Henrique Antônio Santillo GOMM (Ribeirão Preto, 23 de agosto de 1937 — Anápolis, 25 de junho de 2002) foi um médico e político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi ministro da Saúde durante o governo Itamar Franco. Por Goiás, foi governador, senador e deputado estadual, além de prefeito e vereador de Anápolis.
Durante o seu mandato de governador do estado, parte de Goiás foi desmembrada para formar o atual estado do Tocantins, sendo portanto o último governador goiano a governar sobre tal região. Além disso, na sua gestão ocorreu o acidente radiológico de Goiânia, que resultaria em mortes de goianienses, contaminações e indenizações do Governo Estadual para com vítimas e/ou seus familiares.
Henrique Antônio Santillo nasceu no município de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, em 23 de agosto de 1937. Era filho dos imigrantes italianos Virgínio Santillo e Elydia Maschietto Santillo. A família, composta ainda pelos filhos Ademar e Romualdo, transferiu-se para o município goiano de Anápolis, em 1942.
Casou-se com Sônia Célia Santillo, com quem teve dois filhos e três filhas, Elídia Célia, Sônia Míriam, Carlos Henrique (Diretor Parlamentar da Assembleia Legislativa e ex-suplente de deputado estadual por Goiás), Carla Cíntia (deputada estadual e conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Goiás) e Virgínio Neto.
Cursou o primário, ginasial e científico, onde iniciou sua militância política no grêmio estudantil. Graduou-se em 1963 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. No dia 13 de setembro de 2001, recebeu a Medalha de Honra da UFMG.
Em janeiro de 1957 foi aprovado em primeiro lugar no vestibular para Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais e em terceiro na Católica. Em Belo Horizonte, para manter-se, conciliava seu curso com a função de professor em cursinhos. Sua destacada atuação o levou a quebrar, já no segundo ano, a longa tradição do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina de só eleger quintanistas, alcançando a presidência do Diretório Central dos Estudantes da UFMG e, depois, da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais, que brando a hegemonia dos grupos que dominavam aquela entidade há 20 anos. Em 1960, quando fazia residência médica no Hospital de pediatria da UFMG, foi eleito conselheiro da União Nacional dos Estudantes. E ganhou notoriedade nacional ao participar da primeira greve estudantil, com duração de quatro meses, até se alcançar a participação do corpo discente nas congregações e conselhos universitários. Formado, retornou a Goiás em 1964 e começou a clinicar, dividindo seu tempo entre a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, como voluntário, consultório particular e seis meses depois nos plantões do SAMDU, ambulatório público federal de emergências médicas.
Filiação ao MDB, vereador e prefeito de Anápolis
Em meio ao golpe de estado que instaurou a ditadura militar, além do Ato Institucional n.º 2, Santillo se filia ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido oposicionista e no qual Henrique se tornaria uma das lideranças regionais. Em 1965, lançado por amigos à Câmara Municipal de Anápolis, obteve 1 732 de um total de 12 mil votos válidos; se tornando um dos quinze membros do legislativo anapolino. Foi empossado em 15 de março do ano seguinte. Atuou em bairros da periferia e estimulou a formação de associações de moradores. Três anos depois, elegeu-se prefeito de Anápolis com dois terços dos votos válidos. Exerceu um mandato de três anos entre 1970 e 1973.
Nas eleições estaduais em Goiás em 1974, foi o deputado estadual mais votado, com 32 604 votos. Tomou posse em 15 de março do ano seguinte, na 8.ª legislatura da Assembleia Legislativa. Cumpriu o mandato integralmente, até 15 de março de 1979.
No pleito estadual de 1978, candidato a senador, teve de vender a sua casa para pagar os custos da campanha, feita ao volante de um Fusca. Derrotou os três candidatos da Arena, com mais de 100 mil votos de frente.
O ano de 1986, o encontrou candidato natural de seu partido ao Governo de Goiás, quando inovou as práticas políticas, a partir da campanha eleitoral, com a realização de caminhadas diárias e de 13 encontros regionais, com a distribuição de questionários para a população sugerir o plano de governo. Mais de 100 mil respostas embasaram seu programa administrativo. A mobilização popular deu-lhe vitória em 235 dos 244 municípios que Goiás tinha à época, consolidando a maior vitória eleitoral do Estado até então –quase um milhão de votos e uma dianteira superior a 400 mil sobre o principal concorrente. Dois dias após o pleito ele voltaria a surpreender os goianos, reeditando as caminhadas e carreatas de agradecimento e reforço dos compromissos assumidos. À frente do Governo de Goiás, direcionou a gestão ao desenvolvimento social, quando implantou as maiores redes de saúde pública e de saneamento básico de que se teve notícia no Estado. Depois de concluir seu mandato Henrique Santillo desfiliou-se do PMDB e presidiu o Partido Progressista em Goiás.
Em setembro de 1993, aceitou convite do presidente Itamar Franco para assumir o Ministério da Saúde. À frente do Ministério Santillo consolidou a implantação dos medicamentos genéricos no Brasil e fez várias mudanças no sistema de saúde, que encontrou em crise. Passou a priorizar a atenção à saúde, com ações e programas de medicina preventiva, de controle social sobre o SUS, de agentes comunitários de saúde, de combate a endemias ressurgentes, como a febre amarela, dengue e cólera, de combate à avitominose, ao bócio endêmico e à fome, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Em sua gestão as campanhas de multivacinação não só tiveram sequência como também foram reforçadas, culminando com o recebimento, em 1994, da Organização Mundial de Saúde e da Organização Panamericana de Saúde, o certificado de erradicação da poliomielite no território nacional – coroando assim os esforços que o Brasil já vinha fazendo nesse sentido. Ao deixar o Ministério, ao fim da gestão Itamar Franco, Santillo legou ao País programas de alta relevância, implantados ou em fase inicial e que ainda estão em curso, como o Saúde da Família, de Ambulatórios de Alta Resolutividade 24 Horas, de Resgate a Acidentados em Rodovias, Disque Saúde, Assistência Integral à Saúde da Mulher e da Criança, de Incentivo ao Aleitamento Materno, de Prevenção e Combate à AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis, e, Leite é Saúde.
Em 1994, foi admitido por Itamar à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.
Retornando a Goiás Henrique Santillo aceitou os apelos de antigos companheiros políticos e migrou para o PSDB, concorrendo à Prefeitura de Anápolis, após o que voltou a clinicar em sua especialidade, pediatria, gratuitamente, em um posto médico da Jaiara, na periferia daquela cidade. Voltaria à política partidária novamente em 1998 para comandar, em Anápolis, a campanha do então deputado federal Marconi Perillo ao Governo de Goiás, registrando vitória no primeiro e segundo turnos e o fim de um ciclo de 16 anos de mando peemedebista em Goiás. Henrique Santillo foi ainda Secretário de Estado da Saúde e Secretário de Articulação Política do Governo de Goiás, em 1999.
Tribunal de Contas do Estado de Goiás
Desligou-se em definitivo da política partidária no final do ano de 1999, quando foi nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, após ter sua indicação referendada pela unanimidade dos partidos representados na Assembleia Legislativa. No TCE-GO foi diretor da Sexta Auditoria Financeira e Orçamentária, Corregedor Geral, Vice-Presidente e Presidente, em 2002. Implementou o Plano de Cargos e Salários dos Servidores do TCE e deu início a um amplo programa de modernização do órgão de controle externo. Seu mandato de Presidente foi interrompido com seu falecimento.
O atual edifício-sede do TCE-GO recebeu o nome de Edifício Conselheiro Henrique Santillo, em sua homenagem.
Seu nome é reverenciado no Brasil e especialmente em Goiás como expoente da democracia, coerência, dignidade e ética.