Herbert Marcuse (Berlim, 19 de julho de 1898 – Starnberg, 29 de julho de 1979) foi um sociólogo e filósofo alemão naturalizado norte-americano, pertencente à Escola de Frankfurt. Está sepultado no Dorotheenstädtischer Friedhof em Berlim.
Em suas obras escritas, ele criticou o capitalismo, a tecnologia moderna, o materialismo histórico e a cultura do entretenimento, argumentando que eles representam novas formas de controle social. Seus trabalhos mais conhecidos são Eros e Civilização (1955) e O Homem Unidimensional (1964).
De origem judia, assim que os nazistas tomaram o poder em 1933, ele emigrou com sua família, primeiro para a Suíça e depois para os Estados Unidos, após uma breve passagem em Paris. É contratado pelo Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt, que já se mudara para Nova Iorque. Devido à fraca situação financeira do Instituto, entre 1943 e 1950, Marcuse trabalhou no serviço do governo dos EUA para o Escritório de Serviços Estratégicos (OSS; antecessor da Agência Central de Inteligência), onde trabalhou em um projeto de desnazificação e criticou a ideologia do Partido Comunista da União Soviética no livro Marxismo Soviético: Uma Análise Crítica (1958).
Após seus estudos, nas décadas de 1960 e 1970, ele ficou conhecido como o principal teórico da Nova Esquerda e dos movimentos estudantis da Alemanha Ocidental, França e Estados Unidos; alguns o consideram o "pai da nova esquerda". Seus estudos acadêmicos críticos e análises do marxismo inspiraram muitos intelectuais radicais e ativistas políticos nas décadas de 1960 e 1970, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente, incluindo, Angela Davis, Norman O. Brown, Charles J. Moore, Abbie Hoffman, Rudi Dutschke e Robert M. Young
Herbert Marcuse nasceu em Berlim numa família de judeus assimilados.
Foi membro do Partido Social-Democrata Alemão entre 1917 e 1918, tendo participado de um Conselho de Soldados durante a revolução berlinense de 1919, na sequência da qual deixou o partido.
Estudou filosofia primeiro em Berlim e depois em Freiburg, onde estudou literatura alemã contemporânea e complementarmente filosofia e economia política.
Em 1922 defendeu sua tese O Romance de Arte alemão, claramente inspirada na obra do Lukács pré-marxista e na de Hegel.
Casou-se em 1924 com Sophie Wertheim e descobriu Ser e Tempo de Heidegger.
Depois disso, em 1928 voltou a Freiburg para estudar com Heidegger, que acabara de suceder a cadeira de Husserl, tendo se tornado seu assistente de cátedra. Em 1932, Heidegger o alertou para o risco de continuar na Alemanha, conforme depoimento a seu neto Harold.
Em 1933, já no seu exílio ocasionado pela ascensão nazista, Marcuse escreveu seu último trabalho na Alemanha, sobre a Filosofia do Fracasso de Karl Jaspers.
Marcuse era um crítico de Heidegger desde o início de seu contato com ele, pois considerava que a analítica do 'Dasein', de enfrentar suas próprias consequências práticas, era um conceito a-histórico.
Assim Marcuse partiu para o estudo de filósofos que poderiam fornecer uma maior concretude aos conteúdos e conceitos filosóficos, como Dilthey e Hegel.
Todos os filósofos que participaram até então da formação de Marcuse tiveram sua importância grandemente diminuídas quando são editadas as obras da juventude de Karl Marx em 1932. Marcuse foi um dos primeiros a interpretar criticamente os Manuscritos Economico-filosóficos de Marx e "pensava encontrar neles um fundamento filosófico da economia política no sentido de uma teoria da revolução" (Wiggershaus 2003, p. 134). Para ele, não era mais necessário recorrer a Heidegger para fundamentar filosoficamente o marxismo, já que viu no próprio Marx a possibilidade dessa fundamentação.
É de Marx que virá sua crítica ao Nacionalismo e aos efeitos que o capitalismo burguês vai ter na vida das pessoas. Também vem de Marx a proposta de que, com o desenvolvimento da tecnologia e do capitalismo como um todo, em conjunto com uma ação prática-revolucionária da sociedade, poderemos alterar as nossas condições e erguer uma nova organização social, que possibilite uma vida melhor para as pessoas, e onde elas não sejam alienadas. Marcuse procura esboçar caminhos que nos levem para além da organização sócio-econômica atual.
Contato com a Escola de Frankfurt
Em 1933, por intermédio da intervenção de Leo Lowenthal e de Kurt Riezler, Herbert Marcuse foi admitido no Instituto de Pesquisas Sociais que seria mais tarde associado à Escola de Frankfurt, que neste momento estava exilado em Genebra. Ele tentara, sem sucesso, desde 1931 entrar em uma relação mais estreita com o Instituto. Em 1934, junto com Theodor Adorno e Max Horkheimer mantém suas atividades nos Estados Unidos. Em 1950, os colaboradores do Instituto retornam à Alemanha, mas Marcuse decide permanecer nos Estados Unidos onde pensa, escreve e ensina até sua morte em 1979.
Podemos perceber, em “Eros e Civilização”, um diálogo constante que Marcuse terá com a obra freudiana. Uma grande influência de Freud será a busca da felicidade do indivíduo humano, que virá através da satisfação dos desejos individuais da pessoa. As pessoas hoje seriam infelizes porque a sociedade bloqueia a realização de seus desejos, e devemos tentar reverter essa situação. Será utilizado muito da teoria da psicanálise, também para explicar o comportamento das pessoas na sociedade atual; por exemplo, como atuam suas pulsões e como procuram realizar ou reprimir os seus desejos.