Humberto Gessinger (Porto Alegre, 24 de dezembro de 1963) é um cantor, compositor, multi-instrumentista e escritor brasileiro. É especialmente conhecido por ter fundado a banda Engenheiros do Hawaii, na qual tocou de 1985 até 2008, quando o grupo entrou em uma espécie de hiato por tempo indeterminado. Com esta banda, lançou mais de 20 álbuns — entre álbuns de estúdio, ao vivo, coletâneas e de vídeo —, conquistando oito discos de ouro, um de platina e 3 DVDs de ouro, além de ter vendido mais de 3 milhões de álbuns e emplacado diversos sucessos fonográficos. Na sequência, participou do duo Pouca Vogal, ao lado de Duca Leindecker, com quem lançou três álbuns e participou de extensa turnê entre 2008 e 2012. Desde 2013, lança discos e faz shows como parte de sua carreira solo que começou em 1996, mas estava parada devido à carreira de seus grupos.
O estilo musical predominante em sua produção discográfica é o rock, especialmente nas vertentes new wave, rock gaúcho e folk rock. Em toda a sua discografia, aparecem bastante as influências do rock progressivo dos anos 1970, da MPB - especialmente, do Clube da Esquina - e da MPG, bem como do regionalismo gaúcho. Em relação a esta última, Humberto busca incluir em sua música diversos instrumentos que são significantes para este estilo, como a gaita, a viola caipira, o bandolim e o acordeão.
Além da carreira musical, Gessinger já escreveu para colunas em jornais e publicou cinco livros até o presente momento. Na vida pessoal, Humberto chegou a cursar arquitetura, mas teve que largar o curso devido à carreira musical. Ele é casado e tem uma filha, residindo em Porto Alegre.
Filho de Huberto Aloysio Gessinger e Casilda Nilsa Minatti, Humberto nasceu em 24 de dezembro de 1963, em Porto Alegre. O casal teve mais 3 filhos: Maria Rosália, em 1957; Rosana Maria, em 1961; e João Rodolfo, em 1965. Os pais de Humberto eram professores: ela de geografia e ele de latim, francês e português. Como o pai dele dava aulas no Colégio Anchieta, os filhos frequentavam a escola sem ter que pagar as caras mensalidades. Além disso, tinham dificuldades em ter amigos porque moravam longe da escola e Humberto também porque era muito tímido. Desde cedo passou a se interessar por música, sempre tendo um gosto bem eclético e ouvindo desde rock até música nativista. Assim, passou a ir a pé para a escola para economizar o dinheiro do ônibus e comprar discos. Quando criança, ganhou um violão pelo seu gosto por "Era um Garoto Que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones", na versão de Os Incríveis, e de "Picaço Velho", de José Mendes. Em 1976, seu pai adoeceu de leucemia, vindo a falecer dois anos depois.
A partir dessa época, começa a se interessar ainda mais por música, especialmente rock progressivo e música instrumental. No seu aniversário de 15 anos, ganha sua primeira guitarra, uma Giannini Diamond, e um amplificador. Ao procurar aulas de violão, vê seu professor Ayrton Fagundes da Silva - conhecido como Ayrton do Bandolim - tocando choro em um bandolim, passando a se interessar pelo estilo musical e pelo instrumento. Assim, compra diversos discos de Waldir Azevedo e Jacob do Bandolim. Seu professor avisa ele que choro é um estilo que não dá pra tocar sozinho e o convence a montar um grupo para praticar. Humberto, então, convida alguns de seus colegas de Anchieta - Cláudio Gerdau Johannpeter e Nestor Forster Filho, nos violões, e Ricardo Horn, no cavaquinho - para tocarem junto com ele. O grupo chegou a se apresentar em alguns bares próximos da casa dos Gessinger, onde ensaiavam, mas a proximidade do vestibular levou ao fim do conjunto. Humberto prestou o concurso para arquitetura e entrou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul no início de 1981.
Desde pequeno, Humberto torce para o Grêmio, embora tenha desenvolvido uma afinidade pelo Botafogo quando residiu no Rio de Janeiro, entre 1988 e 1997. No ano em que se mudou para a capital fluminense, casou-se com a arquiteta Adriane Sesti, antiga colega de escola e faculdade. Em 1992, o casal teve uma filha chamada Clara, que se casou com o sueco David Lidberg, em Porto Alegre, em 2024.
1985–1996: Engenheiros do Hawaii
No final de 1984, devido a uma greve de professores, a faculdade de arquitetura da UFRGS teria aulas no período tradicional das férias de verão. Como os alunos majoritariamente de classe média e média-alta estavam acostumados a viajar no período, o centro acadêmico resolve promover uma apresentação de uma banda. Carlos Maltz, que conhecia o pessoal do centro acadêmico, sugere que eles poderiam ter uma banda só com estudantes do curso abrindo o espetáculo. Assim, ele reuniu Humberto Gessinger e Carlos Stein (que tocavam guitarra) e Marcelo Pitz (que tocava baixo e que Carlos conhecia por terem entrado juntos no curso) para realizarem a apresentação. O show acabou acontecendo no dia 11 de janeiro de 1985 - mesmo dia do início do primeiro Rock in Rio - após apenas uns 2 ou 3 ensaios. A banda tocaria apenas mais um show como um quarteto antes de Carlos Stein sair e eles continuarem como um trio.
Com essa formação, a banda experimentaria, primeiro, o sucesso local com uma série de demos que tocaram na rádio Ipanema FM e, depois, o sucesso nacional com o lançamento de seu álbum de estreia, Longe Demais das Capitais, em outubro de 1986, que, em grande parte devido ao sucesso de "Toda Forma de Poder", venderia mais de 130 mil cópias no ano de seu lançamento, rendendo ao grupo o seu primeiro disco de ouro. Entretanto, em abril do ano seguinte, durante a turnê Toda Forma de Tour, Pitz anunciaria aos outros integrantes que estava saindo do grupo. Ainda, no mês seguinte, em uma participação no disco Carecas da Jamaica, de Nei Lisboa, eles conhecem Augusto Licks, guitarrista gaúcho que acompanhava Nei. Assim, em junho daquele ano, Augusto entraria na banda, substituindo Marcelo, com Humberto passando a tocar baixo. Com esta formação, a banda gravaria 5 discos de estúdio - A Revolta dos Dândis, Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém, O Papa É Pop, Várias Variáveis e Gessinger, Licks & Maltz - e 2 ao vivo - Alívio Imediato e Filmes de Guerra, Canções de Amor - entre 1987 e 1993, ganhando 5 discos de ouro e 1 de platina.
Porém, no final de novembro de 1993, Licks seria expulso do grupo e, após batalha na justiça, teria direito a uma indenização dos ex-companheiros de banda. Maltz e Gessinger continuariam com a entrada do guitarrista Ricardo Horn, já em dezembro daquele ano. Após concluírem a turnê, seriam adicionados ao grupo Fernando Deluqui (ex-guitarrista do RPM), em abril de 1995, e Paulo Casarin (tecladista que já havia tocado no Bixo da Seda e acompanhado artistas como Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Moraes Moreira), no mês seguinte. Com esta formação, lançam Simples de Coração, álbum que também receberia disco de ouro, puxado pelo hit "A Promessa". Entretanto, após um incidente durante a turnê que se seguiu, em janeiro de 1996, quando a banda se apresentou sem o seu baixista e vocalista, o grupo acaba, em agosto do mesmo ano, com Humberto e Carlos saindo em carreira solo.
1996: Breve hiato e Humberto Gessinger Trio
Em 1996, Gessinger, cansado dos esquemas voltados a grandes públicos das turnês dos Engenheiros do Hawaii, inicia um projeto paralelo ao lado dos músicos Luciano Granja e Adal Fonseca. O grupo, inicialmente chamado 33 de Espadas, tocava apenas composições instrumentais. Após a gravação de uma demo, a banda saiu em turnê no final do mesmo ano sob o nome de Humberto Gessinger Trio, não mais tocando apenas músicas instrumentais e lançando um álbum de estúdio homônimo.
Apesar de Gessinger ter assegurado que Fonseca e Granja tomavam parte nas decisões musicais e ter declarado que o trio soava mais como banda do que a última formação dos Engenheiros do Hawaii, o projeto era frequentemente referido como um embrião para a sua carreira solo. Após poucos meses, passaram a utilizar o nome Engenheiros do Hawaii: a decisão baseou-se nas dificuldades encontradas por Gessinger em promover shows sem ter o nome associado à antiga banda.