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Honduras

País na América Central

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Honduras, oficialmente República das Honduras (português europeu) ou República de Honduras (português brasileiro) (em espanhol: República de Honduras), é um país da América Central, limitado a norte pelo Golfo das Honduras, e a leste pelo Mar do Caribe (por onde possui fronteira marítima com o território colombiano de San Andrés e Providencia), a sul pela Nicarágua, pelo Golfo de Fonseca e por El Salvador e a oeste pela Guatemala. Sua capital é Tegucigalpa.

O país abrigou várias culturas indígenas importantes, mais notavelmente os Maias. Cristóvão Colombo foi o primeiro europeu a visitar as Islas de la Bahía, na costa do país, desembarcando perto da atual cidade de Trujillo. Grande parte do país foi conquistado e colonizado pela Espanha no século XVI, que introduziu seu idioma, agora predominante, e muitos de seus costumes. Foi organizada como uma província do Reino de Guatemala e teve três capitais: Trujillo, Comayagua e, a partir de 1880, Tegucigalpa, que permanece até hoje. Tornou-se independente em 15 de setembro de 1821 e foi uma república desde o fim do domínio espanhol.

O território de Honduras é muito acidentado, formando-se por montanhas, planaltos, vales profundos e planícies extensas e férteis, atravessadas ​​por rios navegáveis. Tudo isso contribui para a sua rica biodiversidade. Estima-se que existam cerca de 8 000 espécies de plantas, 276 répteis, 153 anfíbios, 771 aves e 220 espécies de mamíferos, distribuídos em diferentes regiões ecológicas em Honduras.

A população hondurenha é de 8,8 milhões de habitantes, de acordo com estimativas de 2016, fazendo deste o quinto país mais populoso da América Central, superado por Guatemala, Cuba, República Dominicana e Haiti. Sua área territorial é de 112 492 km², sendo o 101º maior país do mundo. A economia é voltada principalmente às atividades agrícolas, além do comércio, indústria, finanças e serviços públicos. A nação é dividida em 18 departamentos e seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,632, é classificado como médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e seu Produto interno bruto (PIB) é 21,52 bilhões USD.

Quando ajustado à desigualdade de rendimentos, o seu Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade era de 0,472 em 2019.

Em 2022, segundo o Instituto Nacional de Estatística das Honduras (INE), 73% da população do país é pobre e 53% vive em extrema pobreza. O país é um dos mais desiguais da América Latina.

A palavra Honduras vem do espanhol e significa "profundezas" (no singular, hondura), em referência às águas profundas no litoral sul do país.

Os europeus chegaram ao território onde hoje se encontra Honduras no ano de 1500, quando da quarta viagem de Cristóvão Colombo. Colombo encontrou um território marcado pela presença da avançada civilização maia, e só após um período de guerra contra as forças indígenas (1523–1539) é que os Espanhóis lograram estabelecer uma colônia. A partir de 1570 o território onde hoje se encontra Honduras passou a estar sob a administração geral da Guatemala, também colônia espanhola.

Uma vez obtida a independência, da Espanha, em 1821, Honduras tornou-se parte do império de Augustín de Iturbide. O país liderou, a partir de 1824, a União ou República Federal das Províncias Unidas da América Central até 1838, ano em que se retiraram daquela federação, proclamando a total independência de Honduras a 5 de novembro do mesmo ano. A situação de Estado independente data do fim da união, após a qual uma ininterrupta sucessão de caudilhos dominou o país no restante do século XIX.

No início do século XX, o presidente liberal Miguel Rafael Dávila, aliado próximo da Nicarágua de José Santos Zelaya, proclamou com esta última a Grande República da América Central, que deveria levar a uma união dos estados da região e repelir os projetos expansionistas dos Estados Unidos. Os Estados Unidos reagiram dando apoio financeiro aos conservadores de Manuel Bonilla. Em um contexto de deterioração das relações comerciais, mercenários americanos organizaram uma incursão no porto de Acajutla; Davila os repeliu e tratou os prisioneiros como 'freebooters'. Os Estados Unidos então solicitaram novamente Manuel Bonilla contra ele. O navio de guerra USS Tacoma, em águas hondurenhas, forneceu apoio oportuno a Bonilla para derrubar o governo.

Em 1963, o exército derrubou o governo eleito de Ramón Villeda Morales, que havia sido popularizado pelo início da reforma agrária, a fim de substituir o Partido Nacional, que estava mais preocupado em satisfazer os interesses da oligarquia rural. El Salvador invadiu brevemente Honduras em julho de 1969 durante a "guerra do futebol", após uma partida de futebol ter exacerbado as tensões entre os dois países. Nos anos 70, o país era um dos mais pobres e desiguais do continente. A renda média de um hondurenho é de pouco mais de 250 dólares por ano, enquanto a metade da população tem que se contentar com 13% da renda nacional, com um privilegiado 5% recebendo um terço. O número de analfabetos é superior a 50%.

De 1972 a 1983, Honduras foi governada pelos militares. A influência dos Estados Unidos foi tão forte que o termo "proconsul" foi usado para se referir a seu embaixador. Nos anos 80, o governo Reagan usou o país como plataforma em sua guerra contra o governo sandinista na Nicarágua e a guerrilha de esquerda em El Salvador e na Guatemala. A ajuda militar americana a Honduras foi aumentada de US$ 4 milhões em 1981 para US$ 77,4 milhões em 1984. O país foi incluído, em 1983, nos planos de defesa da região proposto pelos Estados Unidos, servindo de base para treinamento de soldados, mas em 1984 o governo pediu revisão do Tratado de Aliança com esse país. Os Estados Unidos não estavam preparados para desistir de seu papel militar. Ao mesmo tempo em que, internamente, assinala que as forças governamentais hondurenhas cometem "centenas de violações dos direitos humanos (...), a maioria delas de motivação política", a CIA apoia os esquadrões da morte, particularmente o Batalhão 3–16, que torturam, assassinam ou desaparecem dezenas de sindicalistas, acadêmicos, camponeses e estudantes. Documentos desclassificados indicam que o Embaixador John Negroponte intervém pessoalmente para bloquear possíveis revelações desses crimes do Estado, a fim de evitar "criar problemas de direitos humanos em Honduras".

Em 1985, aumentou a tensão com a Nicarágua. O novo presidente, José Azcona Hoyo (1985–1990), abraçou um movimento pacifista levado a cabo pelos países da América Central. Ameaçou interromper a actividade dos "contra", assim como diminuir o poder dos militares. Honduras, no entanto, manteve-se economicamente dependente dos Estados Unidos, em 1989, Rafael Leonardo Callejas foi eleito presidente com o apoio norte-americano. A crise económica, a actividade guerrilheira de esquerda e as forças de segurança ficaram fora de controle, com 40 assassinatos e mais de 4 mil violações dos direitos humanos. Em 1991, o governo concedeu uma amnistia e iniciou negociações com guerrilheiros de esquerda.

Em 28 de Junho de 2009, o Presidente Manuel Zelaya foi destituído pela Suprema Corte e exilado pelo Exército hondurenho. O ato ocorreu em função do desejo de Zelaya de realizar uma consulta popular para perguntar aos hondurenhos se queriam que, em simultâneo com as eleições a realizar em Novembro de 2009, se realizasse também uma votação no sentido de decidir a criação de uma Assembleia Constituinte que reformasse a Constituição para aprovar reeleições o que é terminantemente proibido pela Constituição. Inicialmente a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, considerou o ato como um golpe de estado, e criticou duramente o novo governo liderado por Roberto Micheletti. Entretanto, passaram a reconhecer que houve a aplicação integral da Constituição Hondurenha.

O Presidente Juan Orlando Hernández é reeleito em 2017 após uma votação considerada fraudulenta pela oposição e pelos observadores internacionais. O governo declara o estado de emergência. Cerca de 30 manifestantes foram mortos e mais de 800 presos. Segundo as Nações Unidas e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, "muitos deles foram transferidos para instalações militares, onde foram brutalmente espancados, insultados e às vezes torturados".

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