaco ucraniano, com uma bela voz de baixo, que havia sido levado por um nobre a São Petesburgo para integrar o coro de uma igreja. Isabel adquiriu-o para seu próprio coro; seu nome era Alexei Grigorievich Razumovsky, um homem bom e simplório, mas perturbado pela ambição. Isabel foi dedicada a ele e não há indícios de que tenham se casado secretamente. Mais tarde, Razumovsky ficaria conhecido como o Imperador da Noite e Isabel (já como czarina) faria dele Príncipe e Marechal de campo. O imperador da Áustria também o tornaria Conde do Sacro-Império.
Durante o reinado de sua prima Ana (1730-1740) e a regência de Ana Leopoldovna (em nome do recém nato Ivã VI, um período marcado por altos impostos e problemas econômicos), Isabel procurou conquistar aliados nos bastidores da corte. O curso dos acontecimentos compeliram-na a derrubar o governo fraco e corrupto. Sendo filha de Pedro, o Grande, ela contava com grande apoio dos regimentos de guardas. Isabel visitava frequentemente esses regimentos, organizando eventos especiais com os oficiais e tornando-se madrinha de seus filhos. Sua bondade foi recompensada quando, na noite de 25 de novembro de 1741, Isabel assumiu o poder com a ajuda do Regimento Preobrazhensky. Chegando à sede do regimento, vestindo uma couraça de metal sobre seu vestido e segurando uma cruz de prata, ela declarou: Quem vocês querem servir: Eu, a soberana natural, ou aqueles que têm roubado a minha herança? De lá, as tropas marcharam para o Palácio de Inverno, onde prenderam o jovem czar, seus pais e seu próprio comandante, o Conde von Munnich. Foi um golpe ousado, que transcorreu sem derramamento de sangue. Isabel prometeu que, se fosse czarina, não assinaria uma única sentença de morte; uma promessa inusitada que ela, de forma notável, manteve ao longo de sua vida.
Aos 33 anos de idade, aquela mulher naturalmente indolente e autoindulgente, com pouco conhecimento e nenhuma experiência nos assuntos de Estado, viu-se como a cabeça de um grande império num dos períodos mais críticos de sua existência. Sua proclamação como tsarina Isabel I mostra porque os reinados anteriores levaram a Rússia à ruína:
O povo russo gemia sob os inimigos da fé cristã, mas ela o livrou da degradante opressão estrangeira.
A Rússia era dominada por conselheiros alemães e Isabel exilou os mais impopulares, entre eles Heinrich Ostermann, Burkhard von Munnich e Carl Gustav Lowenwolde. Isabel coroou a si própria na Catedral da Anunciação, em 25 de abril de 1742.
Felizmente, para si mesma e para a Rússia, mesmo com todos os seus defeitos (como demorar meses para assinar documentos), ela havia herdado algo do tino paterno para os assuntos de governo. Seu julgamento aguçado e seu tato diplomático também lembravam Pedro, o Grande. As atitudes que, eventualmente, pudessem denotar indecisão ou procrastinação de sua parte eram, na maioria das vezes, uma sábia suspensão de juízo em circunstâncias excepcionalmente difíceis.
As consideráveis mudanças introduzidas por seu pai não haviam exercido uma real influência no pensar das classes dominantes. Isabel teve mais sucesso nesse quesito e lançou as bases que seriam concluídas por Catarina II.