InSight (abreviação de Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport, e anteriormente denominada GEMS) foi uma missão espacial estadunidense operada pela NASA, com destino ao planeta Marte. A sonda foi lançada em 5 de maio de 2018 às 11h05 UTC através de um veículo lançador Atlas V. A missão InSight terá como objetivo colocar uma aterrissador equipado com um sismógrafo e um medidor fluxo de calor, para pesquisar sobre a evolução dos denominados "planetas interiores" ou "planetas rochosos" (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, incluindo até mesmo a Lua).
O aterrissador seria inicialmente lançado em março de 2016, mas devido a problemas relacionados a vácuo encontrados no instrumento SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), a NASA anunciou em dezembro de 2015 que a missão teria de ser adiada, com o lançamento sendo reprogramado em março de 2016 para 5 de maio de 2018. A sonda aterrissou em Marte no dia 26 de novembro de 2018.
A missão foi operada pela NASA e gerenciada pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL). O programa InSight foi selecionado como o finalista do Programa Discovery, eliminando os programas Titan Mare Explorer (TIME) e o programa Comet Hopper (CHopper) em agosto de 2012.
O programa InSight foi inicialmente denominado como GEMS (Geophysical Monitoring Station), mas seu nome foi alterado no início de 2012 a pedido da NASA. De 28 propostas de 2010, foi um dos três finalistas do Programa Discovery, recebendo três milhões de dólares em maio de 2011 para o desenvolvimento de um estudo de conceito detalhado. Em agosto de 2012, o programa InSight foi finalmente selecionada para ser desenvolvido e lançado. O programa é administrado pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, com a participação de cientistas de vários países. O orçamento missão é cotada em 425 milhões de dólares, sem incluir o financiamento do veículo de lançamento. A NASA iniciou a construção do aterrissador em 19 de maio de 2014, com testes gerais começando a partir de 27 de maio de 2015.
Uma falha persistente de vácuo no sismógrafo denominado "Seismic Experiment for Interior Structure" (abreviado como SEIS) levou a NASA a adiar o lançamento inicialmente planejado em março de 2016 para maio de 2018. O Jet Propulsion Laboratory assumiu a tarefa de redesenhar e construir um novo recipiente de vácuo do SEIS, com a agência espacial francesa (CNES) sendo responsável pela manipulação de integração de instrumentos e atividades de teste. Em 1976, a NASA teve dificuldades com falhas nos sismógrafos interplanetários das sondas do Programa Viking.
A sonda InSight foi devolvida à fábrica da Lockheed Martin no estado do Colorado para ser armazenada, e o foguete Atlas V destinado a lançá-la foi utilizado na missão WorldView-4.
A NASA anunciou em 9 de março de 2016 que o lançamento da sonda seria adiado para a janela de lançamento de 2018, com um custo adicional de 150 milhões de dólares. A sonda está programada para ser lançada em 5 de maio de 2018, com a data de aterrissamento prevista para 26 de novembro do mesmo ano. O plano de voo permanece inalterado, com o lançamento sendo realizado a bordo de um foguete Atlas V da Base da Força Aérea de Vandenberg, no estado da Califórnia.
Em 22 de novembro de 2017, a InSight completou os testes em uma câmara de vácuo térmico, também conhecido como teste TVAC, onde a espaçonave é colocada em condições que simulam a pressão reduzida e as várias cargas térmicas do ambiente espacial.
A InSight tem como objetivo estudar o interior de Marte, e abordar uma questão fundamental da ciência planetária e do Sistema Solar: compreender os processos que moldaram os planetas rochosos do Sistema Solar interno (incluindo a Terra) há mais de quatro bilhões de anos.
O principal objetivo da InSight é estudar a história evolutiva mais antiga dos processos que moldaram Marte. Ao estudar o tamanho, espessura, densidade e estrutura geral do núcleo, do manto e da crosta de Marte, bem como a taxa em que o calor é dissipado do interior do planeta, a InSight fornecerá um vislumbre dos processos evolutivos de todos os planetas rochosos do Sistema Solar interno. Os planetas rochosos internos compartilham uma ascendência comum que começa com um processo chamado acreção. A medida que o corpo celeste aumenta de tamanho, seu interior se aquece e evolui para se tornar um planeta terrestre, contendo um núcleo, um manto e uma crosta. Apesar desta ascendência comum, cada um dos planetas terrestres é posteriormente moldado através de um processo mal compreendido, chamado de diferenciação, que os torna diferentes um do outro. O objetivo da missão InSight é melhorar a compreensão deste processo e, por extensão, a evolução terrestre.
A missão determinará se há alguma atividade sísmica, medir a quantidade de fluxo de calor do interior, estimar o tamanho do núcleo de Marte e determinar se o núcleo é líquido ou sólido. Estes dados seriam os primeiros do tipo provindos do planeta. Também é esperado que frequentes quedas de meteoros (de 10 a 200 quedas detectáveis por ano para a InSight) fornecerão sinais sísmicos-acústicos adicionais para investigar o interior de Marte. O objetivo secundário da missão é realizar um estudo aprofundado da geofísica, atividade tectônica e o efeito dos impactos de meteoritos no planeta, o que poderia fornecer conhecimento sobre tais processos na Terra. A espessura da crosta, a velocidade do manto, o raio e a densidade do núcleo e a atividade sísmica devem retornar um aumento na precisão dos dados na ordem de 3 a 10 vezes em comparação com os dados atuais.
Em termos de processos fundamentais que moldam a formação planetária, pensa-se que Marte contém o registro histórico mais profundo e preciso, porque é grande o suficiente para ter sofrido os primeiros processos de acreção e aquecimento interno que moldaram os planetas terrestres, ao mesmo tempo em que é pequeno o suficiente para manter os sinais desses processos.
O design da InSight assemelha-se ao do aterrissador Phoenix, lançada em 2008 também para Marte. Já que sua geração de energia provém de painéis solares, a sonda aterrissará próximo ao equador do planeta, para permitir uma potência ideal para uma vida útil de 2 anos terrestres (equivalente a 1 ano marciano).
Massa de lançamento: 360 quilogramas (790 libras);
Dimensões: 6,1 metros (20 pés) de largura (com os painéis solares abertos). A baia de instrumentos científicos possui 2,0 metros (6,5 pés) de profundidade e 1,4 metros (4,5 pés) de altura;
Geração de energia: a eletricidade da sonda provém de dois painéis solares de forma circular, cada um com 2,15 metros (7,1 pés) de diâmetro. Os painéis consistem em células fotovoltaicas de junção múltipla, fabricadas com germânio, fosfeto de índio e gálio e uma liga de arsenieto de gálio e índio, dispostos sobre matrizes flexíveis fabricadas pela estadunidense Orbital ATK. Após o pouso na superfície marciana, os painéis são abertos em forma semelhante a de um de leque.
CubeSats: a missão Mars Cube One (abreviada como MarCO), formada por dois cubesats modelo 6U, será transportada pela InSight e irá ajudá-la na retransmissão de dados de telemetria durante sua fase de entrada, descida e aterrissamento. Os dois cubesats (denominados "MarCO A" e "MarCO B") são idênticos, medindo 10 centímetros de altura, 20 centímetros de largura e 30 centímetros de comprimento, e formam um par por motivos de redundância. Os cubeSats voarão além de Marte enquanto InSight aterriza. A missão MarCO tem como objetivo demonstrar a capacidade de uma nova tecnologia de comunicação. Se tudo correr bem com o pouso da InSight, as futuras missões a Marte também poderão ser equipadas com sua própria equipe de comunicações de uso único.
A carga útil da sonda InSight consiste em dois instrumentos principais (SEIS e HP3), com o suporte de instrumentos adicionais.