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Henry Kissinger

Político e diplomata norte-americano (1923–2023)

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Henry Alfred Kissinger ([ˈkɪsᵻndʒər]; alemão: [ˈkɪsɪŋɐ]; nascido Heinz Alfred Kissinger, Fürth, 27 de maio de 1923 – Kent, 29 de novembro de 2023) foi um político, diplomata e especialista em geopolítica americano que serviu como Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos nos governos dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford. Um refugiado de uma família judia que fugiu da Alemanha Nazista em 1938, Kissinger se destacou academicamente, recebendo um diploma de bacharelado, summa cum laude, da Universidade Harvard em 1950, estudando sob William Yandell Elliott. Recebeu um MA e um PhD de Harvard em 1951 e 1954, respectivamente. Por suas ações negociando um cessar-fogo em Vietnã, Kissinger recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1973 sob circunstâncias controversas.

Um praticante de Realpolitik, Kissinger desempenhou um papel proeminente na política externa dos Estados Unidos entre 1969 e 1977, sendo pioneiro na política de détente com a União Soviética, orquestrando uma abertura de relações com a República Popular da China, engajando no que ficou conhecido como "shuttle diplomacy" ("diplomacia de transporte") no Oriente Médio após a Guerra do Yom Kippur e a negociação dos Acordos de Paz de Paris, que encerrou o envolvimento americano na Guerra do Vietnã. Kissinger também se viu associado a políticas controversas como o envolvimento dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Chile em 1973, deu sinal verde para a Junta Militar Argentina em sua Guerra Suja e garantiu apoio americano ao Paquistão durante a Guerra de Independência de Bangladesh apesar do genocídio perpetrado pelos paquistaneses. Depois de deixar o governo, formou a Kissinger Associates, uma firma de consultaria geopolítica. Kissinger escreveu pelo menos uma dúzia de livros sobre história diplomática e relações internacionais.

Henry Kissinger continuou sendo uma figura controversa e polarizadora na política americana, venerado por alguns como um Secretário de Estado altamente eficaz e condenado por outros por supostamente tolerar ou apoiar crimes de guerra cometidos por nações aliadas durante seu mandato. Uma pesquisa feita em 2015 por estudiosos de relações internacionais, conduzida pelo College of William & Mary, classificou Kissinger como o secretário de Estado dos Estados Unidos mais eficaz nos cinquenta anos anteriores até 2015. Com a morte do centenário George Shultz em fevereiro de 2021, foi, até sua morte, o ex-membro do gabinete dos Estados Unidos mais velho vivo e o último membro sobrevivente do Gabinete de Nixon.

Em 1938, devido às perseguições antissemitas na Alemanha nazista, seus pais emigram com ele para os EUA. Cinco anos depois, ele obtém sua cidadania americana em 19 de junho de 1943.

Kissinger passou por treinamento básico no Camp Croft, em Spartanburg, Carolina do Sul. Em 19 de junho de 1943, aos 20 anos, enquanto estava na Carolina do Sul, naturalizou-se cidadão norte-americano. O exército o enviou para estudar engenharia no Lafayette College, na Pensilvânia, sob o Programa de Treinamento Especializado do Exército, mas o programa foi cancelado e Kissinger foi transferido para a 84ª Divisão de Infantaria. Lá, ele conheceu Fritz Kraemer, um imigrante alemão que notou a fluência de Kissinger em alemão e seu intelecto e providenciou para que ele fosse designado para a inteligência militar da divisão. Kissinger viu o combate com a divisão e se ofereceu para tarefas de inteligência perigosas durante a Batalha do Bulge. Em 10 de abril de 1945, ele participou da libertação do campo de concentração de Hannover-Ahlem, um subcampo do campo de concentração de Neuengamme. Na época, Kissinger escreveu em seu diário: "Eu nunca tinha visto pessoas degradadas ao nível que as pessoas estavam em Ahlem. Mal pareciam humanos. Eram esqueletos." Após o choque inicial, no entanto, Kissinger ficou relativamente em silêncio sobre seu serviço de guerra.

Durante o avanço americano na Alemanha, Kissinger, embora apenas um soldado (a mais baixa patente militar), foi colocado no comando da administração da cidade de Krefeld por causa da falta de falantes de alemão no pessoal de inteligência da divisão. Em oito dias, ele estabeleceu uma administração civil. Kissinger foi então transferido para o Corpo de Contra-Inteligência (CIC), onde se tornou um Agente Especial do CIC com o posto de sargento. Ele foi encarregado de uma equipe em Hanôver designada para rastrear oficiais da Gestapo e outros sabotadores, pela qual ele foi premiado com a Bronze Star. Kissinger elaborou uma lista abrangente de todos os funcionários conhecidos da Gestapo na região de Bergstraße, e mandou reuni-los. Até o final de julho, 12 homens haviam sido presos. Em março de 1947, Fritz Girke, Hans Hellenbroich, Michael Raaf e Karl Stattmann foram posteriormente capturados e julgados pelo Tribunal Militar de Dachau por matar dois prisioneiros de guerra americanos. Os quatro homens foram todos considerados culpados e condenados à morte. Eles foram executados por enforcamento na prisão de Landsberg em outubro de 1948.

Em junho de 1945, Kissinger foi nomeado comandante do destacamento CIC do metrô de Bensheim, distrito de Bergstraße de Hesse, com a responsabilidade pela desnazificação do distrito. Embora possuísse autoridade absoluta e poderes de prisão, Kissinger teve o cuidado de evitar abusos contra a população local por seu comando.

Em 1946, Kissinger foi transferido para lecionar na Escola Europeia de Inteligência de Comando em Camp King e, como funcionário civil após sua separação do exército, continuou a servir nessa função.

Kissinger lembrou que sua experiência no exército "me fez sentir como um americano".

Depois de servir na Segunda Guerra Mundial, fez o seu doutoramento pela Universidade Harvard em 1954, tornando-se imediatamente instrutor na mesma instituição; depois de alguns anos, obteve o título de professor.

Kissinger foi conselheiro de relações exteriores de todos os presidentes dos EUA, de Eisenhower a Gerald Ford, sendo Secretário de Estado dos Estados Unidos (cargo equivalente ao de Ministro das Relações Exteriores, no Brasil, e de Ministro dos Negócios Estrangeiros, em Portugal), conselheiro político e confidente de Richard Nixon.

Em 1973, ganhou, com Le Duc Tho, o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu papel na obtenção do acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietnam. Le Duc Tho recusou o prêmio.

Henry Kissinger esteve envolvido em uma intensa atividade diplomática com a República Popular da China, o Vietnã, a União Soviética e a África.

É considerado uma figura polêmica e controversa, tendo alguns de seus críticos acusado-o de ter cometido crimes de guerra durante sua longa estadia no governo, como dar luz verde à invasão indonésia de Timor (1975) e aos golpes de estado no Chile, no Camboja e no Uruguai (1973), sendo que, por diversas vezes, Kissinger usava uma política tortuosa, em que parecia jogar com um "pau de dois bicos". Entre tais críticos, incluem-se o jornalista Christopher Hitchens (no livro The Trial of Henry Kissinger) e o analista Daniel Ellsberg (no livro Secrets). Apesar de essas alegações não terem sido provadas perante uma corte de justiça, considera-se um ato perigoso, para Kissinger, entrar em alguns países da Europa e da América do Sul.

Henry Kissinger foi um dos mentores – ou mesmo o mentor – da chamada Operação Condor, para a América do Sul, além de ter dado apoio ao regime da ditadura militar argentina, tendo o mesmo dito, certa vez ao ministro das relações exteriores argentino da época, que: “Se há coisas que precisam ser feitas, vocês devem fazê-las rapidamente”, referindo-se à eliminação e à repressão a quem era contra a ditadura, incluindo-se aí, obviamente, métodos como torturas e mortes.

Kissinger inicialmente tinha pouco interesse na China quando começou o seu trabalho como Conselheiro de Segurança Nacional em 1969, e a força motriz por trás da reaproximação com a China foi Nixon. Em abril de 1970, tanto Nixon quanto Kissinger prometeram a Chiang Ching-kuo, filho do Generalíssimo Chiang Kai-shek, que nunca abandonariam Taiwan ou fariam quaisquer compromissos com Mao Zedong, embora Nixon falasse vagamente de seu desejo de melhorar as relações com o país asiático.

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