Iberê Camargo (Restinga Seca, 18 de novembro de 1914 – Porto Alegre, 9 de agosto de 1994) foi um pintor, professor e gravurista brasileiro.
Camargo nasceu em Restinga Seca quando esta ainda era o quarto distrito do município de Cachoeira. A localidade foi elevada à categoria de município pela Lei 3.730 de 25 de março de 1959.
Filho de Adelino Alves de Camargo, ferroviário, e de Doralice Bassani, filha de imigrantes italianos.
Iberê Camargo iniciou seus estudos ainda no Rio Grande do Sul, na Escola de Artes e Ofícios da Cooperativa da Viação Férrea de Santa Maria. Já em Porto Alegre, estudou pintura de forma autodidata, com breve orientação de João Fahrion. Em 1942 chegou ao Rio de Janeiro, onde ingressou na Escola Nacional de Belas-Artes. Frustrado com o academismo vigente, abandonou a Escola e, por recomendação de Candido Portinari, passou a frequentar o curso livre de Alberto da Veiga Guignard. Em 1953 fundou o Curso de Gravura em Metal no Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, lecionando mais tarde essa técnica em permanências mais ou menos longas em Porto Alegre e em outras cidades, inclusive do exterior. Em Porto Alegre, foi um dos grandes incentivadores para a criação do Atelier Livre. Em 1948, Iberê e Maria Coussirat viajaram para a Europa, onde permaneceram durante dois anos e meio. Em Roma, Iberê estudou pintura com Giorgio de Chirico, gravura com Carlo Alberto Petrucci e materiais com Leoni Augusto Rosa. Em Paris, freqüentou a Academia André Lhote, atraído tanto pela leitura do Tratado da Paisagem quanto pela fama de grande professor que esse possuía.
Embora Iberê tenha estudado com figuras representativas de variadas correntes estéticas, não se pode afirmar que tenha se filiado a alguma. Suas obras estiveram presentes, e sempre representadas, em grandes exposições pelo mundo inteiro, como na Bienal de São Paulo e na Bienal de Veneza. Iberê Camargo foi uma grande referência para a arte gaúcha e brasileira em geral.
Iberê teve apenas uma filha, Gerci, fruto de um romance passageiro na década de 1930. Gerci Camargo deu-lhe dois netos, Carlos Iberê e Doralice, e três bisnetos.
Em 5 de dezembro de 1980, durante uma briga na Rua Sorocaba, no Rio de Janeiro, Iberê, então com 66 anos, atirou com seu revólver no engenheiro Sérgio Alexandre Esteves Areal, de 32 anos, que veio a falecer. Preso em flagrante, ficou detido por 28 dias no Batalhão de Choque da Polícia Militar. Alegando legítima defesa, foi absolvido liminarmente em 30 de janeiro de 1981, veredito confirmado em 2 de junho de 1982.
Depois da confirmação da absolvição, abalado com os acontecimentos, mudou-se para Porto Alegre. A análise dos trabalhos seguintes do pintor indicam que o evento o afetou profundamente, tornando sua obra mais figurativa, em tons mais sombrios.
Em 1995, no ano seguinte à sua morte, foi criada a Fundação Iberê Camargo, com sede na antiga moradia do artista, no bairro Nonoai, que tem como objetivos a preservação, o estudo e a divulgação da obra do artista. Em 2008, a sede mudou-se para o bairro Cristal, em um prédio projetado pelo renomado arquiteto português Álvaro Siza. O projeto ganhou Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2002 e o Mies Crown Hall Americas Prize em 2014.
Estudou pintura na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Frequentou o curso técnico de Arquitetura do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.
Exposição individual no palácio do governo do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Transferiu-se para o Rio de Janeiro como bolsista do governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Criou, com outros artistas, o Grupo Guignard, Rio de Janeiro.
Exposição individual na Casa das Molduras, Porto Alegre.
Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Exposição Auto-Retrato no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro.