Neste Dia

Helena do Reino Unido

Princesa do Reino Unido (1843–1923) e Princesa de Eslésvico-Holsácia (1866–1923)

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Helena Augusta Vitória (em inglês: Helen Augusta Victoria; Londres, 25 de maio de 1846 – Londres, 9 de junho de 1923), foi a quinta filha, a terceira menina, da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido o príncipe consorte Alberto de Saxe-Coburgo-Gota.

Helena foi educada por professores particulares escolhidos por seu pai e por seu amigo e conselheiro o barão Christian Friedrich von Stockmar. Ela passou sua infância com os pais, viajando entre as várias residências reais. A atmosfera íntima da corte terminou abruptamente em dezembro de 1861 com a morte do príncipe Alberto, fazendo com que Vitória entrasse em um período de profundo luto. A princesa começou a flertar durante o início da década de 1860 com Carl Ruland, o bibliotecário germânico de seu pai. Apesar de ser desconhecida a verdadeira natureza da relação, existem algumas cartas românticas entre os dois. A rainha dispensou Ruland em 1863 ao descobrir sobre o caso. Helena se casou três anos depois em julho de 1866 com o empobrecido príncipe germânico Cristiano de Eslésvico-Holsácia. O casal ficou vivendo no Reino Unido, próximos da rainha, que gostava de manter suas filhas por perto. Helena e sua irmã mais nova a princesa Beatriz tornaram-se as secretárias extraoficiais de Vitória. Após a morte da mãe em janeiro de 1901, a princesa viu poucas vezes seus irmãos ainda vivos.

Helena era o membro mais ativo da família real, realizando um extenso programa do compromissos durante uma época em que não esperado que a realeza aparecesse em público. Era também uma ativa patrona de organizações de caridade, sendo a presidente fundadora da Escola Real de Costura e presidente da Associação Real das Enfermeiras Britânicas. Como presidente da segunda, foi uma grande apoiadora do registro de enfermeiras. A princesa se tornou o primeiro membro da família real a celebrar um aniversário de cinquenta anos de casamento, porém seu marido morreu um ano depois em 1917. Helena viveu por mais seis anos e morreu em junho de 1923.

Helena nasceu no Palácio de Buckingham, Londres, em 25 de maio de 1846, um dia depois do aniversário de 27 anos de sua mãe. Era a quinta filha, a terceira menina, da rainha Vitória do Reino Unido e seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Alberto escreveu ao seu irmão Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota, dizendo que a filha "veio a este mundo bem azul, más ela está muito bem agora". Ele também contou que a rainha "sofreu mais e por mais tempo do que nas outras vezes e ela terá que permanecer quieta para se recuperar". Alberto e Vitória escolheram nomeá-la como Helena Augusta Vitória. Seu apelino germânico era Helenchen, mais tarde diminuído para Lenchen, o nome que os outros membros da família real vieram a chamar Helena. Como filha da soberana, ela foi chamada desde seu nascimento como "Sua Alteza Real, a princesa Helena". Seus padrinhos foram seu primo por casamento Frederico Guilherme de Mecklemburgo-Strelitz, a duquesa Helena de Mecklemburgo-Schwerin (representada por sua avó materna a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld) e a princesa Augusta de Hesse-Cassel.

Helena era uma criança vivaz e extrovertida, que reagia às provocações dos irmãos socando-os no nariz. Seus talentos iniciais incluíam desenho. Augusta Stanley, dama-de-companhia da rainha, elogiou os trabalhos realizados pela princesa quando tinha três anos. Tal como as suas irmãs, ela tocava piano com grande habilidade desde tenra idade. Outros interesses incluíam ciência e tecnologia , partilhados pelo seu pai, o Príncipe Alberto, e equitação e passeios de barco , duas das suas atividades favoritas na infância. Entretanto, Helena tornou-se a irmã do meio com o nascimento da princesa Luísa em 1848, com suas habilidades sendo ofuscadas por sua irmã mais artística.

O príncipe Alberto morreu em 14 de dezembro de 1861. Vitória ficou devastada e ordenou que toda sua criadagem, junto com as filhas, se mudassem do Castelo de Windsor para a Casa Osborne, sua residência particular na Ilha de Wight. A dor de Helena também foi profunda e ela escreveu a uma amiga um mês depois que "Nada jamais poderá substituir o que nós perdemos, e nossa dor é muito, muito amarga ... Eu adorava Papa, eu o amava mais do que tudo na terra, sua palavra era a lei mais sagrada e ele era meu ajudante e conselheiro ... Essas horas foram as mais felizes da minha vida, e agora tudo, tudo acabou".

Vitória contava com sua segunda filha mais velha a princesa Alice para atuar como sua secretária extraoficial, porém a própria Alice precisa de ajuda também. Apesar de Helena ser a filha seguinte, ela era considerada pouco confiável pela rainha por sua inabilidade de passar várias horas sem começar a chorar. Dessa forma, Luísa foi escolhida para assumir o cargo. Quando Alice se casou em 1862 com o príncipe Luís de Hesse e Reno, Helena acabou assumindo o papel de ajudante de Luísa e também o de "muleta" ao lado da mãe – como o biógrafo Jerrold M. Packard descreveu. Nesse cargo, ela realizava pequenas tarefas secretariais como escrever cartas em nome de Vitória e ajudá-la com a correspondência política, além de lhe fazer companhia.

Helena começou depois de 1859 um leve flerte com Carl Ruland, o bibliotecário germânico de seu pai, logo depois dele ter sido nomeado para a criadagem real seguindo uma recomendação do barão Stockmar. Ele era considerado confiável o suficiente para poder ensinar alemão a Alberto Eduardo, Príncipe de Gales e irmão mais velho de Helena, sendo descrito pela rainha como "útil e capaz". Ruland foi rapidamente dispensado e enviado de volta a Germânia assim que Vitória descobriu que a filha tinha começado a se interessar romanticamente pelo criado. A rainha nunca deixou de ser hostil em relação ao bibliotecário, mesmo tempos depois do ocorrido.

A rainha começou a procurar um marido adequado para Helena logo após a partida de Ruland em 1863. Entretanto, eram baixas as perspectivas de uma poderosa aliança com alguma casa real europeia já que a princesa era uma filha do meio. Sua aparência também era uma preocupação, já que aos quinze anos de idade ela foi descrita por um biógrafo como robusta, deselegante e com queixo duplo. Além disso, Vitória insistia que o futuro marido da filha fosse preparado para viver perto da rainha, dessa forma mantendo a filha por perto. Ela posteriormente escolheu o príncipe Eslésvico-Holsácia; porém, a união era embaraçosa politicamente e causou grandes divergências dentro da família real. Eslésvico e Holsácia eram dois territórios disputados pelo Reino da Prússia e pela Dinamarca durante a Guerra de Eslésvico e a Guerra dos Ducados do Elba. Na última, a Prússia e a Áustria derrotaram a Dinamarca, porém os ducados foram reivindicados pelos austríacos para a família de Cristiano. Os prussianos acabaram invadindo e ocupando os territórios na Guerra Austro-Prussiana e eles se tornaram parte da Prússia, más mesmo assim o título de Duque de Eslésvico-Holsácia continuou a ser reivindicado pela família do príncipe. Dessa forma o casamento horrorizou o rei Cristiano IX da Dinamarca e sua filha Alexandra, Princesa de Gales, que afirmou: "Os ducados pertencem a Papai". Alexandra foi apoiada por seu marido o Príncipe de Gales e pela princesa Alice, que abertamente acusaram Vitória de sacrificar a felicidade de Helena para sua própria conveniência. Alice também argumentou que isso reduziria ainda mais a popularidade de sua irmã Vitória, Princesa Real e Princesa Herdeira da Prússia, na corte germânica em Berlim. Outros opositores incluíam o príncipe Alfredo e o príncipe Jorge, Duque de Cambridge, porém a rainha foi muito apoiada pela princesa Vitória, que era há muitos anos amiga pessoal da família de Cristiano.

Apesar de toda a controvérsia política e a diferença de idade do casal – ele era quinze anos mais velho – Helena era feliz com Cristiano e estava determinada em se casar. Cristiano podia permanecer no Reino Unido – a principal preocupação de Vitória – por ser o filho mais novo de um duque não reinante e por não ter nenhum compromisso estrangeiro, e assim a rainha declarou que o casamento seguiria em frente. Helena e Cristiano eram primos em terceiro grau como descendentes de Frederico, Príncipe de Gales. As relações entre Helena e Alexandra permaneceram ruins, e a Princesa de Gales não estava preparada para aceitar Cristiano (que também era seu primo em terceiro grau como descendente do rei Frederico V da Dinamarca) tanto como primo ou cunhado. A rainha nunca perdoou Alexandra pelas acusações de possessividade, escrevendo sobre o Príncipe e a Princesa de Gales que "Bertie [apelido de Alberto Eduardo] é muito afetuoso e gentil, porém Alix [apelido de Alexandra] não é de maneira nenhuma o que ela deveria ser. Vai demorar muito, se acontecer, antes que ela reconquiste minha confiança".

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