Igino Giordani (Tivoli, 24 de setembro de 1894 – Rocca di Papa, 18 de abril de 1980) foi um escritor, jornalista e político italiano, diretor da Biblioteca Vaticana e cofundador do Movimento dos Focolares, junto com Chiara Lubich. Embora amante incansável da paz, na Primeira Guerra Mundial tornou-se um oficial, foi ferido e condecorado. Professor, antifascista, bibliotecário, casado e pai de quatro filhos, era um conhecido polemista do círculo católico, pioneiro no comprometimento dos cristãos em política, escritor e jornalista. Depois da Segunda Guerra Mundial, vivida como antifascista constrangido ao exílio, foi eleito para a Assembleia constituinte. Foi deputado, leigo iluminado, pioneiro do ecumenismo.
Giordani foi o primogênito dos seis filhos de Mariano e Orsola Antonelli. Em 1900 iniciou os estudos da escola elementar e desde pequeno, nos dias livres, trabalhava como pedreiro, seguindo os passos do pai. Quando terminou os estudos elementares, em 1905, deixou a escola para trabalhar como auxiliar de pedreiro. Neste período, Giordani se dedicou ao estudo de francês, através de apostilas. Com este mesmo método, ele aprendeu também espanhol, português, romeno, inglês, alemão e latim.
Em 1907, com a ajuda de um benfeitor, que pagou a mensalidade, ele ingressou no Seminário Diocesano de Tivoli, onde permaneceu até 1912.
Dois anos mais tarde, em 1914, Giordani terminou a Escola Secundária (Ensino Médio, no Brasil), foi aprovado no concurso do Ministério da Justiça e se inscreveu na Faculdade de Letras e Filosofia, na Universidade de Roma. Mas, em 1915, a vida de Giordani sofreu uma grande mudança, pois ele foi convocado às armas e enviado à escola para suboficiais e, posteriormente, à Academia Militar de Modena, no norte da Itália. Em dezembro do mesmo ano ele foi enviado ao fronte de batalha como subtenente do 111° Regimento de Infantaria. Apesar de estar servindo no fronte, Giordani nunca disparou contra outros soldados e, durante uma arriscada operação contra uma fortaleza adversária, acabou ferido na perna e na mão direita e recebeu uma Medalha de Bronze. Ele afirmou, anos mais tarde: “Jamais quis apontar o cano do meu fuzil para as trincheiras adversárias, por medo de matar um filho de Deus”.
Os ferimentos fizeram Igino permanecer três anos nos hospitais de Milão e Roma, onde se preparou para os exames universitários. Giordani só recebeu alta depois que a I Guerra terminou. Exatamente três anos depois, em 12 de julho de 1918, ele formou-se em Letras com a tese “O cômico em Dante” e começou uma carreira ligada ao jornalismo e ao ensino.
Em 1918, logo após se formar em Letras, Giordani começou a ensinar matérias da área de literatura como professor suplente em Roma, no Liceo Ginnasio Umberto I. Até 1921 Giordani trabalhou como professor nesta instituição de ensino e também escreveu diversos artigos para revistas de Tivoli e Roma e publicou a sua primeira brochura sobre arqueologia.
Em 2 de fevereiro de 1920, casou-se com Mya Salvati e se transferiu para Roma. No outono do mesmo ano, conheceu Luigi Sturzo, sacerdote e político italiano, considerado um dos pais da democracia cristã, fundador do Partido Popular Italiano (PPI). Quando o conheceu, Giordani aderiu ao PPI e em outubro, escreveu o seu primeiro artigo político para o semanário do PPI, Il Popolo Nuovo (O Povo Novo), do qual, em 1924, foi diretor.
No ano seguinte, em 1921, ele foi aprovado em um concurso para lecionar Letras no Ginnasio de Nuoro, na Sardenha (ilha do Mar Mediterrâneo a oeste da Itália). Cargo que exerceu por um ano, quando voltou à Roma para trabalhar como empregado e jornalista da Assessoria de Imprensa do PPI.
Em 1923, quando Giuseppe Donati fundou o jornal Il Popolo (O Povo), Giordani começou a colaborar periodicamente escrevendo artigos de denúncia política e só parou de colaborar quando o jornal foi fechado. Neste mesmo ano, ele retomou a profissão de professor e lecionou no Liceo Cicerone e, nos anos seguintes, passou pelas instituições Istituto Técnico De Merode e Liceo Mamiani, ambos em Roma.
Já em julho de 1924, Giordani tornou-se o diretor da Assessoria de Imprensa do PPI e do seu órgão oficial, Il Popolo Nuovo (O Povo Novo). Ele também dirigiu, a partir de 1925, o Boletim da Assessoria de Imprensa do PPI, em circulação até 1926, mas muitas vezes confiscado e o boletim mensal Parte Guelfa, que teve só quatro edições publicadas. A atividade de Giordani em 1925 é intensa e em junho ele publicou o livro Rivolta Cattolica (A Revolta Católica).
Em fevereiro de 1926, Giordani é submetido a um processo por crime de imprensa. Por ser mutilado de guerra, ele foi anistiado. E em agosto, ele assumiu a direção do “Boletim bibliográfico de ciências sociais e políticas”, que foi suspenso dois meses depois, em outubro. No mesmo mês em que assumiu a direção do Boletim bibliográfico nasceu o primogênito dos quatro filhos: Mario. E em novembro do mesmo ano, desfeito o PPI, Giordani começou a ensinar na escola de freiras Cabrini, em Roma, onde ficou até 1930 e onde voltou, como presidente, de 1959 a 1967.
Em 1927, Giordani foi para os Estados Unidos, e, por causa da Biblioteca Vaticana, participou de cursos de Biblioteconomia e Bibliografia na Universidade de Ann Arbor, Michigan e New York. Ele voltará ao país mais duas vezes, em 1938, para um Congresso de Biblioteconomia Católica, no Missouri, e em 1966, para conferências organizadas pelo Instituto Italiano de Cultura. Durante os anos passados na América do Norte, Giordani escreveu artigos no Commonweal, dos EUA, no Carroccio e no Avvenire, ambos da Itália e aproveitou para preparar livros sobre o protestantismo e sobre a literatura norte-americana.
Em 1928, o escritor e político italiano voltou à sua terra natal para o trabalho de dirigente da reforma de catalogação da Biblioteca Vaticana, cargo que exerceu até 1944. Em outubro deste ano, Alcide De Gasperi, fundador do Partido democrata Cristão, recém saído da prisão, escreveu a Giordani, que o ajudou a ser assumido na Biblioteca Vaticana.
O ano seguinte foi marcado por seu trabalho na revista mensal ''Fides'', da Pontifícia Obra para a Conservação da Fé, publicação da qual foi, em 1930, o diretor de fato e, em 1932, o diretor oficial. Com a sua colaboração, Fides alargou os horizontes e chegou a um vasto público leitor, especialmente entre o clero. O ano de 1929 foi também marcado pelo nascimento do segundo filho: Sergio.
Nos anos 30, Giordani se dedicou ao trabalho como escritor, colaborando com a revista florentina Il Frontespizio, à convite de Piero Bargellini e com a publicação de dois de seus importantes livros: Segno di Contradizione (Sinal de Contradição), o seu livro mais traduzido e com o maior número de reedições; e Il messaggio sociale di Gesú, (A mensagem social de Jesus) primeiro volume de uma série que Lagrange definiu como “base indispensável para qualquer estudo do cristianismo de caráter social”. Os outros volumes da série foram publicados, respectivamente, em 1938, 1939 e 1946 e formaram, em 1958, o livro Il messaggio sociale del cristianesimo (A mensagem social do cristianismo), traduzido, mesmo que parcialmente, também em chinês e japonês.
Além disso, em 1934, Giordani fundou e dirigiu a Escola de Biblioteconomia, junto à Biblioteca Vaticana. Em 1931, nasceu o terceiro filho, Brando, e em 1937, a caçula, Bonizzia.
Nos anos 40, em plena Segunda Guerra Mundial, Giordani trabalho junto com De Gasperi, Bonomi e outros expoentes antifascistas para preparar o renascimento da democracia. Em 1941, a segunda edição do seu livro Cattolicità (Catolicismo) foi retirada de circulação por ordem das autoridades do regime e reeditado com cortes impostos pela censura. Em 1944, convidado pelo então Cardeal Montini, dirigiu a Escola de Jornalismo e passou a lecionar também na Escola de Preparação Social, na Universidade Laterana (Roma).
Em junho deste mesmo ano, após a liberação de Roma, Giordani contribuiu para a fundação do primeiro jornal da Ação Católica Il quotidiano (O Cotidiano), que dirigiu de 1944 a 1946.