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Ibne Caldune

Historiógrafo árabe (1332–1406)

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Abu Zaíde Abederramão ibne Maomé ibne Caldune Alhadrami (em árabe: أبو زيد عبد الرحمن بن محمد بن خلدون الحضرمي; romaniz.: Abu Zayd 'Abd al-Rahman ibn Muhammad ibn Khaldun al-Hadrami; Túnis, 27 de maio de 1332/AH 732 — Cairo, 17 de março de 1406/AH 808), melhor conhecido somente como ibne Caldune (Ibn Khaldun) foi um polímata árabe — astrônomo, economista, historiador, jurista islâmico, advogado islâmico, erudito islâmico, teólogo islâmico, hafiz, matemático, estrategista militar, nutricionista, filósofo, cientista social e estadista.

É mais conhecido por seu Muqaddimah (conhecido como Prolegômenos no Ocidente), o primeiro volume de seu livro sobre a história universal, Kitab al-Ibar. Ele é considerado um precursor de várias disciplinas científicas sociais: demografia, história cultural, historiografia, filosofia da história, e sociologia. Ele também é considerado um dos precursores da moderna economia, ao lado do antigo erudito indiano Cautília. Ibne Caldune é considerado por muitos como o pai de várias destas disciplinas e das ciências sociais em geral, por ter antecipado muitos elementos dessas disciplinas séculos antes de terem sido fundadas no Ocidente.

Nasceu em Tunísia em 732 A.M. (1332 d.C.) numa família de classe alta que migrou desde Sevilha, no Alandalus. Os seus antepassados, árabes iamanitas, estabeleceram-se no Alandalus nos inícios da invasão muçulmana da Península Ibérica, durante o século VIII. Depois da queda de Sevilha, migraram à Tunísia. Na sua história, descreve a sua família, os Banu Caldune, como se segue, traçando a sua genealogia até Caldune, pelo lado do seu pai:

"[...] E nossos antepassados são de Hadramaute, dos árabes do Iémen, via Uail ibne Hajar, dos melhores dos Árabes, bem-conhecidos e respeitados [...] Abderramão ibne Maomé ibne Maomé ibne Maomé ibne Haçane ibne Maomé ibne Jabir ibne Maomé ibne Ibraim ibne Abderramão ibne Caldune. Na minha genealogia até Caldune eu contei apenas estes 10, mas devem ter havido mais [...]"

No entanto, alguns biógrafos (e.g., Mohammad Enan) questionam a sua pretensão, sugerindo que a sua família pode ter sido de berberes que assumiam origem árabe de modo a ganhar em estatuto social. Ibne Caldune estudou nas várias etapas e ramos da aprendizagem Árabe com grande sucesso. Em 1352, ele obteve emprego com o sultão merínida Abu Inane Faris, em Fez. No início de 1356, a sua integridade foi posta em causa, pelo que foi colocado na prisão até a morte do sultão em 1358, altura em que o vizir Haçane ibne Omar o libertou e reintegrou-o no seu posto. Ibne Caldune continuou a prestar serviços ao sucessor de Abu Inane, Abu Salém Ibraim III, mas, por ter ofendido o primeiro-ministro, obteve a permissão para emigrar para Espanha.

Ibne Alamar, que estava em dívida por favores de que se beneficiara quando da sua estadia na corte de Abu Salem, recebeu ibne Caldune com grande cordialidade em Granada. Isto excitou o ciúme do vizir, e ele foi por isso enviado de volta a África em 1364, onde o califa haféssida Abu Abedalá de Bugia, seu antigo companheiro na prisão, o acolheu cordialmente. Após a queda de Abu Abedalá, ibne Caldune mobilizou uma força considerável entre os Árabes do deserto e entrou ao serviço do sultão de Tremecém. Poucos anos mais tarde, foi feito prisioneiro por Abdalazize, que tinha derrotado o sultão de Tremecém e tomado o trono.

Ibne Caldune entrou então num estabelecimento religioso, e ocupou-se de tarefas escolásticas, até que em 1370 foi chamado a Tremecém pelo novo sultão. Após a morte de Abdalazize, ibne Caldune residiu em Fez, gozando do patrocínio e confiança do regente. Em 1375, foi viver com a tribo Aulade Arife, da Argélia central, na cidade de Calate ibne Salama. Tomou ali vantagem da sua solidão para escrever a Muqaddimah (ou "Prolegômenos" à sua história subsequente.) Em 1378, ele entrou ao serviço do sultão da sua cidade natal, Tunis, onde se dedicou quase exclusivamente aos estudos e escreveu a história dos Berberes.

Tendo recebido permissão para peregrinar até Meca, visitou o Cairo, onde foi apresentado ao Sultão mameluco Barcuque, que insistiu que ele ficasse ali; no ano de 1384 foi feito grande cádi da escola maliquita de fiqh (jurisprudência) ou lei religiosa de Cairo. Desempenhou este cargo com prudência e integridade, removendo muitos abusos da administração da justiça no Egito. Nesta altura, o navio em que sua mulher e família vinham ao seu encontro, com toda a sua propriedade, afundou, e todos os tripulantes desapareceram. Ele conseguiu encontrar consolo completando a sua história dos Árabes de Espanha. Nesta mesma altura foi retirado do seu trabalho de cádi, o que lhe deu mais tempo livre para a sua obra. Três anos mais tarde, fez peregrinação a Meca, e no seu regresso viveu em retiro em Faium até 1399, quando foi chamado outra vez para continuar as suas funções de cádi. Foi removido e reafirmado no cargo nada menos do que cinco vezes até sua morte. Está sepultado no Cairo.

A vida de Caldune é relativamente bem documentada, pois ele escreveu uma autobiografia (cujo título é, em língua árabe "التعريف بابن خلدون ورحلته غربا وشرقا"; em português "Apresentando ibne Caldune e sua Jornada Oeste e Leste"), na qual numerosos documentos sobre sua vida são citados individualmente.

Seu nome completo é "Abderramão ibne Maomé ibne Maomé ibne Maomé ibne Haçane ibne Jabir ibne Maomé ibne Abderramão ibne Caldune Alhadrami", geralmente mais conhecido como ibne Caldune em homenagem a um ancestral remoto. Ibne Caldune nasceu em Túnis em 1332 em uma família andalusina de classe alta de ascendência árabe, o antepassado da família era um hadramita que tinha parentesco com Uail ibne Hujer, um companheiro do profeta islâmico Maomé. Sua família, que ocupou muitos altos cargos no Alandalus, tendo se mudado, depois, para a Tunísia após a queda da cidade de Sevilha para a Reconquista, no ano de 1248. Embora alguns de seus familiares tivessem ocupado cargos políticos na dinastia tunisiana Haféssida, seu pai e avô mais tarde saíram da vida política e se juntaram a uma ordem mística. Seu irmão, Iáia Caldune, também era um historiador que escreveu um livro sobre a dinastia Abdeluádidas e foi assassinado por um rival por ser o historiógrafo oficial da corte.

Em sua autobiografia, Caldune traça sua descendência desde o tempo do profeta Maomé através de uma tribo árabe do sul da Península Arábica, especificamente os Hadramaute, que chegaram à Península Ibérica no século VIII, no início da conquista islâmica: "E nossa ascendência é de Hadramaute, dos árabes da Península Arábica, via Uail ibne Hujer também conhecido como Hujer ibne Adi, do melhor dos árabes, conhecido e respeitado".

No entanto, o biógrafo moderno Mohammad Enan enfatizou a incerteza sobre as origens de Caldune confiando no fato de que a crítica de Caldune aos árabes pode ser uma motivação válida para lançar dúvidas sobre sua suposta origem árabe. Por outro lado, a insistência e o apego de Caldune à sua afirmação de ascendência árabe em uma época de dominação das dinastias berberes também é um bom motivo para acreditar em sua afirmação de que seria descendente de tribos árabes.

A alta posição social de sua família permitiu que Caldune estudasse com professores proeminentes no Magrebe. Recebeu uma educação islâmica clássica, estudando o Alcorão, que decorou, estudou a linguística árabe; a base para a compreensão do Alcorão, os hádices, Xaria (lei) e fiqh (jurisprudência). Ele recebeu certificação (ijaza) para todos esses assuntos. O matemático e filósofo Alabili de Tremecém o apresentou à matemática, lógica e a filosofia, tendo estudado especialmente as obras de Averróis, Avicena, Razi e Tusi. Aos 17 anos, Caldune perdeu seus pais para a Peste Negra, uma epidemia intercontinental da peste que atingiu Túnes entre 1348 e 1349.

Seguindo a tradição familiar, lutou pela carreira política. Diante de uma situação política tumultuada no norte da África, isso exigia um alto grau de habilidade em desenvolver e abandonar alianças com prudência para evitar cair com os governos de curta duração da época. A autobiografia de Caldune é a história de uma aventura, na qual ele passa um tempo na prisão, alcança os mais altos cargos e cai novamente no exílio.

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