Isabel da Polônia (em polonês/polaco: Elżbieta, em húngaro: Erzsébet; 1305 – 29 de dezembro de 1380) foi princesa da Polônia por nascimento e rainha consorte da Hungria como a última esposa de Carlos I. Ela também foi regente do filho, Luís I, de 1370 a 1376, na Polônia, e antes disso, na Hungria, sempre que Luís se ausentava do reino, de quem era o braço direito indiscutível. Além de fundadora de igrejas, também foi ativa na política, e esteve envolvida no conflito entre a Hungria e Nápoles pela sucessão ao trono napolitano, no qual seu outro filho, André, estava envolvido. Apesar de ter sido regente de seu país nativo após a morte do irmão, ela não foi popular com a nobreza, que zombava de sua deficiência causada por um atentado na Hungria, e também por ter levado para a corte polaca nobres húngaros. A tensão entre polacos e húngaros culminou numa briga que acabou com a morte de muitos dos empregados de Isabel. De volta ao reino do filho, até pouco tempo antes de sua morte, em 1380, a rainha mãe ainda se envolvia na política, para assegurar os direitos aos tronos das netas, Maria, na Hungria, e Edviges, na Polônia.
Isabel foi a segunda filha nascida de Ladislau I, o Breve e de Edviges de Kalisz.
Os seus avós paternos eram o duque Casimiro I da Cujávia e Eufrosina de Opole. Os seus avós maternos eram Boleslau, o Piedoso, duque da Grande Polônia e a princesa Iolanda da Polônia.
Ela teve cinco irmãos, mas apenas dois chegaram à idade adulta: Cunegunda, cujo primeiro marido foi Bernardo, Duque de Swidnica e o segundo foi Rodolfo I, Duque de Saxe-Wittenberg, e o rei Casimiro III, sucessor do pai.
No dia 6 de julho de 1320, quando tinha 14 ou 15 anos, Isabel se casou com o rei Carlos I da Hungria, que tinha ficado viúvo em 1319, após a morte de Beatriz de Luxemburgo, durante o parto. Não se sabe ao certo se Isabel foi a terceira ou quarta esposa do monarca, pois ele pode ou não ter se casado com Maria da Galícia como sua primeira esposa, no início de 1305 ou fim de 1306, uma filha de Leão II da Galícia, rei da Rutênia, segundo o historiador húngaro, Gyula Kristó, que afirma que três documentos da época atestam isso, incluindo um documento datado de 1326, em que o próprio Carlos declara que uma vez viajou para a Rutênia (Reino da Galícia-Volínia), para levar sua primeira esposa para a Hungria. No entanto, segundo a historiadora, Enikő Csukovits, a noiva teria morrido antes do casamento.
Com o casamento entre Isabel e Carlos, os laços entre a Polônia e Hungria foram fortalecidos, e um longo período de sociedade, especialmente no comércio e política, existiu entre os dois reinos. Sabe-se que rei e a rainha tiveram cinco filhos homens, porém, é possível que Isabel também fosse mãe de Catarina, Duquesa de Swidnica, por sua vez mãe de Ana de Swidnica, esposa de Carlos IV do Sacro Império Romano-Germânico, e de Isabel, Duquesa de Niemodlin, embora a maternidade delas também seja atribuída à Maria de Bitom, primeira ou segunda esposa do rei Carlos. No entanto, historiadores modernos rejeitam a possibilidade de Catarina e Isabel serem filhas de Maria.
No dia 17 de abril de 1330, ocorreu o incidente conhecido como o "Caso de Zah". O rei, a rainha e seus dois filhos mais novos estavam jantando no Palácio de Visegrado, quando Felician Zah, um poderoso nobre e cavaleiro húngaro que servia o rei Carlos I, que voltava da Boêmia de uma missão diplomática, invadiu a residência com a intenção de matar a família real. Na tentativa de defender o marido ou os filhos, Isabel perdeu quatro dedos da mão direita. O rei teve sua mão direita ferida também, e os filhos do casal foram atacados por Zah. Nicholas Kenecsis e Nicholas Drugeth, os tutores dos príncipes, sofreram ferimentos ao tentar defendê-los. João de Ákos, o segundo copeiro da rainha enfrentou o nobre, e o apunhalou no pescoço.
Ninguém sabe ao certo o motivo por trás do atentado com absoluta certeza. Segundo um cronista italino da época, no entanto, Casimiro, o irmão de Isabel e futuro rei da Polônia, visitava a corte húngara quando seduziu e estruprou Clara, a filha de Zah, que também era dama de companhia da rainha Isabel; segundo ele, Isabel sabia do ocorrido. Já o o cronista Henrik de Mügeln alega em sua obra Chronik der Hunen, que Casimiro dormiu com a garota com o consentimento da rainha. Quando o pai dela descobriu, o príncipe já havia retornado à Polônia, porém, Zah acreditava que a rainha havia ajudado o irmão a cometer o crime. Portanto, ele teria atacado a família real buscando vingança pela honra roubada da filha, tendo Isabel sido o seu alvo central. Após o fracasso da vingança, o rei Carlos torturou os membros próximos da família de Zah até a morte, inclusive Clara, enquanto que parentes distantes foram despojados de suas propriedades.
Segundo é descrito na Crônica Pictórica:
"… Felician, esgueirando-se sem ser notado, aproximou-se da mesa do rei e, desembainhando sua espada afiada, com um ataque feroz como um cão raivoso, quis matar impiedosamente o rei, a rainha e seus filhos. No entanto, como a misericórdia do Deus misericordioso o impediu, ele não pôde realizar o que queria. Mesmo assim, infligiu um leve ferimento na mão direita do rei. Mas – oh, que dor! – ele imediatamente cortou os quatro dedos da mão direita da santa rainha, que ela usava para estender com compaixão aos pobres, aos miseráveis e aos caídos ao distribuir esmolas. Com esses dedos, ela costurou várias toalhas de mesa para inúmeras igrejas, com as quais enviava incansavelmente paramentos e cálices roxos caros aos altares e aos sacerdotes.”
O cadáver de Záh foi desmembrado, sua cabeça foi enviada para exibição em Buda (atual Budapeste), enquanto que suas mãos e pés foram exibidos noutro lugar. O seu único filho e o seu servo foram capturados e tiveram seus membros arrancados por cavalos. Sua filha mais velha, Sebe, foi decapitada. Já Clara, a vítima de Casimiro, teve seus lábios e nariz cortados, junto a quatro dedos em ambas as mãos - em referência ao que houve com a rainha - tendo sobrado apenas os polegares. Clara também foi colocada em cima de um cavalo, e desfilada pelas ruas de várias cidades, para que sua punição servisse como um aviso para quem quisesse atacar a família real. Tudo isso foi feito segundo as leis de Estêvão I da Hungria, pela qual violência seria punida em igual medida. No entanto, as mesmas leis ditavam que se alguém fosse culpado de planejar a morte do rei, ele seria sujeito a pena capital, mas seus bens e filhos inocentes permaneceriam incólumes. A última parte não foi obedecida, e além de seus filhos, os netos e irmãs de Záh também foram executados, e qualquer pessoa que tivesse parentesco com o nobre até o sétimo grau, teve suas propriedades confiscadas. João, o copeiro que combateu o atacante, recebeu a maioria desses bens pela sua participação na defesa da família.
Até os cronistas ficaram horrorizados com a cruel vingança, e, aparentemente, o rei também sentiu algum remorso mais tarde pela brutalidade da punição.
Uma cópia que data do século XVI, da sentença de Felician Záh após sua morte, atribui o motivo do ataque à perda de seus títulos e posições, que teriam sido retirados por Carlos I. Apesar disso, há uma londa tradição na historiografia húgara de culpar Isabel pelo atentado, ao fazer de rainhas um bode espiatório. Um exemplo disso é a história de Gertrudes da Merânia, primeira esposa de André II da Hungria, assassinada em 1213. A rainha Gertrudes também foi considerada culpada na crônica de Mügeln por ajudar o seu irmão, Bertoldo, arcebispo de Kalocsa, a estuprar a esposa de Bánk Bár-Kalán, o Palatino da Hungria. Devido a isso, Bánk e seus companheiros assassinaram a rainha.
Enquanto o marido estava vivo, Isabel escondeu a sua ambição políticas. Entretanto, ela era uma rainha consorte ativa, e costumava fundar casas religiosas desde da época do reinado de Carlos I, e portanto, muitas das novas igrejas da Hungria dessa época deviam sua existência à rainha. Ao longo de sua vida, ela fundou 25 igrejas e instuições religiosas.