Hugo Carvana de Hollanda (Rio de Janeiro, 4 de junho de 1937 — Rio de Janeiro, 4 de outubro de 2014) foi um ator e diretor de cinema e televisão brasileiro. O ator tornou-se conhecido do grande público interpretando personagens notáveis na televisão, como o jornalista Valdomiro Pena, do seriado Plantão de Polícia, e o empresário Lineu Vasconcelos, da novela Celebridade, embora não escondesse sua paixão pelo cinema.
Hugo Carvana trabalhou em mais de cem filmes, desde a época em que começou, participando de algumas produções como figurante, por volta do ano de 1955, nas chanchadas da Atlântida. Passando no início da década de 1960 por seu primeiro papel de destaque em Esse Rio que Eu Amo, atuando ao lado de Agildo Ribeiro e Tônia Carrero. Até os sucessos de Bar Esperança e O Homem Nu, como diretor. Em 1962, fez parte do movimento do Cinema Novo. Além disso, atuou também no Teatro de Arena de São Paulo, no Teatro Nacional de Comédia e no Grupo Opinião. Em 1975, Carvana é convidado pelo diretor Daniel Filho, com quem já havia trabalhado em alguns filmes, a participar de sua primeira novela, Cuca Legal.
Em vários filmes interpretou a imagem do malandro carioca, tendo estreado na direção com Vai Trabalhar, Vagabundo!, no ano de 1973, filme no qual também atuou.
O ator também foi um diretor subestimado no cinema nacional devido ao uso abundante de tomadas externas e em locais públicos (trens, ônibus, praças, ruas etc.) de seus filmes, mostrando o trabalhador, o pobre na sua condição mais crua, muitas vezes até atuando diretamente com o público, que aparece como é, sem a necessidade de figurantes, o que nos deixa ter uma ótima noção dos costumes do Rio de Janeiro da década de 1970.
Nos seus filmes iniciais, ele expunha o cotidiano do carioca, abria espaço para uma crítica mais concreta, principalmente em seu segundo filme Se Segura, Malandro!, que foi rodado no governo Geisel. Tal filme, se tornou possível devido ao momento político vivido em 1978, quando a produção foi lançada, um ano antes da anistia.
O humor, hoje, é moda. E se amanhã sair de moda, eu vou continuar fazendo humor. É uma devoção. Só consigo me olhar sob esse viés da alegria, da brincadeira, da ironia. Estou preso a essa bolha da alegria, e de dentro dela não pretendo sair.
Durante as décadas de 1980 e 1990, apesar de manter-se ativo nas produções de cinema, Hugo teve papéis de destaque na Rede Globo. Interpretou personagens marcantes da teledramaturgia brasileira como Numa Pompílio de Castro na novela Fera Ferida de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares e como Silva em De Quina pra Lua de Alcides Nogueira com argumentação de Benedito Ruy Barbosa.
Em 1997, dirigiu o filme O Homem Nu, com roteiro de Roberto Santos protagonizado por Cláudio Marzo. Nos anos seguintes, interpretou Azevedo em Corpo Dourado e Gouveia na minissérie Chiquinha Gonzaga. No cinema, interpretou Queiroz em Mauá - O Imperador e o Rei.Em 2003, dirigiu o filme de comédia Apolônio Brasil, o Campeão da Alegria, protagonizado por Marco Nanini. No mesmo ano, esteve no elenco da novela Celebridade de Gilberto Braga, onde interpretou um dos principais personagens de sua carreira, Lineu Vasconcelos.
No ano de 2008, atuou novamente como diretor ao dirigir o longa de comédia Casa da Mãe Joana. Nesse período teve carreira intensa, participando em várias produções televisivas, como Paraíso Tropical, Casos e Acasos e JK. Em 2009, entrou para o elenco de Malhação, onde interpretou o inspetor Ubiracy Cansado.
Em 2011, dirigiu o longa Não se Preocupe, nada Vai Dar Certo! estrelado por Tarcísio Meira. O filme foi indicado como Melhor trilha sonora no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2012. No mesmo ano, interpretou o personagem Seu Silveira, na novela Insensato Coração.
No ano de 2012, fez sua última participação na televisão na minissérie O Brado Retumbante interpretando Mourão.
Em 2013, dirigiu seu último filme, Casa da Mãe Joana 2. O filme foi visto por 142.072 pessoas nos cinemas. No mesmo ano, participou do filme Giovanni Improtta como Cantagallo, de seu amigo pessoal José Wilker. A última interpretação de Hugo, que possuí mais de cem filmes em sua trajetória, foi no filme Rio, Eu Te Amo como Manoel, um torcedor fanático do Fluminense Football Club.
Hugo Carvana nasceu na zona norte do Rio de Janeiro, mais especificamente em Lins de Vasconcelos, filho de uma costureira e de um comandante da Marinha Mercante. Era casado com a jornalista Martha Alencar, e pai de Pedro, Maria Clara, Júlio e Rita, já adultos.
Assim como no filme Rio, Eu Te Amo, Hugo foi um torcedor fanático do Fluminense Football Club.
No dia 4 de outubro de 2014, faleceu, aos 77 anos, em decorrência de um câncer de pulmão descoberto em 1996. Seu corpo foi cremado.
«Entrevista com Hugo Carvana no cinemaCAFRI.com»
«Hugo Carvana em Memória Globo»