Idi Amin Dada (Campala, 30 de maio de 1928 – Jidá, 16 de agosto de 2003) foi um militar ugandense que ocupou o cargo de presidente de Uganda de 1971 até 1979. É considerado um dos ditadores mais brutais e déspotas da história.
Idi Amin nasceu em Campala, de um pai da tribo kakwa e uma mãe lubara. Em 1946, aos vinte anos, ingressou nos King's African Rifles (KAR) do exército colonial britânico como cozinheiro. Ele foi ascendendo as patentes, até chegar a tenente, lutando ao lado dos britânicos contra rebeldes somalis, na Guerra de Shifta e, depois, na Revolta dos Mau-Mau, no Quênia. Quando Uganda ganhou sua independência do Reino Unido, em 1962, Amin permaneceu nas forças armadas, chegando à patente de major, sendo nomeado general e comandante do exército ugandense em 1965. Em 1971, quando ele soube que o presidente Milton Obote estava planejando prendê-lo, por desviar fundos do exército, Amin lançou um golpe de estado e se declarou presidente.
Durante os anos no poder, Amin deixou de ser um governante pró-Ocidente, que contava com um apoio considerável de Israel e do Reino Unido, para se tornar um líder aliado a Muammar Gaddafi da Líbia, a Mobutu Sese Seko do Zaire, à União Soviética e à Alemanha Oriental. Em 1975, Amin tornou-se presidente da Organização da Unidade Africana (OUA), um grupo Pan-africano, criado para promover a solidariedade entre os Estados africanos. Uganda chegou a ser membro da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 1977 a 1979. O Reino Unido rompeu relações diplomáticas com Uganda, em 1977, e Amin declarou então que ele havia derrotado os britânicos, adicionando "CBE" ("Conqueror of the British Empire", ou "Conquistador do Império Britânico") ao seu título oficial.
À medida que o governo de Amin avançava até o final da década de 1970, houve um aumento da agitação contra sua perseguição a certos grupos étnicos e dissidentes políticos, juntamente com a péssima posição internacional de Uganda, devido ao apoio de Amin aos sequestradores terroristas na Operação Entebbe. Em 1978, Amin tentou então conquistar a região da Kagera, no norte da Tanzânia, mas o presidente tanzaniano Julius Nyerere mobilizou suas tropas e invadiu Uganda; o exército da Tanzânia, apoiado por rebeldes ugandenses, eventualmente tomou Campala, em 11 de abril de 1979, removendo Amin do poder. O ditador ugandense partiu então para o exílio, primeiro para a Líbia, depois para o Iraque e, finalmente, para a Arábia Saudita, onde passaria o resto de sua vida, morrendo em 16 de agosto de 2003.
O regime de Amin foi caracterizado por constantes abusos de direitos humanos, incluindo repressão política, perseguição étnica e execuções extrajudiciais, além de nepotismo, corrupção e má gestão econômica. Observadores internacionais e grupos de direitos humanos estimam que entre 100 000 e 500 000 pessoas foram assassinadas durante o regime de Amin.
Infância, carreira militar e chegada ao poder
Amin nunca escreveu uma autobiografia e nunca autorizou um relato oficial por escrito de sua vida. Existem discrepâncias em relação a quando e onde ele nasceu. Muitas das fontes biográficas afirmavam que ele nasceu ou em Koboko ou em Campala por volta de 1925. Outras fontes não confirmadas indicam o ano de nascimento de Amin desde 1923 até 1928. O seu filho, Hussein, afirmou que seu pai nasceu em Campala em 1928.
De acordo com a família de Amin, a tradição oral ugandense e sua certidão de óbito saudita, Idi Amin Dada Oumee nasceu em 30 de maio de 1928 no local de trabalho de seu pai, o Quartel da Polícia de Shimoni, na colina Nakasero, na capital Campala. De acordo com Fred Guweddeko, um pesquisador da Universidade Makerere, Amin era filho de Andreas Nyabire (1889–1976). Nyabire, era membro do povo Kakwa, que se converteu do catolicismo para o islã em 1910 e então mudou seu nome para Amin Dada e deu seu nome para seu primeiro filho. Idi Amin foi abandonado por seu pai quando era muito jovem e cresceu numa cidade rural com a família de sua mãe no noroeste de Uganda. Guweddeko afirma que a mãe de Amin se chamava Assa Aatte (1904–1970), da etnia Lubara e uma fitoterapeuta tradicional que tratava membros da família real de Buganda, entre outros. Algumas fontes também descreveram Amin como sendo de origem Kakwa-núbio.
Amin entrou numa escola islâmica em Bombo, no distrito de Luweero, em 1941. Depois de alguns anos, ele deixou a escola com apenas uma educação em língua inglesa na quarta série e teve alguns pequenos empregos antes de ser recrutado para o exército colonial britânico por um oficial.
Amin ingressou nos King's African Rifles (KAR), o exército colonial britânico, em 1946, como assistente de cozinheiro, recebendo treinamento militar até 1947. Mais tarde na vida, ele falsamente afirmou ter servido na Campanha da Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi transferido para o Quênia para serviço de infantaria como soldado em 1947, servindo no 21º Batalhão do KAR, em Gilgil, no oeste do Quênia britânico, até 1949. Naquele ano, sua unidade foi enviada ao norte do Quênia para lutar contra os rebeldes somalis na Guerra de Shifta. Em 1952, sua brigada foi levada para lutar contra a Revolta dos Mau-Mau. Ele foi promovido a cabo no mesmo ano e depois a sargento em 1953.
Em 1959, Amin foi promovido a afande de segunda classe, a classificação mais alta possível para um africano negro no período colonial no exército britânico na época. Amin retornou para Uganda no mesmo ano e foi promovido a tenente em 15 de julho de 1961, tornando-se um dos primeiros dois ugandeses a se tornarem oficiais comissionados. Segundo o pesquisador Holger Bernt Hansen, a perspectiva, o comportamento e as estratégias de comunicação de Amin foram fortemente influenciados por suas experiências no exército colonial. Isso inclui seu estilo de liderança direta e prática, que acabaria por contribuir para sua popularidade entre certas partes da sociedade de Uganda.
Em 1962, após a independência de Uganda do Reino Unido, Amin foi promovido a capitão e então, em 1963, foi para major. Ele foi apontado segundo em comando no exército em 1964 e, no ano seguinte, se tornou comandante do exército ugandense. Em 1970, Amin foi oficialmente promovido a comandante-em-chefe das forças armadas.
Amin foi um atleta durante seu tempo no exército britânico e ugandês. Com 1,93m de altura e bastante musculoso, ele foi o campeão de boxe meio-pesado de Uganda de 1951 a 1960, bem como um bom nadador. Amin também foi um bom jogador de rúgbi, embora um dos oficiais tivesse descrito ele assim: "Idi Amin é um tipo esplêndido e um bom jogador [de rúgbi], mas virtualmente apenas osso do pescoço pra cima e precisa que as coisas sejam explicadas em palavras de uma letra só". Na década de 1950, ele jogou pelo time Nile RFC.
Em 1965, o Primeiro-ministro Milton Obote e Amin foram implicados em um acordo para contrabandear marfim e ouro para Uganda da República Democrática do Congo. O acordo, mais tarde alegado pelo General Nicholas Olenga, um associado do ex líder congolês Patrice Lumumba, fazia parte de um acordo para ajudar as tropas que se opunham ao governo congolês a negociar marfim e ouro para o fornecimento de armas contrabandeadas secretamente para eles por Amin. Em 1966, o Parlamento da Uganda exigiu uma investigação. Obote impôs uma nova constituição abolindo a presidência cerimonial detida pelo Cabaca (rei) Mutesa II de Buganda e se declarou presidente executivo. Ele então promoveu Amin de coronel para comandante. Amin liderou tropas num ataque contra o palácio real e forçou Mutesa ao exílio no Reino Unido, onde ele permaneceu até sua morte em 1969.
Amin começou a recrutar para o exército membros das tribos Kakwa, Lubara, sudaneses do sul e outros grupos étnicos do Nilo Ocidental na fronteira com o Sudão do Sul. Os sudaneses do sul que residiam em Uganda desde o início do século XX, vinham do Sudão para servir ao exército colonial. Muitos grupos étnicos africanos no norte de Uganda habitavam Uganda e o Sudão do Sul; foi alegado na época que o exército de Amin consistia principalmente de soldados sul-sudaneses.