Hillary Diane Rodham Clinton (Chicago, 26 de outubro de 1947) é uma advogada e política norte-americana. Exerceu os cargos de secretária de Estado dos Estados Unidos de 2009 a 2013, senadora por Nova Iorque entre 2001 e 2009, primeira-dama de 1993 a 2001, e foi a candidata do Partido Democrata à presidência na eleição de 2016. Foi a primeira mulher a receber mais votos populares em uma disputa presidencial, mas foi derrotada no Colégio Eleitoral.
Nascida e criada em Chicago, Hillary graduou-se em ciência política pela Wellesley College em 1969, e recebeu o grau de Juris Doctor pela Faculdade de Direito de Yale em 1973. Depois de um período como assessora jurídica do Congresso, mudou-se para o Arkansas e casou-se com Bill Clinton em 1975, um político sulista que governou o Arkansas por vários mandatos. Em 1977, cofundou a associação Advogados em Defesa das Crianças e Famílias do Arkansas, tornou-se a primeira presidente da Corporação de Serviços Jurídicos em 1978 e a primeira sócia do escritório Rose Law Firm em 1979. Enquanto era a primeira-dama do Arkansas, liderou uma força-tarefa que reformou o sistema de ensino do Estado, ao mesmo tempo em que fazia parte do conselho de administração da Walmart, entre outras corporações.
Como primeira-dama dos Estados Unidos, lutou pela igualdade de gênero e a reforma da saúde. Em 1998, seu casamento foi um assunto de muita especulação após o escândalo Lewinsky. Ao término do mandato de Bill, Hillary foi eleita em 2000 a primeira mulher senadora por Nova Iorque. Depois dos ataques de 11 de setembro, votou a favor e apoiou as ações militares no Afeganistão e no Iraque, mas posteriormente se opôs à conduta do governo de George W. Bush na Guerra do Iraque, bem como também se opôs à maioria das políticas nacionais de Bush. Em 2006, foi reeleita senadora com 67% dos votos. Logo depois, concorreu para a nomeação presidencial democrata de 2008, ganhando mais primárias e delegados do que qualquer outra candidata na história do país, mas acabou perdendo a nomeação para o senador Barack Obama.
Como secretária de Estado, esteve na vanguarda da resposta do país à Primavera Árabe, defendeu a intervenção militar na Líbia, lidou com o rescaldo do ataque à embaixada em Bengazi em 2012 e organizou um isolamento diplomático e um regime de sanções internacionais contra o Irã, num esforço para forçar a redução do programa nuclear daquele país. Após deixar o cargo em 2013, publicou o seu quinto livro e fez várias palestras antes de anunciar sua segunda candidatura à presidência na eleição de 2016. Hillary conseguiu mais votos e delegados nas primárias democratas e recebeu a indicação do partido, tornando-se a primeira mulher a ser nomeada candidata à presidência por um grande partido político norte-americano. Apesar de ganhar mais votos populares, acabou sendo derrotada pelo republicano Donald Trump no Colégio Eleitoral. Nos anos seguintes, publicou seu terceiro livro de memórias, fundou uma organização de ação política e foi designada chanceler da Queen's University de Belfast.
Hillary Diane Rodham nasceu em 26 de outubro de 1947 no Hospital Edgewater em Chicago, Illinois. Foi criada em uma família metodista unida, primeiramente em Chicago, e, após completar três anos de idade, no subúrbio de Park Ridge, Illinois. Seu pai, Hugh Ellsworth Rodham (1911–1993), era descendente de galeses e ingleses, e abriu um pequeno negócio bem-sucedido na indústria têxtil. Sua mãe, Dorothy Emma Howell (1919–2011), era uma dona de casa com ascendência inglesa, escocesa, francesa e galesa. Hillary tem dois irmãos mais novos: Hugh (nascido em 1950) e Tony (nascido em 1954).
Criada em uma família politicamente conservadora, voluntariou-se nos esforços do Partido Republicano para comprovar que os democratas haviam fraudado a eleição presidencial de 1960 na cidade de Chicago. Hillary encontrou evidências e chegou à conclusão de que houve fraude eleitoral contra o republicano Richard Nixon. Também voluntariou-se na campanha presidencial do republicano Barry Goldwater em 1964. Seu desenvolvimento político inicial foi moldado mais por seu professor de história do ensino secundário (como seu pai, um anticomunista fervoroso), que a apresentou ao livro de Goldwater A Consciência de um Conservador, e por seu pastor (como sua mãe, preocupado com questões de justiça social), com quem conheceu o ativista Martin Luther King, Jr. em 1962.
Quando criança, praticava esportes, participava de várias atividades da igreja e ganhou numerosos prêmios como escoteira. Ela iniciou o ensino secundário na Escola de Ensino Secundário Maine Leste, onde participou da associação de estudantes, do jornal e foi selecionada para a Sociedade de Honra Nacional. Para o seu último ano de ensino secundário, foi transferida para a recém criada Escola de Ensino Secundário Maine Sul. Enquanto estudava na Maine Sul, foi finalista do Programa de Bolsas de Mérito Nacional, concorreu sem sucesso contra sete rapazes ao grêmio estudantil, fez parte do comitê de organizações, e graduou-se como uma das melhores alunas da turma de 1965. Sua mãe queria que ela tivesse uma carreira profissional independente, e seu pai sentiu que as habilidades e oportunidades da filha não deveriam ser limitadas por seu gênero.
No outono de 1965, matriculou-se na Wellesley College, uma faculdade para mulheres de Massachusetts. Durante o seu ano de caloura, presidiu a ala jovem das republicanas na Wellesley; identificava-se com o grupo de Nelson Rockefeller, considerado mais moderado e liberal, e apoiou as eleições do prefeito John Lindsay e do senador Edward Brooke. Mais tarde, a medida que suas opiniões sobre o movimento dos direitos civis dos negros e a Guerra do Vietnã mudaram, renunciou ao cargo que tinha na ala jovem do GOP. Em uma carta enviada a seu pastor da época em que era mais jovem, descreveu-se como "uma mente conservadora e um coração liberal". Em contraste com os anos 1960, que preconizavam ações radicais contra o sistema político, procurou trabalhar para a mudança dentro dele.
Em 1968, tornou-se apoiadora da candidatura presidencial do democrata antiguerra Eugene McCarthy. Após o assassinato de Martin Luther King, Jr., organizou uma greve estudantil de dois dias e trabalhou com colegas negras para recrutar mais estudantes e professores negros. No início de 1968, foi eleita presidente da Associação de Governo de Wellesley, permanecendo neste cargo até o início de 1969.
Para ajudá-la a entender melhor suas mudanças de pontos de vista políticos, o professor Alan Schechter ofereceu-lhe um estágio na Conferência Republicana da Câmara; Hillary aceitou o convite e participou do Programa de Estágio de verão da "Wellesley em Washington". Ainda em 1968, foi convidada pelo representante republicano moderado Charles Goodell, que conheceu no estágio em Washington, a ajudar na campanha presidencial de Rockefeller durante as primárias. Como voluntária de Rockefeller, participou da Convenção Nacional Republicana em Miami. No entanto, ficou chateada pela forma em que a campanha de Richard Nixon e Rockefeller retrataram o que percebeu como mensagens racistas "veladas" na convenção, e acabou trocando os republicanos por seu maior rival, o Partido Democrata, naquele mesmo ano. Em sua autobiografia Vivendo a História, escreveu: "Às vezes penso que não fui eu quem deixou o Partido Republicano, mas sim o contrário".
Hillary escreveu sua tese, uma crítica às táticas do organizador comunitário radical Saul Alinsky, sob a orientação do professor Schechter. Em maio de 1969, graduou-se com um bacharel de artes com honras departamentais em ciência política. Pressionada por algumas colegas, tornou-se, em 31 de maio de 1969, a primeira aluna na história da Wellesley College a proferir o discurso de formatura. Em seu discurso afirmou que "o medo está sempre conosco, mas simplesmente não temos tempo para ele. Não agora"., sendo em seu final aplaudida de pé durante sete minutos. Hillary foi destaque em um artigo publicado na revista Life, graças a uma parte do discurso em que criticou o senador Brooke, que havia falado antes dela. Também apareceu nacionalmente no talk show televisivo de Irv Kupcinet. Naquele verão, viajou para o Alasca, onde lavou pratos no Parque Nacional e Reserva de Denali e limpou peixes em uma fábrica temporária de salmão localizada em Valdez, que a despediu após queixar-se das condições insalubres do local.