Neste Dia

Isabel Bowes-Lyon

Rainha consorte do Reino Unido (1936–52) e Imperatriz consorte da Índia (1936–48)

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Isabel Ângela Margarida Bowes-Lyon, em inglês: Elizabeth Angela Marguerite Bowes-Lyon; (Londres, 4 de agosto de 1900 – Windsor, 30 de março de 2002) foi Rainha Consorte do Reino Unido e dos Domínios Britânicos de 11 de dezembro de 1936 a 6 de fevereiro de 1952, como esposa do Rei-Imperador Jorge VI, além de ter sido a última Imperatriz Consorte da Índia até a dissolução do Raj britânico em 15 de agosto de 1947. Após a morte de seu marido, ela foi oficialmente conhecida como Rainha Isabel, a Rainha Mãe, para evitar confusão com sua filha, a Rainha Isabel II.

Nascida na nobreza britânica, era filha de Claude Bowes-Lyon, 14.º Conde de Strathmore e Kinghorne, e sua esposa Cecília Cavendish-Bentinck. Ela ganhou proeminência em 1923 ao se casar com o príncipe Alberto, Duque de Iorque, o segundo filho do rei Jorge V e da rainha Maria. O casal e suas duas filhas representavam os ideais de família e serviço público. Isabel participou de uma grande variedade de eventos públicos e ficou conhecida popularmente como a "duquesa sorridente".

Em 1936, seu marido inesperadamente se tornou rei quando seu irmão Eduardo VIII abdicou para se casar com Wallis Simpson. Como rainha consorte, Isabel acompanhou Jorge VI em viagens diplomáticas pela França e América do Norte antes do início da Segunda Guerra Mundial. Seu espírito indômito foi uma fonte de apoio moral ao povo britânico durante o conflito. Em reconhecimento ao seu papel de trunfo para os interesses britânicos, Adolf Hitler a descreveu como "a mulher mais perigosa na Europa". Após a guerra, a saúde do rei piorou e ele morreu em 1952.

Com a morte da rainha Maria em 1953, Eduardo VIII morando no exterior e sua filha sendo rainha, Isabel se tornou o membro mais velho da família real britânica e assumiu uma posição matriarcal. Nos anos posteriores, ela sempre foi popular com o público, mesmo com outros membros da família passando por períodos de impopularidade. Ela continuou a ter uma ativa vida pública até alguns meses antes de morrer aos 101 anos, sete semanas depois da morte de sua filha Margarida.

Isabel Ângela Margarida Bowes-Lyon nasceu no dia 4 de agosto de 1900, a nona criança de um total de dez de Claude Bowes-Lyon, Lorde Glamis (posteriormente o 14.º Conde de Strathmore e Kinghorne) e sua esposa Cecília Cavendish-Bentinck. Sua mãe era bisneta do primeiro-ministro britânico William Cavendish-Bentinck, 3.º Duque de Portland, e descendia também do governador-geral da Índia Richard Wellesley, 1.º Marquês Wellesley, irmão mais velho do também primeiro-ministro Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington.

O local de seu nascimento permanece incerto, porém é provável que ela tenha nascido na casa de seus pais de Westminster em Belgrave Mansions, Grosvenor Gardens, ou em uma ambulância puxada por cavalos no caminho para o hospital. Outros locais possíveis inclui a Casa Forbes em Londres, residência de sua avó materna Caroline Louisa Burnaby. Seu nascimento foi registrado em Hitchin, Hertfordshire, perto da casa de campo dos Strathmore, St Paul's Walden Bury, que foi dado como seu local de nascimento no censo do ano seguinte. Isabel foi batizada na Igreja de Todos os Santos ali perto em 23 de setembro, com suas madrinhas incluindo sua tia paterna Maud Bowes-Lyon e sua prima Venetia James.

Ela passou grande parte de sua infância em St Paul's Walden e no Castelo de Glamis, a casa ancestral dos condes na Escócia. Isabel teve uma educação particular por uma governanta até os oito anos de idade, gostando de esportes, pôneis e cachorros. Quando começou a estudar em uma escola de Londres, ela surpreendeu seus professores ao começar uma redação com duas palavras gregas tiradas de Anábase, de Xenofonte. Suas matérias preferidas eram literatura e redação. Isabel voltou a ser educada por uma governanta, a judia alemã Käthe Kübler, passando no Exame Local de Oxford aos treze anos.

O Reino Unido declarou guerra contra o Império Alemão no dia do aniversário de catorze anos de Isabel, iniciando assim a Primeira Guerra Mundial. Quatro de seus irmãos serviram no exército. O mais velho, Fergus, oficial d'A Guarda Negra, foi morto durante a Batalha de Loos em 1915. Seu irmão Michael foi relatado como desaparecido em 28 de abril de 1917. A família descobriu três semanas depois que ele havia sido ferido e capturado. Ele permaneceu em um campo de prisioneiros de guerra pelo restante da guerra. Michael voltou e foi para uma casa convalescente para soldados feridos que Isabel ajudava a administrar. Ela foi particularmente útil ao organizar o resgate dos conteúdos do Castelo de Glamis durante um incêndio em 16 de setembro de 1916. Um dos soldados que ela tratou escreveu no livro de autógrafos de Isabel que ela deveria ser "Pendurada, puxada e aquartelada ... pendurada em diamantes, puxada por uma carruagem e aquartelada na melhor casa do país".

Na juventude, ela foi cortejada por Sir Archibald Clark Kerr (o futuro Primeiro Barão Inverchapel e Embaixador na União Soviética e Estados Unidos), mas rejeitou-o. Na década de 1920, Isabel, ao lado dos cunhados Eduardo e Jorge, era membro do Bright Young Things (Loucos e Decadentes), grupo de jovens aristocratas e socialites boêmios em Londres. Ela participava de jogos e caças ao tesouro na noite londrina.

O príncipe Alberto, Duque de Iorque – chamado de "Bertie" por sua família – era o segundo filho do rei Jorge V do Reino Unido e da rainha Maria de Teck. Ele pediu Isabel em casamento pela primeira vez em 1921, porém ela recusou por ter "medo de nunca, nunca mais ter a liberdade de pensar e agir como sinto que eu realmente deveria". Quando ele declarou que não se casaria com outra, sua mãe a rainha Maria decidiu visitar os Bowes-Lyon para conferir ela mesma a garota que havia roubado o coração de seu filho. Ela acabou ficando convencida que Isabel era "a única garota que poderia fazer Bertie feliz", mas mesmo assim decidiu não interferir. Ao mesmo tempo, Isabel foi cortejada por James Stuart, o secretário de Alberto, até ele ter deixado o serviço do príncipe por um trabalho melhor em um negócio petrolífero nos Estados Unidos.

Em fevereiro de 1922, Isabel foi uma das damas de honra no casamento de Maria, Princesa Real e irmã de Alberto, com Henrique Lascelles, Visconde Lascelles. Alberto a pediu em casamento novamente um mês depois, porém ela recusou outra vez. Eventualmente, ela aceitou em janeiro de 1923, mesmo com receios sobre uma vida na realeza. A liberdade que Alberto teve ao escolher Isabel, filha de um nobre não pertencente a uma casa real, foi considerada um gesto em favor de uma modernização política; anteriormente, era esperado que príncipes se casassem com princesas de outras famílias reais. Eles escolheram um anel de noivado feito de platina com uma safira da Caxemira e dois diamantes adornando as laterais. Eles se casaram na Abadia de Westminster em 23 de abril de 1923. Inesperadamente, Isabel colocou seu buquê na tumba do Soldado Desconhecido na entrada da abadia, uma homenagem a seu irmão Fergus. Ela passou a ser chamada de "Sua Alteza Real, a Duquesa de Iorque". Depois de um café da manhã festivo realizado no Palácio de Buckingham e preparado pelo chef Gabriel Tschumi, o duque e a duquesa passaram a lua de mel em Polesden Lacey, uma mansão em Surrey, então indo para a Escócia onde Isabel contraiu uma "nada romântica" tosse convulsa.

Depois de uma visita bem-sucedida à Irlanda do Norte em julho de 1924, o governo trabalhista concordou que Alberto e Isabel poderiam viajar pelo Leste da África entre dezembro de 1924 e abril de 1925. O governo trabalhista foi derrotado nas eleições de novembro pelos conservadores, algo que Isabel descreveu a sua mãe como "maravilhoso", e três semanas depois o governador-geral do Sudão Anglo-Egípcio, sir Lee Stack, foi assassinado. Mesmo assim a viagem continuou e o casal visitou Áden, Quênia, Uganda e Sudão, porém o Egito foi evitado por causa das tensões políticas.

Alberto sofria de gagueira, algo que muito afetava sua capacidade de discursar; assim, a partir de outubro de 1925 Isabel passou a ajudá-lo durante sessões de terapia com Lionel Logue. O casal teve sua primeira filha no ano seguinte, a princesa Isabel – chamada de "Lilibet" pela família. A segunda filha nasceu quatro anos depois, a princesa Margarida. O duque e a duquesa, sem a filha, viajaram pela Austrália em 1927 para abrir o Parlamento da Austrália em Camberra. Ela ficou "muito infeliz em deixar a bebê", como a própria colocou. Sua jornada através do mar passou pela Jamaica, o canal do Panamá e o oceano Pacífico; Isabel muito se preocupava com sua filha no Reino Unido, porém a viagem foi um grande sucesso. Ela encantou o povo de Fiji quando apertou a pata de um cachorro durante uma cerimônia em que cumprimentava uma longa fila de convidados oficiais. Ela ficou resfriada na Nova Zelândia e não compareceu a alguns compromissos, porém gostou de pescar na Baía das Ilhas acompanhada pelo pescador esportivo australiano Harry Andreas. Na viagem de volta, passando por Maurício, o canal de Suez, Malta e Gibraltar, seu navio o HMS Renown pegou fogo e ela e Alberto se preparam para abandonar a embarcação antes do incêndio ser controlado.

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