Henri Lefebvre (Hagetmau, 16 de junho de 1901 — 29 de junho de 1991) foi um filósofo marxista e sociólogo francês. Estudou filosofia na Universidade de Paris, onde se graduou em 1920.
Cunhou o termo "Direito à cidade" com o qual defendeu que a população deveria ter acesso à vida urbana e que foi desenvolvido no livro de mesmo nome publicado em 1968 em francês: “Le droit à la ville”.
Em seus livros sobre o espaço urbano, como o Direito à cidade (1968) e A revolução urbana, em (1970), nas quais analisa a influência do sistema econômico capitalista no espaço urbano, com base na necessidade do poder industrial de "modelar" a cidade de acordo com os seus interesses, mas sem excluir a influência de outros agentes sociais.
A obra de Henri Lefebvre é bastante extensa (escreveu mais de 70 livros), abrangendo análises do marxismo no século XX à luz dos textos do próprio Marx, e mantendo intenso debate com grandes filósofos da época, como Sartre. Opunha-se aos marxistas '''empiriocriticistas''' que, segundo ele, imobilizaram a teoria, tomando o discurso em absoluto e substituindo a vivência (vivido) pelo saber (concebido). Criticava os althusserianos por apagar a ação dos sujeitos no processo de comunicação. Segundo ele, fatores importantes como a vivência dos receptores, a "decodificação pelo cotidiano", as mediações e os lugares dos sujeitos foram esquecidos.
Seus debates sobre o marxismo o levaram a separar os textos de Marx dos textos produzidos sobre Marx. Segundo Lefebvre, muitos marxistas mataram a dialética, travando o movimento histórico pela consolidação do Estado e pelo pessimismo.
Em seus estudos, muito otimistas, recusava-se a criar modelos teóricos e a estabelecer programas de desenvolvimento (ver A revolução Urbana). Sua teoria não possui contornos fixos, pois, aos moldes da escrita de Nietzsche, a linguagem de Lefebvre possui algo de poético, numa clara tentativa de reencontrar a totalidade do social, possível pela obra, em oposição ao produto (real-ficção fragmentada da realidade), resultado do trabalho alienado.
No Brasil, são raras as publicações do filósofo. Em língua portuguesa há em torno de 1/3 de suas obras - em grande parte anteriores à década de 1970. A partir dos anos 2000 foram publicados, no Brasil: 'A Revolução Urbana, Espaço e Política e O Vale de Campan. Porém, uma de suas obras mais importantes, O Estado (em quatro tomos) não foi traduzida em português. Em 2020, foi publicado pela Lavrapalavra Editorial a obra O pensamento de Lênin.
Um importante estudo que demonstra bem a amplitude e densidade da obra deste filósofo é o livro organizado por José de Souza Martins: Henri Lefebvre e o retorno à dialética.
Filósofo e sociólogo, seus estudos contribuíram também para o desenvolvimento da sociologia e da geografia. Na sociologia, destaca-se a produção do método regressivo-progressivo, utilizado por Sartre em Crítica da Razão Dialética. Sua contribuição para a geografia foi mais profunda, pois toda a teoria atual desta disciplina se deve à tese de que o espaço é social, ou seja, é socialmente produzido. Sua tríade teórica: vivido - percebido - concebido, possibilitou os estudos de David Harvey e Milton Santos, grandes nomes da geografia contemporânea.
Logical Formal/Lógica Dialética
Para Compreender o Pensamento de Marx
Hegel, Marx, Nietzsche ou o Reino das Sombras
Marx: com uma antologia de textos de Marx
A irrupção. A Revolta dos Jovens na Sociedade
A Revolução Urbana, Espaço e Política
Problemas actuais do Marxismo (1977)
A vida Cotidiana no Mundo Moderno
1925 "Positions d'attaque et de défense du nouveau mysticisme", Philosophies 5–6 (March). pp. 471–506. (Pt. 2 do projeto "Filosofia da Consciência" (Philosophie de la consciousness) sobre ser, consciência e identidade, originalmente proposto como uma tese DES (equivalente francês de Master of Arts) a Léon Brunschvicg e eventualmente abandonado - a tese DES 1920 de Lefebvre foi intitulada Pascal et Jansénius ( Pascal e Jansenius ).)