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Idris I da Líbia

Político líbio

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Idris I (em árabe: إدريس الأول‎), nascido Sidi Maomé Idris Mádi Senussi (em árabe: سيدى محمد ادريس المهدي السنوسي; romaniz.: Sidi Muhammad Idris al-Mahdi al-Senussi; Giarabube, 12 de março de 1890 — Cairo, 25 de maio de 1983), foi político e líder religioso líbio que serviu como emir da Cirenaica e então rei da Líbia de 1951 até 1969. Ele foi chefe da ordem Senussi.

Idris nasceu dentro da ordem Senussi. Quando seu primo, Amade Xarife Senussi, abdicou como líder da ordem, Idris tomou seu lugar. A Cirenaica estava enfrentando a invasão italiana. Idris formou uma aliança com os britânicos, embora quando entrou em negociações com os italianos, conseguiu dois tratados; eles reconheceram o controle Senussi sobre boa parte da Cirenaica. Idris então liderou sua ordem numa tentativa malsucedida de conquistar a porção oriental da República da Tripolitânia.

Após a II Guerra Mundial, a Assembleia Geral das Nações Unidas convocou a Líbia para dar-lhe independência. Criou-se o Reino da Líbia com a unificação da Cirenaica, Tripolitânia e Fezã e Idris foi feito rei. Com grande influência política no empobrecido país, baniu partidos políticos e em 1963 substituiu o sistema federal por um sistema unitário. Estabeleceu laços com o Ocidente, permitindo ao Reino Unido e Estados Unidos abrirem bases no país em troca de apoio econômico. Após o petróleo ser descoberto na Líbia em 1959, viu-se a emergência de uma ascendente indústria petrolífera que rapidamente auxiliou o crescimento econômico. O regime de Idris foi enfraquecido pelo crescente nacionalismo árabe e o sentimento árabe socialista na Líbia, bem como a frustração crescente por conta dos altos níveis de corrupção e as íntimas ligações com as nações ocidentais. Enquanto na Turquia para tratamento médico, Idris foi deposto num Golpe de Estado em 1969 pelos oficiais militares liderados por Muamar Gadafi.

Nascido em Giarabube, sede senússitas, em 12 de março de 1889, filho de Maomé Mádi e sua 3ª esposa Aixa binte Mucarribe Baraça, era neto de Maomé ibne Ali, fundador da ordem e tribo sufista Senussi. Tornou-se chefe dos senússitas em 1916 com a abdicação de seu primo Amade Xarife. Foi reconhecido pelos britânicos como emir da Cirenaica, posição para qual também recebeu confirmação dos italianos em 1920. Também foi instalado como emir da Tripolitânia em 28 de julho de 1922. Sua família reclamou descender do profeta Maomé através de sua filha, Fátima. Os senússitas foram rivais da seita sunita que estava centrado na Cirenaica. Pelo fim do século XIX, a ordem estabeleceu uma forma de governo da Cirenaica, unificando sus tribos, controlando sua peregrinação e rotas comerciais, e coletando impostos.

Chefe da ordem Senussi: 1913–22

Os italianos invadiram a Cirenaica em 1913 como parte de sua invasão mais ampla da Líbia e a ordem combateu-os. Amade Xarife abdicou sua posição de líder e foi substituído por Idris. Ordenado pelo Império Otomano, Amade atacou os britânicas no vizinho Egito. Ao assumir o poder, Idris parou-os e fez uma aliança tácita com os britânicas, que durou meio século e de acordo com o estatuto diplomático de facto da ordem. Usando os britânicos como intermediários, Idris liderou a ordem em negociações com os italianos em julho de 1916. Isso resultou em dois acordos, Zuaitina em abril de 1916 e Acrama em abril de 1917. O último deles deixou boa parte da Cirenaica sob controle da ordem. As relações entre a ordem e a recém-estabelecida República da Tripolitânia foram difíceis. A tentativa senússita para militarmente expandir-se à Tripolitânia Oriental resultou em batalha em Bani Ualide na qual os senússitas foram forçados a se retirar à Cirenaica.

Ao fim da I Guerra Mundial, o Império Otomano assinou armistício no qual cedeu a Líbia à Itália. A Itália, porém, enfrentou problemas sociais, econômicos e políticos domesticamente e não estava preparada para relançar atividades militares na Líbia. Emitiu estatutos conhecidos como Leis Fundamentais à Tripolitânia em junho e a Cirenaica em outubro de 1919. Eles estabeleceram um compromisso no qual os líbios recebiam direito de cidadania líbio-italiana enquanto cada província tinha seu parlamento e conselho. Os senússitas ficaram felizes com o acordo e Idris visitou Roma como parte das celebrações para marcar a promulgação do acordo. Em outubro de 1920, mais negociações entre a Itália e Cirenaica resultaram no Acordo de Rajma, no qual Idris recebeu o título de emir da Cirenaica e pode administrar autonomamente os oásis de Cufra, Giarabube, Aujila e Agedábia. Como parte do acordo, deu estipêndio mensal aos italianos, que policiariam e administrariam as áreas sob seu controle. O acordo também estipulou que ele deveria debandar os soldados cirenaicos, mas não concordou com isso. No fim de 1921, as relações deterioaram.

Com a morte do líder tripolitano Ramadã Suili em agosto de 1920, a república entrou em guerra civil. Muitos líderes tribais na região reconheceram que a discórdia enfraquecia suas chances de obter total autonomia da Itália e em novembro de 1920 encontraram-se em Gariã para acabar com a violência. Em janeiro de 1922, pediram a Idris que estendesse o Emirado da Cirenaica à Tripolitânia de modo a trazer-lhes estabilidade; eles apresentaram um documento formal com esse pedido em 28 de julho de 1922. Os conselheiros de Idris se dividiram se deveria aceitar a oferta ou não. Ao fazê-lo contrariaria o Acordo de Rajma e danificaria as relações com o governo italiano, que opunha-se à unificação política da Cirenaica e Tripolitânia pois ia contra seus interesses. No entanto, em novembro, Idris concordou com a proposta.

Após o acordo, Idris temeu que a Itália — sob seu novo líder fascista Benito Mussolini — retalharia militarmente e ele exilou-se no Egito em dezembro. Logo, a reconquista italiana começou, e pelo fim de 1922 a única resistência efetiva anticolonial concentrou-se na hinterlândia da Cirenaica. Os italianos subjugaram os líbios; o gado cirenaico foi dizimado, boa parte da população foi colocada em campos de concentração e entre 1930 e 1931 estimados 12 000 cirenaicos foram executados. O governo italiano implementou uma política de "colonização demográfica" pela qual 10 000 italiano foram realocados na Líbia, sobretudo para estabelecer fazendas.

Após a eclosão da II Guerra Mundial, Idris apoiou o Reino Unido — que estava em guerra com a Itália — na esperança de acabar com a ocupação italiana no país. Ele argumentou que mesmo se os italianos fossem vitoriosos, a situação ao povo líbio não seria diferente daquele que foi antes da guerra. Delegados cirenaicos e tripolitanos concordaram que Idris deveria concluir acordos com os britânicos para que pudessem ganhar independência em troca do apoio na guerra. Privadamente, Idris não prometeu a ideia da independência líbio dos britânicos, mas sugeriu que ela se tornasse um protetorado britânico como a Transjordânia. Uma força árabe, consistindo de cinco batalhões de infantaria formados por voluntários, foi estabelecida. Com a exceção de um confronto militar próximo de Bengazi, o papel dessa força não estendeu-se para muito além de seus deveres de guarda.

Com a derrota italiana, a Líbia foi deixada sob controle militar de britânicos e franceses. Eles governaram o país até 1949 seguindo a Convenção de Haia de 1907. Em 1946, um Congresso Nacional foi estabelecido para estabelecer as bases à independência; ele foi dominado pelos senússitas. Sob pressão britânica e francesa, a Itália desistiu de sua reivindicação sobre o país em 1947, embora esperava que recebia permissão de administrar a Tripolitânia. Os poderes europeus elaborou o Plano Bevin-Sforza com o qual se propôs que a França manteria uma administração de 10 anos em Fezã, o Reino Unido na Cirenaica e a Itália na Tripolitânia. Após os planos serem publicados em maio de 1949, geraram demonstrações de violência na Tripolitânia e Cirenaica e protestos dos Estados Unidos, União Soviética e outros Estados árabes. Em setembro, a questão do futuro da Líbia foi levada à Assembleia Geral das Nações Unidas, que rejeitou os princípios do Plano Bevin-Sforza e em vez disso indicou apoio à independência total. À época nem o Reino Unido nem a França apoiaram o princípio da unificação líbia, com a França querendo manter seu controle colonial sobre o Fezã. Nesse ano, o Reino Unido unilateralmente declarou que deixariam a Cirenaica e garantiriam-lhe independência sob controle de Idris; ao fazê-lo acreditavam que manteriam-a sob sua esfera de influência. Similarmente, a França estabeleceu um governo provisório no Fezã em fevereiro de 1950.

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