Neste Dia

Imaculada Conceição

Doutrina cristã que ensina que a Virgem Maria foi concebida livre do pecado original para poder abrigar em seu ventre Jesus, o Filho de Deus.

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Imaculada Conceição ou Imaculada Concepção, comumente conhecido pelos brasileiros como Nossa Senhora da Conceição, é um dos dogmas centrais da Igreja Católica e afirma que a Virgem Maria, por singular graça e privilégio de Deus, foi preservada imune de toda mancha do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção. Segundo o dogma, tal preservação não se deu por mérito próprio, mas em vista dos méritos redentores de Jesus Cristo, antecipados à Mãe que Ele escolheria para si. Assim, Maria recebeu desde sua origem a plenitude da Graça santificante, sendo por isso venerada como a “cheia de Graça” e modelo perfeito da humanidade redimida. A Igreja professa também que Maria viveu toda a sua existência sem cometer pecados pessoais, correspondendo de modo pleno à graça divina.

A festa litúrgica da Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro, foi oficialmente introduzida no calendário romano pelo Papa Sisto IV, em 1477, e se tornou ao longo dos séculos uma das mais comemoradas solenidades marianas. Atualmente, a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria constitui festa de preceito para os católicos em quase todo o mundo, salvo nos lugares onde, por determinação particular aprovada pela Santa Sé, a obrigação tenha sido transferida ou suprimida. Um dia de preceito torna obrigatória a presença na Missa.

O dogma foi proclamado de forma solene pelo Papa Pio IX, através da bula Ineffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854, após ampla consulta ao episcopado mundial. A definição doutrinária se apoia na Bíblia (especialmente na saudação do Anjo Gabriel, que chama Maria de “cheia de graça”) e no testemunho constante da Tradição, presente nos escritos de Padres da Igreja como Santo Irineu de Lião e Santo Ambrósio de Milão, que já a reconheciam como a "nova Eva", totalmente fiel e intacta diante de Deus. De acordo com o ensinamento católico, convinha que aquela destinada a ser o “santuário vivo” onde o Verbo se faria carne fosse plenamente pura, de modo que nada obscurecesse a ação divina em sua maternidade virginal.

Em sua Constituição Apostólica Ineffabilis Deus (8 de dezembro de 1854), que definiu oficialmente a Imaculada Conceição como dogma, o Papa Pio IX recorreu principalmente para a afirmação de Gênesis 3,15, onde Deus disse: "Eu Porei inimizade entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela", assim, segundo esta profecia, seria necessário uma mulher sem pecado, para dar à luz o Cristo, que reconciliaria o homem com Deus. O verso "Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti" (na Vulgata: "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te"), no Cântico dos Cânticos (4,7) é usado para defender a Imaculada Conceição, outros versos incluem:

"Também farão uma arca de madeira 'incorruptível'; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura." (Êxodo 25,10-11)

"Pode o puro [Jesus] Vir dum ser impuro? Jamais!"("Jó 14,4")

"Assim, fiz uma arca de madeira 'incorruptível', e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão." (Deuteronômio 10,3)

"Entrando, o anjo disse-lhe: 'Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo'." (Lucas 1,28)

"porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo." (Lucas 1,49)

Outras traduções para a palavras incorruptível ("Setim" em hebraico) incluem "acácia", "indestrutível" e "duro" para descrever a madeira utilizada. Moisés usou essa madeira porque era considerada muito durável e "incorruptível". Maria é considerada a Arca da Nova Aliança (Apocalipse 11:19) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente "incorruptível" ou "imaculada" (veja Mulher do Apocalipse).

Desde os primórdios do cristianismo, diversos Padres da Igreja defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente. No século IV, Efrém da Síria (306-373), diácono, teólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria são limpos e puros de toda a mancha do pecado.

Já no século VII se celebrava a festa litúrgica da Conceição de Maria aos 8 de dezembro ou nove meses antes da festa de sua natividade, comemorada no dia 8 de setembro.

No século X, a Grã-Bretanha celebrava a Imaculada Conceição de Maria.

A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi inscrita no calendário litúrgico pelo Papa Sisto IV, em 28 de Fevereiro 1477. A existência da festa litúrgica é um forte indício da crença da Igreja sobre a Imaculada Conceição mesmo antes da sua definição como um dogma em 1854.

Em 1497, a Universidade de Paris decretou que ninguém poderia ser admitido na instituição se não defendesse a Imaculada Concepção de Maria, exemplo que foi seguido por outras universidades como a de Coimbra e de Évora. Em 1617, o Papa Paulo V proibiu que se afirmasse que Maria tivesse nascido com o pecado original, e em 1622 o Papa Gregório V impôs silêncio absoluto aos que se opunham à doutrina. Foi em 8 de Dezembro de 1661 que Alexandre VII promulgou a Constituição apostólica Sollicitudo omnium Ecclesiarum em que definia o sentido da palavra conceptio, proibindo qualquer discussão sobre o assunto.

Em 1489, o Papa Inocêncio VIII, através da bula Inter Universa, aprovou a constituição de uma congregação religiosa especificamente dedicada à Imaculada Conceição da Virgem Maria – fundada pela portuguesa Santa Beatriz da Silva –, com direito ao uso de hábito religioso e outros usos próprios, tornando-se esta, alguns anos mais tarde, em 1511, numa ordem religiosa através de Regra própria e com o nome oficial de Ordem da Imaculada Conceição.

Na Itália do século XV, o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de março de 1876, após a definição do dogma, com 300 dias de indulgência por cada vez que é recitado.

Em 8 de Dezembro de 1854, a Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus.

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