As ilhas Jónicas (português europeu) ou Jônicas (português brasileiro), também ditas Jónias/Jônias, (em grego: Ιόνια Νησιά; romaniz.: Iónia Nissiá) são um grupo de ilhas na Grécia, também conhecidas historicamente como "Sete Ilhas" (em grego Heptanisia), mas o grupo inclui muitas ilhas menores além das sete principais, e por vezes algumas definições incluem ainda algumas ilhas da Albânia, como Sazan. As sete ilhas principais são, de norte para sul:
As seis ilhas mais ao norte situam-se ao largo da costa ocidental da Grécia, no mar Jónico, e constituem uma das suas 13 periferias. A sétima ilha, Citera, está ao largo da extremidade sul do Peloponeso, a parte meridional da porção continental da Grécia e administrativamente pertence à periferia da Ática.
O nome jônicas é uma curiosidade geográfica, já que a região da Jônia, na Antiguidade, ficava a leste da Grécia, na costa do mar Egeu, onde hoje fica a Turquia. O nome pode ter sido derivado do fato de que algumas das ilhas foram colonizadas pelos povos jônicos da Grécia Antiga. Corfu, por exemplo, foi uma colônia de Erétria. No entanto, os termos mar Jônio e ilhas Jônicas são pronunciados em grego com um o curto (omicron), enquanto que o nome da região da Jônia é pronunciado com um o longo (omega). No grego moderno, isso é apenas uma distinção ortográfica, mas as pronúncias diferentes do grego antigo reduziam a ambiguidade entre os nomes das duas regiões.
As próprias ilhas são conhecidas por uma confusa variedade de nomes. Durante os séculos de domínio de Veneza, elas adquiriram nomes italianos, pelos quais algumas delas ainda são conhecidos em português: Zante, em vez de Zacinto, e Corfu, em vez de Córcira. Mas algumas denominações venezianas não foram absorvidas pelo português, como Val di Conspare, em vez de Ítaca, Santa Maura em vez de Lêucade e Cérigo em vez de Cítera.
Administrativamente pertencem à região (periferia) homónima das ilhas Jónicas.
As ilhas Jônicas estão dispostas paralelamente à costa meridional da península dos Bálcãs. Distribuem-se entre as latitudes 39º54'16 e 37º36'29 do hemisfério norte. Por fazerem parte de uma cordilheira, possuem relevo acidentado, com costas em geral muito íngremes e repletas de baías e cabos. O ponto mais alto do conjunto é o monte Ainos (1628 m), em Cefalônia. As únicas porções de água de superfície são pequenos riachos de fluxo muito escasso e que se mantêm secos no verão. O clima é mediterrânico, embora exista um microclima causado pela forte influência do mar e da alternância entre os ventos quentes da África e os frios, do norte. Assim, o arquipélago tem um clima mais úmido do que o de outras costas mediterrânicas e, apesar dos ventos frios, um clima quente que lhe confere características subtropicais.
O arquipélago se divide em três grupos distintos:
O grupo do Norte, que compreende as ilhas de Corfu, Paxos e as ilhotas de Antípaxos e Fano;
O grupo do Centro, onde estão as ilhas de Lêucade, Cefalônia e Zante, e algumas ilhotas; e
O grupo meridional, de Citera e outras ilhas menores.
O principal centro urbano do arquipélago é a cidade de Corfu, com quase 40 mil habitantes.
O arquipélago possui mais de trinta ilhas:
A flora típica é a arbustiva mediterrânea, dominada por ciprestes, oliveiras, louros e videiras.
Atualmente, quase toda a fauna é doméstica, entretanto destaca-se, em Zante, a presença de grandes tartarugas marinhas da espécie Caretta caretta, que chegam a medir um metro e meio de comprimento.
As ilhas foram ocupadas pelos gregos há muito tempo, possivelmente já em 1 000 a.C., certamente pelo século IX a.C. Em 734 a.C., colonos de Corinto expulsaram de Corfu os habitantes de Erétria que vinham estabelecendo uma colônia naquela ilha. Durante a Antiguidade, as ilhas tiveram pouca participação na política grega. A única exceção foi o conflito entre Corfu e sua cidade-mãe Corinto em 434 a.C., que provocou a intervenção de Atenas e desencadeou a Guerra do Peloponeso.
Ítaca era o nome da ilha natal de Ulisses no antigo poema épico grego A Odisseia, de Homero. Tentou-se identificar a Ítaca atual com a antiga, mas não é possível localizar a ilha pela descrição de Homero.
No século IV a.C., as ilhas, como a maior parte da Grécia, foram absorvidas pelo Império da Macedônia. Elas permaneceram sob controle macedônio e de seus reinos sucessores até 146 d.C., quando a península grega foi anexada por Roma. Depois de 400 anos de domínio pacífico romano, as ilhas passaram para o controle de Constantinopla, e fizeram parte do Império Bizantino por mais 900 anos, até o saque de Constantinopla durante a Quarta Cruzada, em 1204.
Quando os governantes franceses do Império Latino baseado em Constantinopla dividiram os territórios bizantinos entre seus seguidores e aliados, os venezianos se apropriaram de Corfu e Paxos, e também de Citera, que eles usaram como postos para os negócios marítimos com o Levante. Cefalônia e Zante tornaram-se o Município Paladino da Cefalônia até 1357, quando esta entidade foi fundida com Lêucade e Ítaca para criar o Ducado de Leucádia de duques franceses e italianos.