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História em quadrinhos no Brasil

As histórias em quadrinhos no Brasil (também chamadas de HQs, gibis, revistinhas, ou historietas) começaram a ser public

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As histórias em quadrinhos no Brasil (também chamadas de HQs, gibis, revistinhas, ou historietas) começaram a ser publicadas no século XIX, adotando um estilo satírico conhecido como cartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabeleceria com as populares tiras. A edição de revistas próprias de histórias em quadrinhos no país começou no início do século XX.

Precursores e primeiros passos (1837 - 1895)

Em 1837, circulou o primeiro desenho em formato de charge, de autoria de Manuel de Araújo Porto-Alegre, que foi produzido em litografia e vendido em papel avulso. Mais tarde, em 1844, o autor criaria a revista de humor político Lanterna Mágica.

Em 1855, o francês Sébastien Auguste Sisson publica "O Namoro, quadros ao vivo, por S… o Cio" na revista O Brasil Ilustrado.

No final da década de 1860, Angelo Agostini continuou a tradição de introduzir desenhos com temas de sátira política e social nas publicações jornalísticas e populares brasileiras. Entre seus personagens populares, desenhadas como protagonistas de histórias em quadrinhos propriamente ditas estavam Nhô Quim (1869), a primeira HQ do Brasil, que também seria ilustrado por Cândido Aragonez de Faria, e o Zé Caipora (1883). Agostini publicou nas revistas Vida Fluminense, O Malho e Don Quixote.

Em 1898, é lançado o Jornal da Infância, dirigido por José Lins de Almeida, que embora não publicasse quadrinhos, teve colaboração de Calixto Cordeiro e Artur Lucas.

Lançada em 11 de outubro de 1905, a revista O Tico-Tico é considerada a primeira revista em quadrinhos do país, concebida pelo desenhista Renato de Castro, tendo o projeto sido apresentado a Luís Bartolomeu de Souza e Silva, proprietário da revista O Malho (onde Angelo Agostini trabalhou, após o encerramento de Don Quixote). Aprovada, a revista teve a participação de Angelo Agostini, que criou o logotipo e ilustrou algumas histórias da revista. O formato de O Tico Tico foi inspirado em revistas infantis francesas como Le Petit Journal Illustre de la jeunesse Le Jeudi de La jeunesse e La Semaine de Suzette, essa última publicava personagem Suzette foi publicada na revista brasileira com o nome de Felismina. Bécassine, outra personagem da revista, foi chamada de Narcisa. O Tico-Tico é considerada a primeira revista em quadrinhos no Brasil e teve a colaboração de artistas de renome como J. Carlos (responsável pelas mudanças gráficas da revista em 1922), Max Yantok e Alfredo Storni.

O personagem de maior sucesso da revista era Chiquinho (publicado entre 1905 e 1958), considerado por muitos anos como uma criação brasileira até que, na década de 1950, um grupo de cartunistas alegou que este era, na verdade, uma cópia do americano Buster Brown de Richard Felton Outcault. Durante a época da Primeira Guerra Mundial , o Chiquinho também teve inspiração nas histórias de Little Nemo in Slumberland. Também figuraram na revista Reco-Reco, Bolão e Azeitona de Luiz Sá, Lamparina de J. Carlos, Kaximbown de Max Yantok, Max Muller de A. Rocha entre outros.

Em 1917, foi lançado o curta-metragem de animação Traquinices de Chiquinho e seu inseparável amigo Jagunço (1917), sem crédito de animadores, apenas da produtora-Kirs Filme.

Em 1930, alguns personagens das tiras americanas foram publicados na revista como Mickey Mouse (chamado de Ratinho Curioso), Krazy Kat, (chamado de Gato Maluco) e Gato Félix. J.Carlos foi o primeiro desenhista brasileiro a desenhar personagens da Walt Disney Company nas páginas de O Tico-Tico.

E 1938, Luiz Sá decidiu produzir uma série de curtas de animação chamada As Aventuras de Virgulino. Na época ele tinha planos de apresentar o projeto ao Walt Disney nos Estados Unidos, porém foi impedido devido a uma lei de Getúlio Vargas na época e os projetos foram esquecidos. Sá vendeu os filmes para uma loja de projetores, nos anos 70, foi encontrado um curta da série Virgulino Apanha.

Oswaldo Storni (filho de Alfredo Storni) e Carlos Arthur Thiré (filho do professor de matemática Cecil Thiré) foram responsáveis pela introdução de quadrinhos de aventura na revista, inspirados nos modelos americanos. Storni em séries como Terras Estranhas (14 de outubro de 1936 – 7 de dezembro de 1938), A Quadrilha Negra de Max Fleters (28 de abril – 1 de setembro de 1937), O Homem Infernal de Frank Morley (15 de setembro – 3 de novembro de 1937), O Outro Mundo (8 de setembro de 1937 – 22 de março de 1939), Pernambuco, o Marujo (24 de novembro de 1937 – 27 de março de 1940) e Aventuras de um Jovem Brasileiro (agosto de 1941 – maio de 1942). Já Thiré iniciou na revista com a série Três Legionários de Sorte (sobre a Legião Estrangeira Francesa), continuada na Vamos Lêr do jornal A Noite, onde também publicou a tira Aí, Mocinho, mais tarde deixou os quadrinhos para se dedicar ao teatro e ao cinema, tornando-se ator, posteriormente, casou-se com a atriz Tônia Carrero e tendo com ela um filho, o também ator Cecil Thiré.

A revista foi perdendo popularidade na década de 1930, na medida em que surgiram os suplementos de quadrinhos publicados em jornais e diversas revistas em quadrinhos surgidas nessa época; na década de 1950 investiu no humor gráfico, publicando cartuns de artistas como Bosc e Sempé. A revista foi publicada até 1957 (após isso O Malho publicou edições especiais com o título "O Tico-Tico Apresenta" até 1977), e nos últimos quadrinhos de sua existência voltou a ter o foco educativo de outrora.

Os suplementos de jornais e o surgimento das editoras (1929 - 1959)

Em setembro de 1929, o jornal A Gazeta cria um suplemento de quadrinhos no formato tabloide, baseado nos Suplementos dominicais de quadrinhos americanos; no mês seguinte, a Casa Editorial Vecchi (uma editora de origem italiana) lançou a revista Mundo Infantil, também em 1929, o Correio Universal publica as tiras Os Sobrinhos do Capitão, Pinduca, de Carl Anderson e Pafúncio e Marocas, de George McManus, porém o sucesso dos suplementos se deu em 1934 com a criação do Suplemento Infantil de Adolfo Aizen. Aizen trabalhava nos jornais O Globo e nas revistas O Malho e O Tico-Tico; após viajar para os Estados Unidos, conheceu os suplementos de quadrinhos e, ao voltar ao Brasil, conheceu Arroxelas Galvão, representante da King Features Syndicate. Galvão tentará, desde 1932, vender tiras para os jornais brasileiros; a exceção foi o jornal Diário de Notícias que publicava as tiras de Popeye (que foi rebatizado como Brocoió). Aizen negociou com Galvão e assim foi o responsável por publicar pela primeira vez as tiras de aventura de Flash Gordon. Publicado inicialmente pelo jornal A Nação (após ser recusado por Roberto Marinho, do jornal O Globo, onde Aizen trabalhava; na época Marinho alegou que o custo dos suplementos de quadrinhos seria muito alto), lançado em março do mesmo, a primeira edição teve capa de J. Carlos (assim como O Tico-Tico, o Suplemento Infantil misturava tiras estrangeiras e brasileiras, desenhadas por artistas como Monteiro Filho, que ilustrou Os exploradores da Atlântida, ou As Aventuras de Roberto Sorocaba, auxiliado pela esposa Maria e roteirizada por Oswaldo da Silveira) e após quinze edições, pela recém formada editora de Aizen, a Grande Consórcio de Suplementos Nacionais. Sendo um judeu nascido na Rússia, Aizen não poderia ter uma empresa no Brasil - segundo lei vigente na época, apenas nascidos em solo brasileiro poderiam ter tal privilégio, o jornalista havia forjado uma certidão de nascimento em que declarava ser baiano, pois havia morado na Bahia durante a adolescência. Em 1935,o jornal Correio Universal começa a publicação de histórias em quadrinhos brasileiras como nacionais como Hélio do Soveral ("O Mistério da Casa de Campo"), Donatelo Grieco, Ayres Nascimento, Aytlton Flores, Luiz Megulhão, Neisir Couto.

Em 1936, Aizen resolve reunir as páginas do primeiro arco de Flash Gordon, "Flash Gordon no Planeta Mongo" em álbum de luxo no formato horizontal; o álbum vendeu bastante, chegando ao ponto de esgotar a tiragem de 15 mil exemplares, no mesmo ano, Carlos Arthur Thiré publica nas páginas do Suplemento Juvenil, as séries O Gavião do Riff (outra série sobre a Legião Estrangeira Francesa) e Raffles, o ladrão elegante (inspirado numa série literária alemã e no personagem de mesmo nome de Ernest William Hornung) em 1938, Fernando Dias da Silva ganha um concurso do Suplemento Juvenil e publica a tira "O enigma das pedras vermelhas".

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