Henriqueta Maria (em francês: Henriette-Marie de France; Paris, 25 de novembro de 1609 – Colombes, 10 de setembro de 1669) foi a esposa do rei Carlos I e Rainha Consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1625 a 1649. Era filha do rei Henrique IV de França e sua esposa Maria de Médici. Na Inglaterra era popularmente conhecida apenas como Rainha Maria.
O facto de ser católica tornou-a pouco popular em Inglaterra e também impediu que fosse coroada na cerimónia anglicana; por isso, nunca teve uma coroação. Começou a envolver-se em assuntos de estado nacionais quando a ameaça de uma guerra civil começou a surgir e foi forçada a refugiar-se em França em 1644, após o nascimento da sua filha mais nova, Henriqueta, durante o ponto alto da Primeira Guerra Civil Inglesa. A execução do rei Carlos em 1649 deixou-a na pobreza. Viveu em Paris e depois regressou a Inglaterra após a Restauração ao trono do seu filho mais velho, Carlos. Em 1665 regressou a Paris onde viria a morrer quatro anos depois.
O estado do Maryland, nos Estados Unidos, recebeu o nome em sua honra.
Henriqueta Maria era a filha mais nova do rei Henrique IV de França (Henrique III de Navarra) e da sua segunda esposa, Maria de Médici. Nasceu no Palácio de Louvre no dia 25 de novembro de 1609, mas alguns historiadores consideram que nasceu a 26 de novembro. Em Inglaterra, onde ainda se utilizava o calendário Juliano, a sua data de nascimento é frequentemente registada a 16 de novembro. Henriqueta Maria foi educada na religião católica. Sendo filha do rei Bourbon de França, tinha o título de Fille de France e era membro da Casa de Bourbon. Era a irmã mais nova do futuro rei Luís XIII de França. O seu pai foi assassinado a 14 de maio de 1610, em Paris, antes de ela completar um ano de idade. A sua mãe foi banida da corte em 1617.
Depois de a sua irmã mais velha, Cristina Maria, se ter casado com o duque Vítor Amadeu I de Saboia em 1619, Henriqueta recebeu o título prestigiado de Madame Real (em francês: Madame Royale), utilizado pela princesa mais velha na corte francesa. Juntamente com as irmãs, Henriqueta aprendeu a cavalgar, dançar e cantar e participava nas peças de teatro da corte francesa. Apesar de ter aprendido a ler e a escrever, não era conhecida pelos seus talentos académicos e foi fortemente influenciada pelas freiras carmelitas da corte francesa. Em 1622, Henriqueta estava a viver em Paris na sua própria casa com 200 empregados e os planos para o seu futuro casamento estavam a começar a ser discutidos.
Henriqueta Maria e Carlos I de Inglaterra casaram-se a 13 de junho de 1625, durante um breve período durante o qual a política pró-espanhola de Inglaterra foi substituída por outra pró-francesa. Depois de um período inicial complicado, Henriqueta e Carlos tornaram-se muito próximos. Henriqueta nunca se adaptou à sociedade inglesa; não falava inglês antes do casamento e, ainda durante a década de 1640, tinha dificuldade para escrever e falar esta língua. Este facto, juntamente com as suas crenças católicas, marcaram-na como diferente e potencialmente perigosa para a sociedade inglesa intolerante em termos religiosos da época e fizeram com que a rainha se tornasse pouco popular entre o público em geral. Henriqueta foi criticada por ser uma figura "intrinsecamente pouco política, pouco educada e frívola" durante a década de 1630; outras opiniões sugerem que ela tinha um certo nível de poder pessoal devido à sua devoção, feminilidade e apoio às artes.
Henriqueta conheceu o seu futuro marido em Paris, em 1623, quando este estava a caminho de Espanha na companhia do duque de Buckingham para discutir um possível casamento com a infanta Maria Ana de Espanha - Carlos viu-a pela primeira vez num espectáculo da corte francesa. A viagem de Carlos a Espanha acabaria por ter um resultado pouco favorável uma vez que o rei Filipe IV exigia que Carlos se convertesse ao catolicismo e vivesse em Espanha durante um ano após o casamento para garantir que Inglaterra cumpriria os termos do tratado. Carlos ficou furioso e, depois de regressar a Inglaterra em outubro, exigiu, com o apoio do duque de Buckingham, que o seu pai, o rei Jaime, declarasse guerra a Espanha.
Quando começou novamente a procurar uma noiva, Carlos deu preferência a França. O agente inglês Kensington foi enviado a Paris em 1624 para examinar a possível escolhida francesa, e o casamento foi finalmente negociado em Paris por James Hay e Henry Rich. Henriqueta era bastante jovem quando se casou, o que era natural para as princesas reais, já que a principal função da mulher no casamento era a geração de descendentes. As opiniões sobre a aparência de Henriqueta variavam um pouco; a sobrinha do seu marido, Sofia de Hanôver, comentou pouco depois do casamento que os "belos retratos de Van Dyck tinham-se dado uma ideia tão positiva de todas as damas de Inglaterra que fiquei surpreendida quando vi que a rainha, que tinha visto tão bela e esbelta, era uma mulher que tinha passado há muito a sua idade de ouro. Os seus braços são compridos e magros, os ombros irregulares, e alguns dentes saem-lhe da boca como presas." Contudo, a rainha tinha os olhos e nariz bonitos e um rosto agradável.
A nova rainha levou consigo para Inglaterra a sua grande coleção de objetos caros que incluía diamantes, pérolas, anéis, botões de diamante, vestidos de cetim e de veludo, mantos e saias bordadas, cabides de veludo; pratas, candelabros, pinturas, livros, vestidos e mobília de quarto para ela e para as suas damas-de-companhia, doze padres da Congregação do Oratório e os seus pajens no total de 10,000 libras.
Henriqueta casou-se com Carlos por procuração no dia 11 de maio de 1625, pouco depois de ele ter subido ao trono. Depois casaram-se em pessoa na Igreja de Santo Agostinho em Canterbury, Kent, a 13 de junho de 1625, mas o fato de ser católica impediu-a de ser coroada com o marido numa cerimônia anglicana; Henriqueta sugeriu que fosse o bispo católico francês de Mendes a coroá-la, mas esta proposta foi considerada inaceitável tanto por Carlos como pela corte. Henriqueta teve permissão para ver o marido a ser coroado a uma distância discreta. No fim das contas, o fato de Henriqueta não ter sido coroada com o marido não caiu bem junto das multidões de Londres, apesar da política pró-francesa da Inglaterra ter dado lugar rapidamente a uma política de apoio às revoltas de Huguenotes franceses e posteriormente a um afastamento das políticas europeias e ao aumento dos problemas internos.
Catolicismo e o pessoal da rainha
Henriqueta era uma católica devota,, algo que teve uma forte influência no seu período como rainha, principalmente nos primeiros anos de casamento. Carlos gostava de tratar a esposa simplesmente por "Maria" enquanto as pessoas lhe chamavam "Queen Mary", em recordação da avó católica de Carlos. Henriqueta Maria não escondia as suas crenças católica, ao ponto de ser considerada "flagrante" e "apologética"; impediu planos para retirar os filhos mais velhos de todas as famílias católicas para que fossem educados como protestantes e também facilitou casamentos entre católicos, algo que era considerado como crime segundo a lei inglesa da época. Em julho de 1626, Henriquta parou para rezar pelos católicos que tinham morrido na árvore de Tyburn, o que causou grande controvérsia - os católicos ainda eram executados em Inglaterra na década de 1620 e Henriqueta defendia apaixonadamente a sua religião. A seu devido tempo, Henriqueta tentou converter o seu sobrinho calvinista, o príncipe Roberto, ao catolicismo durante a sua estadia em Inglaterra, mas não conseguiu.
Henriqueta Maria tinha trazido um grande e caro séquito consigo de França, sendo todo ele católico. Carlos culpou esta comitiva francesa pelo fraco início do seu casamento. O rei conseguiria finalmente expulsá-los da corte a 26 de junho de 1626. Henriqueta ficou muito transtornada e, inicialmente, alguns membros do séquito, como o bispo de Mendes, recusaram-se a partir, citando as ordens do rei de França. No final, Carlos teve de convocar guardas armados para os expulsar fisicamente. Contudo, apesar das ordens do marido, Henriqueta conseguiu ficar com sete criados franceses, incluindo o seu capelão e confessor, Robert Phillip.