O período da história dos Estados Unidos entre 1783 e 1815 caracteriza-se pelos primeiros anos de independência dos Estados Unidos, e da união das treze ex-colônias britânicas para formar um único país. As Treze Colônias haviam lutado bravamente pela independência durante a Revolução Americana de 1776. O Reino Unido assumiu a derrota em 1783, e — pelos termos do Tratado de Paris — reconheceu oficialmente a independência dos Estados Unidos.
O período que estende-se entre 1783 e 1815 caracteriza-se por três fatos:
O primeiro foi a criação efetiva do governo americano. Durante os primeiros anos de independência, os Estados Unidos não passavam de uma Confederação de Estados. Ainda não havia governo nacional efetivamente. Em 1787, representantes de todos os Estados americanos, bem como outros oficiais importantes, reuniram-se e escreveram juntamente a Constituição americana. Esta constituição define explicitamente o papel e os poderes do governo federal no país. A Carta de Direitos foi aprovada em seguida. George Washington foi o primeiro Presidente do país, em 1789.
O segundo fato marcante deste período da história americana foi o início da expansão territorial, que já iniciara-se com a independência. As treze colônias anexaram um enorme território britânico, como parte dos termos do Tratado de Paris. Este território estendia-se do sul dos Grandes Lagos até a Flórida espanhola, e dos Apalaches até o Rio Mississippi. Em 1803, o território controlado pelos Estados Unidos dobrou, com a Compra da Louisiana.
O terceiro fato marcante deste período da história americana foi a instabilidade e as dificuldades enfrentadas pelo governo americano. Surgiram problemas tais como a falta de fundos, falta de infraestrutura e atritos nas relações diplomáticas e econômicas entre o recém-formado país e as potências europeias, especialmente o Reino Unido e a França. Estes atritos eventualmente levariam à Guerra Anglo-Americana, uma guerra ocorrida na América do Norte, entre os Estados Unidos e as colônias britânicas que atualmente compõem o Canadá. Esta guerra terminou em status quo em 1815, cujos principais efeitos nos Estados Unidos foram o crescente isolamento do país no cenário mundial e o crescimento do nacionalismo e patriotismo americano.
Estabelecimento do governo federal
Logo após a declaração de independência dos Estados Unidos em 1776, os principais oficiais das treze antigas colônias britânicas, — agora, Estados dos Estados Unidos — passaram a planejar a instalação de um sistema de governo central, que seria válido para todo o novo país. Até então, cada um dos novos Estados possuía sua própria Constituição, mas não existia uma Constituição que valesse para todos os treze Estados. Em 1781, ainda durante a Revolução Americana, um sistema de governo federal rudimentar foi instalado nos treze Estados, sob as leis e medidas dos Artigos da Confederação.
Os Artigos da Confederação dava ao governo federal o poder de declarar guerra e de manejar seu próprio departamento de relações internacionais. Porém, os Artigos da Confederação não davam ao governo americano o poder de coletar impostos em todo o país, regular o comércio inter-estadual ou internacional, ou direcionar o governo destes Estados. Segundo os Artigos da Confederação, cada Estado seria responsável por manejar o próprio governo e cada um dos estados seriam também os únicos com poder de criar impostos e leis próprias.
A Revolução Americana de 1776 havia criado um sério problema para os Estados Unidos: a criação de uma gigantesca dívida por parte do governo americano. Porém, o pagamento desta dívida era impossível, uma vez que o governo americano não tinha o poder de coletar impostos no país. O governo americano sofria muito com a falta de fundos, até mesmo para manter um sistema de defesa nacional. Durante os primeiros anos como um país independente, os Estados Unidos enfrentavam uma séria recessão econômica.
Convenção Constitucional de 1787
Em 1786, a Virgínia persuadiu cinco Estados a enviarem representantes à uma convenção constitucional em Annapolis, Maryland, para discutir temas como o comércio interestadual. Os representantes dos cinco Estados mais a Virgínia decidiram em conjunto que as políticas dos Artigos da Confederação precisavam ser mudadas. Assim sendo, estes seis Estados pressionaram os sete restantes a enviarem representantes à uma nova convenção constitucional, que seria realizada na Filadélfia. Esta convenção constitucional ocorreu durante o verão de 1787. Todos os Estados enviaram representantes com exceção de Rhode Island, que era contra qualquer tipo de intervenção extra-estadual dentro de seus limites territoriais. A Convenção Constitucional de 1787 foi presidida por George Washington, por decisão dos oficiais e representantes presentes na Convenção.
O modesto objetivo inicial desta convenção constitucional era a sugestão e mudanças aos Artigos da Confederação. Porém, rapidamente (e secretamente), todos os oficiais presentes nesta convenção começaram a trabalhar em uma nova Constituição, logo após o primeiro encontro. A Constituição proposta pela convenção pedia por um sistema federal de governo. Este governo trabalharia de forma independente e seria superior em relação aos Estados. Este governo teria a capacidade de cobrar impostos, e seria equipado com os três ramos: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
O Poder Legislativo do país — o Congresso — foi, ao longo da convenção, o tema de maior controvérsia. Os estados de maior população queriam que a representação no Poder Legislativo por parte de cada estado fosse feita através do número de habitantes, ou seja os estados de maior população seriam dotadas de maior representação no Legislativo. Já os Estados de menor população queriam manter o poder que eles tinham segundo os Artigos da Confederação, na qual cada Estado possuía um único representante com direito a um único voto nas decisões. Durante a convenção, decidiu-se que o Legislativo seria composto por um congresso bicameral.
A casa superior seria composta pelo Senado, onde cada estado teria direito a dois representantes escolhidos pelo próprio governador. A casa inferior seria composta pela Câmara dos Representantes, cuja representação dos Estados seria proporcional em relação à população de cada estado, e cujos representantes seriam eleitos pelo povo dos distritos com número de habitantes aproximadamente iguais entre si.
As regras da Constituição exigiam que a adoção de uma emenda constitucional ou de uma nova Constituição precisava ser aprovada pelos Estados para entrar em vigor. Assim sendo, a própria Constituição americana precisaria ser ratificada, ou seja, assinada, por cada Estado. Os oficiais e representantes da Convenção Constitucional de 1787 pediram pela realização de Convenções Constitucionais de ratificação em cada Estado, para a ratificação da Constituição americana por parte destes Estados.
Esta reforma do Congresso americano foi aprovada com facilidade pelos Estados de menor população. O Delaware, por exemplo, tornaria-se o primeiro Estado a ratificar a Constituição, em 7 de dezembro de 1787, tornando-se assim oficialmente o primeiro estado dos Estados Unidos. Mas estas reformas no Congresso encontraram grande oposição dos Estados de maior população, primariamente na Virgínia e especialmente em Nova Iorque. A nova Constituição tornou-se tema de grande controvérsia. A Virgínia fora a primeira colônia britânica bem sucedida no continente americano, possuía uma grande população, e diversas pessoas nativas dessa colônia desempenharam um papel essencial ao longo dos anos da Revolução Americana de 1776. Nessa época, os políticos da Virgínia eram os mais renomados do país. Já Nova Iorque possuía uma grande população e também uma extensão territorial significante, possuindo o mais movimentado e mais bem localizado porto no país. Ambos os Estados eram e foram essenciais para o futuro dos Estados Unidos. Porém, Nova Iorque era controlada por uma elite paroquial, e não se sabia se líderes regionais estariam dispostos a dividir o poder com políticos nacionais que controlariam o governo federal.