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Hendrik Goltzius

Hendrik Goltzius (Mühlbracht, 1558 — Haarlem, 1 de Janeiro de 1617), foi um pintor, desenhista e gravurista dos Países B

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Hendrik Goltzius (Mühlbracht, 1558 — Haarlem, 1 de Janeiro de 1617), foi um pintor, desenhista e gravurista dos Países Baixos.

Seguidor da estética maneirista, desenvolveu contudo um estilo eclético, foi influenciado pela arte classicista italiana, trabalhou incorporando arcaísmos e imitava livremente estilos alheios, sendo chamado de O Proteu Holandês. Deixou obra vasta, que inclui cerca de 500 gravuras e 50 pinturas, além de cerca de 160 impressões com cópias únicas e séries de gravuras que projetou e foram executadas por outros. Sua temática versa principalmente sobre a mitologia clássica, mas deixou também obras alegóricas, sacras, retratos, paisagens e estudos do natural.

Apreciado como um dos maiores talentos de sua geração, especialmente pelo domínio virtuosístico das artes gráficas, recebeu aclamação ainda em vida e foi patrocinado entusiasticamente por altas figuras da nobreza europeia, destacando-se o sacro-imperador Rodolfo II, fazendo prolífica escola e contribuindo para a definição do cânone maneirista holandês. Apesar de grande, sua fama durou pouco, sendo obscurecido pela geração seguinte. Sua recuperação foi lenta e só recentemente voltou a ter um prestígio amplo e sólido, sendo considerado hoje, consensualmente, um dos maiores mestres da gravura de todos os tempos e a figura artística dominante em sua região enquanto viveu, mas em certos aspectos ainda não tem o reconhecimento que merece.

Nasceu em 1558 em uma família de artistas radicados na vila renana de Mühlbracht, sendo irmão do gravurista Jacob Goltzius e primo de Hubert Goltzius, afamado gravurista e pintor. Foi introduzido na arte por seu pai, Jan Goltz, pintor de vitrais, mas um acidente com fogo na infância deformou permanentemente sua mão direita. Segundo seu biógrafo Karel van Mander, ele esforçou-se para superar essa deficiência com uma constante disciplina, ganhando por fim uma desenvoltura que impressionou seus contemporâneos, e tornando-se ambidestro. A partir de 1561 viveu em Duisburg, onde entrou em contato com o gravurista Dirck Volckertsz Coornhert, que vivia na vizinha Xanten, com quem passou a estudar gravura em torno de 1575. No ano seguinte já era conhecido como seu discípulo na arte, e também um seguidor de suas controversas opiniões sobre religião. Suas primeiras obras são assinadas como Golz ou Gols, mas depois latinizou seu nome para Goltzius.

Em 1577 mudou-se para Harlem com seu mestre, criando desenhos alegóricos a partir das concepções religiosas de Coornhert, que serviam como base para posterior versão impressa. Também compôs cenas urbanas que utilizaria como fundos para outras gravuras, como a série História de Ruth. Em 1578 casou-se com uma rica viúva, chamada Margaretha Jans. Até 1582 trabalhou como gravurista de editoras mantidas por Philips Galle, Maarten de Vos, Johannes Stradanus e Anthonie Blocklandt, entre outros, imprimindo suas próprias criações, mas logo abriu sua própria editora, produzindo gravuras a partir de obras de Adriaen de Weert, os irmãos Wierix, Blocklandt e Dirck Barendsz, seguidores de um estilo maneirista italianizado derivativo de Parmigianino e Ticiano, de quem recolheria elementos para a consolidação de um estilo pessoal. Neste período sua temática é muito variada, mas destacam-se os retratos, que causaram forte impressão em seu meio. Lembrado como personalidade ambiciosa, pretendeu oferecer ao público obras de uma qualidade superior para um público seleto e romper o monopólio de impressão que até então era mantido por impressores de Antuérpia.

Em torno de 1585 Van Mander o introduziu ao trabalho de Cornelis van Harlem, mas principalmente ao de Bartholomeus Spranger, pintor da corte de Rodolfo II, que exerceria grande impacto na formação de seu estilo nesta fase, passando a gravar interpretações de suas obras. Van Mander, que era também artista, foi outro a deixar uma marca importante em seu espírito nesta época, assim como Albert Dürer e Lucas van Leyden. No final da década de 1580 sua fama já era grande, elaborando gravuras em um virtuosístico estilo maneirista, onde se destacam, por exemplo, a série dos Heróis Romanos, dedicada ao imperador, O Grande Hércules, e a série Caminhos da Fortuna.

Chegando a 1590 seu nome era conhecido em toda a Europa. Estava na época vivendo em Amsterdam, possuía uma oficina bem aparelhada, contando com diversos assistentes e discípulos muito capazes, e foi-lhe outorgado um privilégio imperial de edição de gravuras. Nesta época seu mestre Coornhert faleceu e Goltzius caiu doente. Decidiu então fazer uma viagem à Itália, sob o protesto de seus amigos, que temiam por sua vida, mas segundo relatos da época, ele justificou a decisão dizendo que "preferia morrer conhecendo coisas novas do que viver em tão lamentável estado". Usando o pseudônimo de Hendrick van Bracht, visitou Roma, realizando numerosos desenhos de monumentos antigos e do rico acervo de estatuária clássica preservado na cidade, ao mesmo tempo conhecendo em primeira mão a obra de grandes mestres da pintura como Michelangelo, Correggio, Rafael e Veronese, o que exerceria importante impacto em sua produção posterior.

Depois de visitar Nápoles na primavera de 1591, voltou a Roma e assumiu seu verdadeiro nome, passando a desfrutar as honras derivadas do seu prestígio internacional. Entrou então em contato com Girolamo Muziano, Francesco Castello, Federico Zuccaro e provavelmente Federico Barocci, todos artistas renomados, que o receberam festivamente em um círculo que incluía intelectuais e grandes mecenas do clero e da nobreza, inserindo-o em um ambiente opulento muito distinto do universo burguês a que estava acostumado na Holanda. Sua fama na Itália se baseava principalmente sobre as gravuras realizadas a partir de obras de Bartholomeus Spranger, que atraíam os italianos pela sua combinação de temas alegóricos, um estilo refinado e uma evidente maestria técnica que parecia ser exercida sem qualquer esforço. Nesta época também visitou Bolonha, Veneza e Florença.

Retorno e transição para a pintura

Em seu regresso, passou por Hamburgo e Munique, e nesta última cidade entrou em contato com o gravurista Jan Sadeler. Em 1592 estava de volta à casa. Sua produção pessoal reduziu-se em quantidade, entregando a maior parte de seus projetos para serem gravados por assistentes, mas sua qualidade se aprimorou, abrindo-se para experimentações, para a exploração de arcaísmos e a imitação de estilos alheios, inclinando-se também para um naturalismo que tinha afinidades com a pintura romana contemporânea, e demonstrando um exuberante virtuosismo gráfico em obras criadas principalmente com fins exibicionistas.

Sua oficina continuou a produzir gravuras até pelo menos 1601, mas em 1595 mudara-se para Leiden, e desde 1598 havia cessado de gravar pessoalmente, entregando a direção dos seus negócios ao enteado Jacob Matham. Não abandonou, contudo, as artes gráficas, inaugurando uma técnica nova que associava elementos de pintura, desenho e gravura sobre uma base de tela, cartão ou pergaminho, com uma original aplicação de veladuras e lavados, criando efeitos incomuns e largamente apreciados. A obra Vênus recebendo os presentes de Baco e Ceres é bem representativa desta modalidade.

Em torno de 1603 voltou para Haarlem, onde permaneceria até o fim de sua vida. Passou então a se direcionar para a pintura, técnica que veio a dominar sua última fase, transformando seu estilo mais uma vez em direção ao naturalismo classicista, com um interesse principal na representação do corpo feminino nu em cenas alegóricas ou mitológicas. O resultado de seus esforços nesta área não foi menos apreciado do que a sua obra gravada, sendo Dânae considerada sua obra-prima.

A produção de Goltzius é caracterizada por um grande ecletismo estilístico. Ele não apenas imitava convincentemente o estilo de outros, mas inventava composições que, segundo o autor, os mestres que homenageava deveriam ter criado e não o fizeram. Sua imensa versatilidade estilística lhe valeu o epíteto de O Proteu Holandês. Proteu, mítico deus dos mares, podia assumir qualquer forma que desejasse. No entanto, esse ecletismo era parte do espírito investigativo da época e um dos componentes centrais da corrente maneirista ao qual se integrou e do qual é um dos principais representantes nos Países Baixos, tendo com ela contato precoce através de seu amigo Van Mander. Mais do que isso, a demonstração de versatilidade era um dos critérios usados na época para a qualificação de um artista e o estabelecimento de uma alta reputação.

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