A Irlanda (em irlandês: Éire; [ˈeːɾʲə] () e em inglês: Ireland [ˈaɪərlənd], localmente: [ˈaːɹlənd] ou [ˈaɪɹlənd]), por vezes chamada (de maneira não oficial, para diferenciá-la da ilha de mesmo nome, que divide com a Irlanda do Norte) República da Irlanda (em irlandês: Poblacht na hÉireann e em inglês: Republic of Ireland) ou então Eire, é um estado soberano da Europa que ocupa cerca de cinco sextos da ilha homônima. É uma república constitucional governada como uma democracia parlamentar, com um presidente eleito para servir como chefe de Estado. Considerada um país desenvolvido, a Irlanda tem o terceiro maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, além de ótimas classificações em índices que medem o grau de democracia e liberdades como a de imprensa, econômica e política. Além da União Europeia (UE), a Irlanda também é membro do Conselho da Europa, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Sua capital é Dublin e a população do país é estimada em 5,3 milhões de habitantes.
O Estado moderno irlandês foi fundado em 1922 como o Estado Livre Irlandês, um domínio dentro do Império Britânico, na sequência do Tratado Anglo-Irlandês que pôs fim à Guerra de Independência da Irlanda. A partição da Irlanda já havia sido prevista na legislação britânica anterior a 1921, como forma de resposta à oposição irlandesa ao Home Rule britânico ou aos movimentos de independência de unionistas, que formaram uma maioria na parte nordeste do país. Seis dos nove condados da província nortista do Ulster foram então estabelecidos como a Irlanda do Norte, uma parte do Reino Unido, com o qual o Estado irlandês divide a sua única fronteira terrestre. A Irlanda é cercada pelo Oceano Atlântico, com o mar Céltico ao sul, o Canal de São Jorge a sudeste e o Mar da Irlanda a leste.
Em 1801, os reinos da Irlanda e da Grã-Bretanha, anteriormente em uma união pessoal, foram unidos para formar o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Após uma revolta fracassada em 1916, em 1919 os parlamentares nacionalistas irlandeses apoiaram a criação da República Irlandesa e formaram um parlamento separatista, enquanto o Exército Republicano Irlandês lançou uma guerra de guerrilha para realizar a independência. O Tratado Anglo-Irlandês de 1922 concluiu essa guerra e estabeleceu o Estado Livre da Irlanda como um domínio de auto-governado dentro da Commonwealth britânica. A Irlanda do Norte optou por permanecer como parte do Reino Unido. O estado independente aumentou a sua soberania através do Estatuto de Westminster, em 1931, e com a crise de abdicação de 1936. Uma nova constituição, em 1937, declarou um Estado soberano chamado Irlanda (Éire). O Ato da República da Irlanda proclamou a Irlanda como uma república em 1949, removendo os direitos remanescentes dos monarcas. O país, consequentemente, retirou-se da Commonwealth britânica.
Apesar de atualmente estar entre os países mais ricos do mundo em termos de PIB per capita, a Irlanda foi uma das nações mais pobres na Europa enquanto esteve sob domínio do Reino Unido e durante décadas após a sua independência. O protecionismo econômico foi desmantelado no final dos anos 1950 e a Irlanda aderiu à Comunidade Econômica Europeia em 1973. O liberalismo econômico a partir do final dos anos 1980 em diante resultou em uma rápida expansão da economia do país, particularmente de 1995 a 2007, o que ficou conhecido como o período do Tigre Celta. Uma crise financeira sem precedentes, a partir de 2008, prejudicou esta era de rápido crescimento econômico; porém, a partir de 2012, a economia irlandesa voltou a crescer e, em 2017, a Irlanda cresceu três vezes mais que qualquer outro país europeu.
O artigo 4.º da Constituição irlandesa, que foi adotada em 1937, declara que "o nome do estado é Éire, ou, no idioma inglês, Ireland". Para todos os fins oficiais, inclusive nos tratados internacionais e em outros documentos legais, onde a linguagem dos documentos é o inglês, o governo irlandês usa o nome Ireland. O mesmo é utilizado em relação ao nome Éire nos documentos escritos em gaélico. As Instituições da União Europeia seguem a mesma prática. Desde que a língua irlandesa se tornou uma das línguas oficiais da UE, em 1 de janeiro de 2007, o nome das chapas que identificam os membros representantes do Estado irlandês durante as reuniões da UE, têm escrito Éire — Ireland, tal como é feito nos passaportes irlandeses.
Desde 1949, o Acto da República da Irlanda, tem o nome de República da Irlanda como designação oficial para o Estado. A lei destinava-se principalmente a declarar que a Irlanda era uma república em vez de uma monarquia constitucional. Previa-se a designação oficial passar a ser o seu nome oficial, mas isso não aconteceu. Em 1989, o Supremo Tribunal de Justiça irlandês rejeitou um mandado de extradição do uso de República da Irlanda. Nas palavras do Presidente do Tribunal, Sir Nicholas Walsh, "se os tribunais de outros países que procuram a ajuda deste país não estão dispostos a dar esse Estado constitucional, em corrigir o seu nome reconhecido internacionalmente, devem, em seguida, na minha opinião, os mandados serem devolvidos a esses países, até eles serem corrigidos".
O que é agora Irlanda tem sido conhecida por uma série de outros nomes, de todos os que ainda são utilizados, por vezes, de forma oficiosa. Toda a ilha da Irlanda foi, unilateralmente, proclamada uma república independente pelos rebeldes em 1916, e denominada como o República da Irlanda (em irlandês: Poblacht na hÉireann, posteriormente Saorstát Éireann). Na sequência da eleição geral de 1918, a proclamação foi ratificada pelos deputados do seu primeiro Parlamento. Entre 1921 e 1922, quando o governo britânico legislou estabelecer o que é hoje a Irlanda, como uma região autónoma do Reino Unido, foi chamado Irlanda do Sul. Na sequência do Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1922 e até 1937, como um domínio da Comunidade Britânica das Nações, que foi denominado como Estado Livre Irlandês (em irlandês: Saorstát Éireann). Esse nome foi abolido com a aprovação da actual Constituição irlandesa. Outros nomes, tais como o Estado Livre, Vinte e seis condados do Sul e O Sul (um nome frequentemente usado por pessoas da Irlanda do Norte) também são frequentemente utilizados.
A Escócia leva o nome de "Scotus", termo latino que significa "irlandês" (a forma plural é "Scoti"). Refere-se aos colonizadores gaélicos da Irlanda, um país que os romanos inicialmente chamaram de "Scotia" (forma derivada de "Scotus"). Os irlandeses que colonizaram a Escócia atual eram conhecidos como "escoceses". Os romanos da fase do baixo império usavam o nome "Caledonia" para se referir à Escócia atual.
O primeiro assentamento conhecido na Irlanda surgiu por volta de 8000 a.C., quando os caçadores-coletores chegaram da Europa continental, provavelmente através de uma ponte terrestre. Os primeiros celtas chegaram por volta de 1600 a.C., data de fundação da Irlanda Céltica. Politicamente, os celtas dividiram a Irlanda em quatro províncias: Leinster, Munster, Ulster e Connacht. Antes de sua chegada, as unidades básicas da sociedade irlandesa eram os Tuatha, ou pequenos reinos, cada um dos quais era bastante pequeno, aproximadamente 150 tuathas para uma população de menos de 500 000 pessoas. Todo o território era governado por um monarca chamado Grande Rei da Irlanda.
A lista tradicional daqueles nomeados com o título de "Rei Supremo da Irlanda" data de milhares de anos, desde meados do II milênio a.C., embora as primeiras partes da lista sejam bastante míticas. Não há certeza em que ponto da lista começa a se referir a indivíduos históricos e também em que ponto esses indivíduos podem ser chamados de "Rei Supremo", no sentido subsequente da palavra. Essa estrutura social foi adaptada ao estilo de vida celta, sempre predisposto a se organizar em unidades tribais relativamente pequenas e autônomas. Os Anais dos Quatro Mestres (em irlandês, Annala Rioghachta Éireann) são uma crônica da história da Irlanda. As entradas abrangem datas entre 2242 a.C. e 1616 d.C., embora se acredite que as primeiras entradas se refiram a datas em torno de 550 a.C.. Eles são uma compilação de anais anteriores, embora existam alguns trabalhos originais. Eles foram coletados entre 1632 e 1636 no mosteiro franciscano do condado de Donegal.