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Ion Mihai Pacepa

General Romeno

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Ion Mihai Pacepa (Bucareste, 28 de outubro de 1928 – 14 de fevereiro de 2021) foi um general três estrelas da Securitate (a polícia secreta da Romênia comunista) que desertou para os Estados Unidos em julho de 1978 após a aprovação do presidente Jimmy Carter de seu pedido de asilo político. Ele é o desertor de maior patente do antigo Bloco de Leste, e escreveu livros e artigos sobre o funcionamento interno dos serviços de inteligência comunistas. Sua obra mais conhecida é o livro Desinformação: Ex-chefe de espionagem revela estratégias secretas para solapar a liberdade, atacar a religião e promover o terrorismo.

No momento da sua deserção, Pacepa tinha simultaneamente o posto de conselheiro do presidente Nicolae Ceauşescu, chefe do seu serviço de inteligência estrangeiro e secretário estadual de Ministério do Interior da Roménia. Tendo refugiado-se na embaixada americana em Bonn, na Alemanha, ele foi levado secretamente em avião militar para os Estados Unidos depois que o presidente Jimmy Carter aprovou o seu pedido de asilo político.

Posteriormente, trabalhou na CIA em várias operações contra o antigo Bloco de Leste. A CIA descreveu sua colaboração como "uma contribuição importante e única para os Estados Unidos".

Ion Mihai Pacepa foi general da polícia secreta da Romênia comunista, antes de pedir demissão do seu cargo e fugir para os EUA no fim da década de 70. Considerado um dos maiores “detratores” de Moscou, Pacepa concedeu entrevista a ACI Digital e revelou a conexão entre a União Soviética e a Teologia da Libertação na América Latina.

Morreu nos Estados Unidos em 14 de fevereiro de 2021, aos 92 anos de idade, de COVID-19.

Atividade na inteligência romena

O pai de Ion Mihai Pacepa (nascido em 1893) foi criado em Alba Iulia, na região da Transilvânia do Império Austro-Húngaro, onde trabalhou na pequena fábrica de utensílios de cozinha de seu próprio pai. Em 1º de dezembro de 1918, a Transilvânia uniu-se à Romênia e, em 1920, o pai de Pacepa mudou-se para Bucareste e trabalhou para a filial local da montadora americana General Motors.

Nascido em Bucareste em 1928, Ion Mihai Pacepa estudou química industrial na Universidade Politécnica de Bucareste entre 1947 e 1951, mas poucos meses antes de se formar, ele foi convocado pela Securitate e obteve seu diploma de engenharia apenas quatro anos depois. Ele foi designado para a Diretoria de Contra-sabotagem da Securitate. Em 1955, foi transferido para a Diretoria de Inteligência Estrangeira.

Em 1957, Pacepa foi nomeado chefe da estação de inteligência romena em Frankfurt, na Alemanha Ocidental, onde serviu por dois anos. Em outubro de 1959, o Ministro do Interior Alexandru Drăghici (en) nomeou-o chefe do novo departamento de espionagem industrial da Romênia, o C&T (abreviação de Ştiinţă şi Tehnologie, que significa "ciência e tecnologia" em romeno) do Diretório I. Ele era o chefe da espionagem industrial romena, que ele administrou até desertar em 1978. Ele esteve envolvido com o estabelecimento da indústria automobilística da Romênia, e com o desenvolvimento de suas indústrias de microeletrônica, polímeros e antibióticos.

De 1972 a 1978, Pacepa também foi conselheiro do presidente Nicolae Ceauşescu para o desenvolvimento industrial e tecnológico e vice-chefe do serviço de inteligência estrangeira romeno.

Pacepa desertou em julho de 1978 entrando na Embaixada dos Estados Unidos em Bonn, na Alemanha Ocidental, para onde foi enviado por Ceauşescu com uma mensagem ao chanceler Helmut Schmidt. Ele foi levado secretamente para a Base Aérea Andrews, perto de Washington, em um avião militar dos Estados Unidos.

Em uma carta para sua filha, Dana, publicada no jornal francês Le Monde em 1980 e transmitida repetidamente pela Rádio Europa Livre, Pacepa explicou o motivo da deserção: "Em 1978 recebi ordem para organizar o assassinato de Noël Bernard, o diretor do programa romeno da Rádio Europa Livre, que enfurecera Ceausescu com seus comentários. Foi no final de julho quando recebi essa ordem, e finalmente tive que decidir entre ser um bom pai e um criminoso político. Conhecendo você, Dana, estava firmemente convencido de que você preferiria nenhum pai a um que fosse um assassino."

Noël Bernard morreu em 1981 de câncer; sua esposa, Ioana Măgură-Bernard, sugeriu que ele havia sido irradiado pela Securitate. Ela também relacionou a morte de Bernard às de jornalistas da RFE, tais como Cornel Chiriac (morto a facadas em circunstâncias misteriosas), Emil Georgescu e Vlad Georgescu; ambos, como Bernard e outros, morreram de câncer em rápida sucessão. Esta hipótese parece ser corroborada pelo seu dossiê da Securitate, que juntou um artigo de uma revista que fala de Noël sendo operado, com uma nota que afirma que o artigo confirma "as medidas por nós empreendidas começam a surtir efeito". As evidências sugerem o uso de uma arma chamada Radu que, segundo Pacepa, é uma arma radiológica usada pela Securitate contra dissidentes e críticos. "Radu" é um nome romeno usado como referência a "radiação", com a intenção de desenvolver câncer no alvo, o que resultaria em morte poucos meses após a exposição.

A deserção de Pacepa destruiu a rede de inteligência da Romênia comunista e, por meio das revelações da atividade de Ceausescu, afetou sua credibilidade e respeitabilidade internacionais. Um artigo publicado pelo The American Spectator em 1988 resumiu a devastação causada pela "espetacular" deserção de Pacepa: "Sua passagem do Leste para o Oeste foi um evento histórico, pois ele se preparou com tanto cuidado e tão completo foi o seu conhecimento da estrutura, dos métodos, dos objetivos e das operações do serviço secreto de Ceaușescu que, em três anos, toda a organização tinha sido eliminada. Não sobrou um único oficial de alto escalão, nem uma única operação importante ainda estava acontecendo. Ceauşescu teve um colapso nervoso e deu ordens para o assassinato de Pacepa. Pelo menos dois esquadrões de assassinos vieram aos Estados Unidos para tentar encontrá-lo e, recentemente, um dos ex-agentes de Pacepa - um homem que fez pequenos milagres roubando tecnologia ocidental na Europa a mando da Romênia - passou vários meses no Leste Coast, tentando localizá-lo. Eles não tiveram sucesso."

Durante setembro de 1978, Pacepa recebeu duas sentenças de morte da Romênia comunista, e Ceauşescu decretou uma recompensa de US$ 2 milhões por sua morte. Yasser Arafat e Muammar Gaddafi estabeleceram mais US$ 1 milhão cada. Na década de 1980, a polícia política da Romênia convocou Carlos, o Chacal, para assassinar Pacepa nos Estados Unidos em troca de US$ 1 milhão. Documentos encontrados nos arquivos da inteligência romena mostram que a Securitate deu a Carlos todo um arsenal para usar na "Operação 363" para assassinar Pacepa nos Estados Unidos. Incluídos estavam 37kg explosivos plásticos EPP/88, sete submetralhadoras, uma pistola Walther PP de série #249460 com 1306 balas, oito pistolas Stechkin com 1049 balas e cinco granadas de mão UZRG-M.

Carlos não conseguiu encontrar Pacepa, mas em 21 de fevereiro de 1980, ele executou um atentado à bomba contra uma parte da sede da Rádio Europa Livre em Munique, que estava transmitindo notícias da deserção de Pacepa. Cinco diplomatas romenos na Alemanha Ocidental, que ajudaram Carlos, o Chacal nessa operação, foram expulsos do país.

Em 7 de julho de 1999, a decisão da Suprema Corte da Romênia nº 41/1999 cancelou as sentenças de morte de Pacepa e ordenou que suas propriedades, confiscadas por ordem de Ceauşescu, fossem devolvidas a ele. O governo da Romênia se recusou a obedecer. Em dezembro de 2004, o novo governo da Romênia restaurou a patente de general de Pacepa.

Segundo Michael Ledeen, em 2016, as duas sentenças de morte continuaram em vigor, e Pacepa "vive em segredo" desde sua deserção.

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