Haroldo, filho de Sigurdo (conhecido na Noruega como Harald Hardråde; Haroldo Sigurdsson; em norueguês antigo: Haraldr Sigurðarson; Ringerike, 1015 — Stamford Bridge, 26 de setembro de 1066). Recebeu o epíteto Hardråde (harðráði, literalmente "o Duro" ou "o Duro para com os grandes senhores e o clero"). Foi o rei da Noruega como Haroldo III de 1046 até a data de sua morte em 1066. Além disso, sem sucesso, reivindicou o trono dinamarquês até 1064 e o trono inglês em 1066. Antes de se tornar rei, havia passado cerca de 15 anos no exílio como mercenário - comandante militar na Rússia de Quieve e chefe da Guarda varegue no Império Bizantino.
Quando tinha 15 anos, em 1030, lutou na batalha de Stiklestad juntamente com seu meio-irmão Olavo, filho de Haroldo (mais tarde Santo Olavo). Olavo procurou recuperar o trono norueguês, que havia perdido para o rei dinamarquês Canuto, o Grande dois anos antes. Na batalha, ambos os irmãos foram derrotados por forças leais a Canuto, e Haroldo foi enviado ao exílio na Rússia de Quieve (as sagas de Garðaríki). Depois passou algum tempo no exército do Grão-Príncipe Jaroslau, o Sábio, eventualmente, obteve a patente de capitão, até que se mudou para Constantinopla com seus companheiros em torno de 1034. Na capital bizantina, logo passou a se tornar o comandante da guarda varegue, e comandou suas ações no Mar Mediterrâneo, na Ásia Menor, Sicília, possivelmente na Terra Santa, na Bulgária, e na própria Constantinopla, onde se envolveu nas disputas imperiais dinásticas. Haroldo acumulou considerável riqueza durante seu tempo no Império Bizantino, a qual enviou a Jaroslau na Rússia de Quieve para custódia. Finalmente deixou os bizantinos em 1042, e chegou em Quieve, a fim de preparar a sua campanha para recuperar o trono da Noruega. Possivelmente para o seu conhecimento, em sua ausência o trono norueguês fora restaurado pelos dinamarqueses para o filho ilegítimo de Olavo, Magno, o Bom.
Em 1046, Haroldo juntou forças com o rival de Magno na Dinamarca (que também havia se tornado rei deste país), o pretendente Sueno, filho de Estrido (Sueno Estridsson), e começou a invadir a costa do território. Magno, sem vontade de lutar contra seu tio, concordou em dividir o reinado com Haroldo, desde que Haroldo, por sua vez, partilhasse sua riqueza com ele. O co-reinado terminou abruptamente no ano seguinte visto que Magno morreu e Haroldo tornou-se assim o único governante da Noruega. Internamente, esmagou toda a oposição local e regional, e esboçou a unificação territorial da Noruega sob uma governança nacional. Seu reinado foi provavelmente de relativa paz e estabilidade, e instituiu uma economia viável com a moeda e comércio exterior. Provavelmente, buscando restaurar o "Império do Mar do Norte" de Canuto, também reivindicou o trono dinamarquês, e passou quase todos os anos até 1064 invadindo a costa dinamarquesa e lutando contra seu ex-aliado, Sueno. Embora as campanhas tenham sido bem sucedidas, ele nunca foi capaz de conquistar a Dinamarca. Não muito tempo depois de renunciar a sua reivindicação da Dinamarca, o ex-Conde de Nortúmbria, Tostigo, irmão do recém-escolhido rei da Inglaterra Haroldo II (Haroldo, filho de Goduíno), prometeu sua lealdade ao rei da Noruega e o convidou a reclamar o trono inglês. Haroldo viajou junto e entrou em setembro de 1066 no norte da Inglaterra, onde invadiram a costa e derrotaram as forças regionais inglesas na batalha de Fulford, perto de Iorque. Embora inicialmente bem sucedidos, foi derrotado e morto num ataque das forças de Haroldo II, na Batalha de Stamford Bridge.
Os historiadores modernos têm considerado muitas vezes a morte de Haroldo, em Stamford Bridge, o que pôs fim a sua invasão, como o fim da Era viking. Também é comumente considerado por ter sido o último grande rei viking, ou até mesmo o último grande viking.
Haroldo nasceu em Ringerike, na Noruega, em 1015 (ou possivelmente 1016) como filho de Åsta Gudbrandsdatter e seu segundo marido, Sigurdo, o Semeador. Seu pai era rei da pequena Ringerike, e estava entre os nobres mais fortes e mais ricos nos Planaltos. Através de sua mãe Åsta, era o caçula dos três meio-irmãos do rei Olavo, filho de Haroldo (mais tarde Santo Olavo). Em sua juventude, exibiu características de um típico rebelde com grandes ambições, e admirava Olavo como seu modelo. Assim, diferia de seus dois irmãos mais velhos, que eram mais semelhantes ao seu pai, com os pés no chão e principalmente preocupado em manter as terras.
As sagas islandesas, particularmente Heimskringla de Snorri Sturluson, afirmam que Sigurdo, como pai de Olavo, era bisneto do rei Haroldo Cabelo Belo por linhagem masculina. A maioria dos estudiosos modernos acreditam que os ancestrais atribuídos ao pai de Haroldo Hardrada, juntamente com outras partes da genealogia dos Cabelo Belo, são invenções que correspondem às expectativas políticas e sociais da época dos autores (cerca de dois séculos após a sua vida) ao invés de realidade histórica. Sua suposta descendência de Haroldo Cabelo Belo não é mencionada e não desempenhou qualquer papel durante sua própria época, o que parece estranho, considerando que ele teria fornecido legitimidade significativa em relação a sua reivindicação ao trono da Noruega.
Na sequência de uma revolta em 1028, seu irmão Olavo foi forçado ao exílio até voltar à Noruega no início de 1030. Após ouvir a notícia do planejado retorno de Olavo, Haroldo reuniu 600 homens dos Planaltos para atender Olavo e seus homens após a sua chegada, no leste da Noruega. Depois de uma recepção calorosa, Olavo passou a reunir um exército e, eventualmente, lutar na batalha de Stiklestad em 29 de julho de 1030, em que Haroldo lutou ao lado de seu irmão. A batalha foi parte de uma tentativa de restaurar Olavo ao trono norueguês, que fora capturado pelo rei dinamarquês Canuto, o Grande. A batalha resultou na derrota dos irmãos nas mãos dos noruegueses que eram leais a Canuto, e Olavo foi morto enquanto Haroldo foi gravemente ferido. No entanto, foi notado por mostrar considerável talento militar durante a batalha.
Após sua derrota na batalha de Stiklestad, Haroldo conseguiu escapar com a ajuda de Rognualdo Brusason (mais tarde Conde das Órcades) para uma fazenda remota no leste da Noruega. Ficou lá por algum tempo para curar suas feridas, e, posteriormente (possivelmente até um mês depois) viajou para o norte ao longo das montanhas à Suécia. Um ano após a batalha de Stiklestad, chegou na Rússia de Quieve (referido em sagas como Garðaríki ou Svíþjóð hin mikla). Provavelmente passou pelo menos parte do seu tempo na cidade de Velha Ladoga (Aldeigiuburgo), chegando lá no primeiro semestre de 1031. Haroldo e seus homens foram recebidos pelo Grão-Príncipe Jaroslau, o Sábio, cuja esposa Ingegerda era uma parente distante. Muito necessitado de líderes militares, Jaroslau reconheceu um potencial militar no norueguês e fez dele chefe de suas forças. Seu irmão Olavo anteriormente tinha sido exilado por Jaroslau após uma revolta em 1028, e Morkinskinna diz que o Grão-Príncipe abraçou Haroldo antes de tudo, porque ele era o irmão de Olavo. Participou na campanha do príncipe de Quieve contra os poloneses, em 1031, e, possivelmente, também lutou contra outros inimigos e rivais de Quieve na década de 1030, como os chudes na Estônia, os bizantinos, assim como os pechenegues e outros povos nômades das estepes.
Depois de alguns anos em Quieve, Haroldo e sua força de cerca de 500 homens mudaram-se para o sul em Constantinopla (Miclagardo), a capital do Império Bizantino, provavelmente em 1033 ou 1034, onde ingressou na guarda varegue. Embora a Flateyjarbók sustente que no início procurou manter sua identidade real em segredo, a maioria das fontes concorda que Haroldo e a reputação de seus homens já era bem conhecida no leste na época. Enquanto a guarda varegue foi concebida principalmente para funcionar como guarda-costas do imperador, foi encontrada lutando em "quase todas as fronteiras" do império. Primeiro esteve em ação em campanhas contra piratas árabes no Mediterrâneo, e depois em cidades do interior da Ásia Menor que tinham apoiado os piratas. A essa altura, de acordo com Snorri Sturluson havia se tornado o "líder de todos os varangianos". Em 1035, os bizantinos haviam expulsado os árabes da Ásia Menor, e Haroldo participou de campanhas que entraram tanto no leste como no Eufrates, onde, segundo seu escaldo Þjóðólfr Arnórsson (recontado nas sagas) participou da captura de oitenta fortalezas árabes, um número que os historiadores Sigfus Blöndal e Benedikt Benedikz veem nenhuma razão particular para questionar. Embora não possuísse comando independente de um exército como as sagas implicam, não é improvável que Haroldo e os varangianos às vezes poderiam ter sido enviados para capturar um castelo ou cidade. Durante os primeiros quatro anos do reinado do imperador bizantino Miguel IV, o Paflagônio (r. 1034–1040), provavelmente também lutou em campanhas contra os pechenegues.