O IX Governo Constitucional de Portugal tomou posse a 9 de junho de 1983, sendo chefiado por Mário Soares e constituído por uma coligação pós-eleitoral entre o Partido Socialista (PS) e o Partido Social-Democrata (PPD/PSD), com base nos resultados das eleições de 25 de abril de 1983. Terminou o seu mandato a 6 de novembro de 1985, devido à eleição de Aníbal Cavaco Silva como presidente do PPD/PSD, que pôs fim ao acordo de governo.
Foi o chamado governo do Bloco Central, pois ambos os partidos — PS e PPD/PSD — se situam no centro-esquerda e centro-direita, respetivamente.
Este governo foi liderado pelo ex-primeiro-ministro socialista Mário Soares. Foi formado e apoiado pelo Bloco Central, uma coligação entre o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PPD/PSD). Juntos, tinham 176 deputados em 250, ou seja, 70,4% dos assentos na Assembleia da República. Foi formado após as eleições legislativas portuguesas de 1983.
Na sequência das eleições legislativas, que o PS venceu com mais de 36% dos votos expressos — enquanto que os três partidos da Aliança Democrática (AD) perderam a maioria absoluta — Mário Soares recusou-se a equacionar a constituição de um governo minoritário e anunciou que iria consultar os militantes socialistas para determinar a estratégia de aliança do partido, afirmando que queria discutir “sem sectarismo nem tabus ideológicos”.
A 8 de maio, o Conselho Nacional do PPD/PSD aprovou a linha defendida pelo seu presidente Carlos Alberto da Mota Pinto de abrir conversações com o PS, solução já aprovada por mais de 80% da base militante do PS. Tendo concluído o princípio de um acordo entre os dois partidos, Mário Soares foi encarregado a 27 de maio pelo presidente da República António Ramalho Eanes para a formação do próximo Governo. A 4 de junho, após cinco semanas de negociações, o acordo de coligação foi assinado pelos dois líderes, gerando fortes críticas do Partido Comunista Português (PCP) e do Partido do Centro Democrático e Social (CDS).
Mário Soares, o vice-primeiro-ministro Carlos Alberto da Mota Pinto, e os outros ministros do Governo tomaram posse a 9 de junho. A Assembleia da República deu a sua confiança ao novo governo em 24 de junho, após três dias de debate e com a oposição dos comunistas e dos centristas.
Internamente contestado por ponderar apoiar um militar nas eleições presidenciais de 1986 — em vez de um civil como acordado — e atrasar o mais possível o anúncio dessa candidatura quando o próprio Mário Soares pretendia ser candidato, Carlos Alberto da Mota Pinto demitiu-se em 7 de fevereiro de 1985 da presidência do PPD/PSD, quatro dias depois do Conselho Nacional o apoiar com apenas dois votos de diferença. Foi substituído em 10 de fevereiro pelo ministro da Justiça Rui Machete, e a 15 de fevereiro, Mário Soares procedeu a uma remodelação ministerial na qual Rui Machete substituiu Carlos Alberto Mota Pinto nos cargos de ministro da Defesa Nacional e de Vice-Primeiro-Ministro.
A 19 de maio, na Figueira da Foz, o congresso do PPD/PSD elegeria o ex-ministro das Finanças Aníbal Cavaco Silva para a presidência do partido. Depois do fracasso das discussões iniciadas entre os líderes dos dois parceiros da coligação para "relançar a atividade governamental" e enquanto Cavaco Silva apoiava abertamente o candidato presidencial do CDS Diogo Freitas do Amaral, o PPD/PSD anuncia no início do mês de junho a sua saída da aliança de governo para após a assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), a 12 de junho.
Os ministros sociais-democratas apresentaram a sua demissão ao Presidente da República no dia 13 de junho, seguidos doze dias depois por Mário Soares, depois de o PS não ter obtido garantias de poder formar um governo minoritário. A 27 de junho, António Ramalho Eanes indicou que iria prosseguir consultas e a 12 de julho anunciou a dissolução da Assembleia da República, dando tempo aos deputados para ratificar o acordo de adesão à CEE. No dia marcado, convocaram-se eleições legislativas antecipadas para 6 de outubro, cabendo ao governo em funções entrar em modo de gestão corrente.
O Governo era constituído pelo Primeiro-Ministro, pelo Vice-Primeiro-Ministro e pelos ministros, secretários e subsecretários de Estado.
O Governo compreendia os seguintes ministros:
b) Ministro da Defesa Nacional;
c) Ministro da Administração Interna;
d) Ministro dos Negócios Estrangeiros;
f) Ministro das Finanças e do Plano;
h) Ministro do Trabalho e Segurança Social;
j) Ministro da Agricultura, Florestas e Alimentação;
l) Ministro da Indústria e Energia;