Henry Spencer Moore (Castleford, Yorkshire, 30 de julho de 1898 — Perry Green, Hertfordshire, 31 de agosto de 1986) foi um escultor e desenhista britânico que desenvolveu uma obra tridimensional predominantemente figurativa, com breves incursões pela abstração.
Filho de um engenheiro de minas, Moore se tornou conhecido por suas esculturas abstratas em grande escala, de bronze fundido e de mármore. Substancialmente sustentado pela instituição de arte britânica, Moore ajudou a introduzir uma forma especial de modernismo no Reino Unido.
Recebeu as condecorações Ordem de Mérito, Ordem dos Companheiros de Honra e fazia parte da Federação de Artistas Britânicos (Federation of British Artists).
Freqüentou o Leeds College of Art e o Royal College of Art de Londres. Sua primeira exposição individual ocorreu em Londres, em 1928, onde apresentou 42 esculturas e 51 desenhos.
Foi influenciado sobretudo pela arte mexicana pré-colombiana, assim como pela arte arcaica e renascentista, pelo Surrealismo e pelo Construtivismo. A essa cultura visual vasta e multiforme do artista soma-se uma sensível capacidade de análise da natureza.
Moore nasceu em Castleford, West Yorkshire, Inglaterra, e foi o sétimo de oito filhos de Raymond Spencer Moore e Mary Baker. Seu pai era um engenheiro de minas que se tornou o segundo gerente da mina Wheldale, em Castleford. Era um autodidata com interesse em música e literatura, e percebeu que uma educação formal era o melhor caminho para o desenvolvimento de seus filhos, decidindo-se a não permitir que tivessem que trabalhar como ele, debaixo de uma mina.
Moore freqüentou a escola infantil e básica em Castleford, e começou a modelar em argila e a esculpir em madeira. Decidiu tornar-se um escultor ainda aos onze anos de idade, depois de ouvir sobre as realizações de Michelangelo. Aos doze anos, ganhou uma bolsa de estudo para frequentar a Castleford Secondary School (Escola secundária), assim como alguns de seus irmãos. Lá, sua professora de arte introduziu-o a aspectos mais amplos da arte, e, com seu encorajamento, decidiu fazer da arte sua profissão e prestar o exame para uma bolsa numa faculdade de arte local. Embora fosse uma promessa precoce, os pais de Moore eram contra seu interesse pela escultura, a qual viam como um trabalho manual sem muita perspectiva profissional. Mas, em lugar disso, depois de uma breve estada como professor estudante, ele se tornou um professor na escola que antes frequentara como aluno.
Enquanto em Leeds, Moore conheceu a estudante de arte Barbara Hepworth, iniciando com ela uma amizade que iria durar muitos anos.
Moore teve também o privilégio de ser introduzido na temática das esculturas tribais africanas por Sir Michael Sadler, na Leeds School. Em 1921 ganhou uma bolsa de estudos no Royal College of Art, em Londres, onde Hepworth tinha ido estudar no ano anterior. Enquanto em Londres, Moore aprimorou seu conhecimento da arte primitiva e escultura, estudando os acervos etnográficos no Victoria and Albert Museum e no British Museum.
As primeiras esculturas de ambos, Moore e Hepworth, seguiam o padrão do estilo vitoriano romântico; a temática eram as "formas naturais", com paisagens e animais como modelos figurativos. Moore cada vez mais se sentia incomodado com estas ideias, derivadas do conceito clássico. Com o seu conhecimento do primitivismo, e influenciado por escultores como Constantin Brancusi, Jacob Epstein e Frank Dobson, começou a desenvolver um estilo de "escultura direta", no qual as imperfeições do material e marcas deixadas pelo uso das ferramentas de trabalho são incorporadas à escultura final.
Ao utilizar estas novas técnicas e conceitos teve que lutar contra o seus professores, que não apreciavam esta abordagem moderna. Em um exercício conjunto com Derwent Wood, professor de escultura na RCA, Moore tinha que reproduzir uma escultura em mármore de Domenico Rosselli, A Virgem e o Menino, primeiro com uma modelagem do relevo em gesso, em seguida, reproduzindo-a em mármore usando a técnica de "apontamento" (pointing). Em vez disso, Moore esculpiu-a diretamente, simulando inclusive as marcas que teriam que ter sido deixadas se utilizados os instrumentos da técnica do "apontamento".
Em 1924, Moore ganhou uma bolsa de seis meses para estudar as grandes obras de Michelangelo, Giotto di Bondone e vários outros grandes mestres no norte da Itália. Mas, antes disso, Moore tinha começado a romper seus laços com a tradição clássica, embora, tempos depois, citasse frequentemente Michelangelo como influência.
De regresso a Londres, Moore assumiu o posto de professor na RCA durante sete anos. Foi requisitado para ensinar apenas dois dias por semana, o que lhe deu muito tempo para o seu próprio trabalho. Em julho de 1929, casou-se com Irina Radetsky, uma estudante de pintura na RCA. Irina nascera em Kiev, em 26 de março de 1907, filha de pais russo-poloneses. Seu pai desapareceu na Revolução Russa de 1917 e sua mãe foi um dos evacuados para Paris, onde se casou com um oficial do exército britânico. Irina entrou clandestinamente em Paris e lá freqüentou a escola até os 16 anos de idade, sendo então enviada para viver com os parentes de seu padrasto em Buckinghamshire. Com tal infância perturbada, não é de estranhar que Irina tivesse a reputação de ser quieta e um pouco introvertida. No entanto, encontrou segurança no seu casamento com Moore, e logo estava posando para ele.
Pouco tempo depois do casamento mudaram-se para um estúdio em Hampstead, em Londres, juntando-se a uma pequena colônia de artistas que lá estavam começando a criar raiz. Pouco tempo depois, Hepworth e seu parceiro Ben Nicholson mudaram-se para um estúdio perto do de Moore, enquanto Naum Gabo, Roland Penrose e o crítico de arte Herbert Read já viviam na região. Isto levou a um incremento das ideias que Read divulgaria, ajudando a elevar o perfil público de Moore. A área também foi um ponto de parada para um grande número de arquitetos e designers refugiados da Europa continental que iam para a América, muitos dos quais mais tarde viriam a comissionar obras de Moore.
No início dos anos 1930, Moore assumiu o cargo de chefe do Departamento de Escultura na Escola de Arte de Chelsea (Chelsea School of Art). Artisticamente, Moore, Hepworth e outros membros da Sociedade 7 e 5 (7 and 5 Society) viriam a desenvolver constantemente trabalhos mais abstratos, em parte influenciados por suas freqüentes viagens a Paris e pelo contato com artistas progressistas líderes, notadamente Picasso, George Braque, Jean Arp e Alberto Giacometti. Moore interessou-se pelo surrealismo, juntando-se ao grupo Unit One Group, de Paul Nash, em 1933. Tanto Moore quanto Paul Nash estavam na comissão organizadora da Exibição Internacional Surrealista de Londres (London International Surrealist Exhibition), que ocorreu em 1936. Em 1937, Roland Penrose adquiriu de Moore um abstrato chamado Mãe e Criança, feito em pedra, e que exibiu no jardim em frente de sua casa em Hampstead. As peças revelaram-se objeto de controvérsia com outros moradores, e uma campanha contra ela foi levada a efeito pela imprensa local durante os dois anos seguintes. Neste tempo, Moore gradualmente fez uma transição da escultura direta para a escultura fundida em bronze, modelando maquetes preliminares em barro ou gesso.
Em 1917, no auge da Primeira Guerra Mundial, Moore foi chamado para o fazer parte do exército, sendo o mais jovem do regimento Prince of Wales's Own Civil Service Rifles. Foi ferido em um ataque de gás durante a Batalha de Cambrai, na França. E, após recuperar-se no hospital, ele viu o resíduo da guerra como instrutor de treinamento físico. Em total contraste à maioria de seus contemporâneos, a experiência do tempo de guerra de Moore foi tranqüila. Disse ele mais tarde: "…Para mim a guerra passou como uma neblina romântica, de tentar ser um herói". Depois da guerra, recebeu a concessão de ex-combatente para continuar sua educação e se tornar o primeiro estudante de escultura na Leeds School of Art, em Leeds, em 1919 — a escola teve que instalar um estúdio de escultura especialmente para ele.